"Calma, Ellie. A mamãe está aqui, não chore..." Emma apertou a bebê contra o peito e usou o próprio corpo para protegê-la do vento. Enquanto olhava para a filha, sentiu uma dor amarga apertar seu coração.
Quando foi presa, Emma nem sabia que estava grávida. Só descobriu a gravidez três meses depois de começar a cumprir a pena.
A vida atrás das grades havia sido brutal, e o bullying constante tornava aqueles dias ainda mais difíceis.
Ellie nasceu prematuramente e, mesmo seis meses depois do nascimento, continuava extremamente pequena e fraca. Seu choro era tão baixo e frágil que mal passava do miado de um gatinho.
Emma encostou a testa nos cabelos macios da filha, com os olhos marejados. "Acabou, meu amor. A mamãe vai levar você para casa. Ninguém mais vai poder nos manter aqui."
Depois, ela levou Ellie para o ônibus estacionado ali perto.
Pouco depois, um Cayenne preto parou silenciosamente diante da prisão. O vidro da janela traseira baixou, revelando o perfil frio e bem definido de Shane Holt.
Shane observava a entrada da prisão sem demonstrar qualquer emoção, enquanto girava lentamente a aliança de casamento em seu dedo.
Ao notar alguém no ônibus que lhe pareceu familiar, o motorista se inclinou para a frente e falou apressadamente: "Senhor Holt, ali está ela. A senhorita Clark já foi libertada."
Após olhar de novo, ele hesitou e se corrigiu rapidamente: "Não, não pode ser ela. Ela está com um bebê."
Shane voltou os olhos para a mulher dentro do ônibus. De fato, havia algo naquele perfil que lhe lembrava Emma, mas o corpo da mulher parecia magro e frágil demais.
Aquela figura abatida não combinava com a mulher teimosa e de língua afiada que ele conhecia.
Shane desviou o olhar imediatamente, mas a cena diante dele trouxe de volta uma lembrança de dezoito meses atrás.
Naquela época, Emma e Shane haviam tido a briga mais séria do casamento.
Tudo começara quando Emma acreditou nos rumores de que Shane estava tendo um caso com sua irmã adotiva, Joelle Clark. Tomada pela raiva, Emma fizera um escândalo e jogara os papéis do divórcio na cara dele.
Nada do que Shane dissesse conseguiu fazê-la desistir da ideia de terminar o casamento.
As acusações sem fundamento haviam esgotado a paciência de Shane, e a insistência de Emma em não ceder o levou ao limite.
Naquela noite, o álcool destruiu o pouco autocontrole que ainda lhe restava, e ele a forçou.
A lembrança daquela noite voltou à mente de Shane, fazendo-o pressionar os dedos contra as têmporas, cansado. Mesmo depois de tanto tempo, ele ainda não conseguia compreender o turbilhão de sentimentos que aquela lembrança despertava.
Desde o início, o casamento dos dois havia sido apenas um acordo prático. Shane precisava de uma esposa adequada para apaziguar a família e acabar com os rumores sobre sua vida particular.
Durante os três anos de casamento, ele nunca havia se deitado com Emma.
Depois daquela noite, porém, Shane se viu perturbado ao perceber que desejava ter Emma por perto muito mais do que imaginava. Chegara a pensar que aquele acontecimento poderia finalmente diminuir a distância entre os dois, no entanto, essa esperança não durou nem um dia.
Na manhã seguinte, a notícia de que Emma havia roubado informações confidenciais do Grupo Holt já havia se espalhado.
Os depoimentos das testemunhas e as provas materiais apontavam para ela, mas, ainda assim, Emma se recusava a admitir qualquer culpa.
A raiva de Shane aumentou, mas sua decepção foi ainda maior. Emma já era sua esposa, isso ainda não era o suficiente para ela? Por que precisava traí-lo?
Cego pela raiva, Shane ordenou que o departamento jurídico buscasse a pena máxima e recusou qualquer possibilidade de acordo, exigindo a sentença mais severa possível.
Ele sempre acreditou que a culpa merecia punição, e foi assim que justificou o que havia feito.
Dezoito meses atrás das grades deveriam ser suficientes para fazê-la reconhecer o próprio erro e pensar duas vezes antes de desafiá-lo novamente.
Agora, porém, sua raiva já havia diminuído.
Se Emma admitisse a culpa e demonstrasse que havia mudado, Shane estava disposto a deixar tudo aquilo para trás.
"Estamos aqui há mais de trinta minutos, senhor Holt. O senhor quer esperar mais?", perguntou o motorista em voz baixa.
A pergunta trouxe Shane de volta ao presente, e sua expressão se fechou imediatamente.
Ele havia até cancelado uma reunião importante para buscar Emma pessoalmente, mas ela ainda não havia aparecido.
Isso só podia significar mais um desafio - mais uma tentativa de provocá-lo.
Ele soltou uma risada de escárnio.
Se a prisão não havia ensinado Emma a ser mais flexível, ele não pretendia continuar se rebaixando por causa dela.
"Nos leve de volta para a Vila Seashell", ordenou Shane friamente, e fechou o vidro da janela, voltando a esconder a expressão.
Afinal, depois de ser libertada, Emma não tinha mais ninguém para acolhê-la, e não lhe restaria outra opção além de voltar para casa.
Shane queria ver o que ela pretendia fazer em seguida.
Assim que o Cayenne entrou no pátio da mansão, Shane percebeu que a luz do quarto de Emma estava acesa.
"Então, no fim das contas, ela voltou por conta própria", pensou.
Incapaz de conter a ansiedade, Shane subiu as escadas mais depressa do que de costume.
Depois de dezoito meses, ele mal podia esperar para descobrir qual desculpa aquela mentirosa inventaria dessa vez.