Baixar App hot
Início / Romance / O Preço da Verdade
O Preço da Verdade

O Preço da Verdade

5.0
10 Capítulo
Ler agora

🥀 Sete anos atrás, Helena amava Arthur com cada fibra de seu ser, mas um complô cruel a rotulou como traidora e a destruiu. Grávida e humilhada, ela fugiu e se ergueu do pó, tornando-se uma empresária feroz e independente no ramo de cosméticos de alta tecnologia. Quando seu filho Léo de seis anos é diagnosticado com leucemia agressiva e precisa desesperadamente de um transplante de medula óssea compatível, Helena é empurrada de volta para o ninho de cobras que jurou esquecer. O único doador é Arthur, agora um titã imobiliário implacável dominado pela amargura, noivo de sua pior inimiga. À medida que segredos soterrados emergem, eles descobrem que o ódio apaixonado que os une é apenas a máscara de um amor que nunca morreu, ameaçado por conspirações sinistras e revelações arrebatadoras.

Índice

O Preço da Verdade Capítulo 1 🧸 Cap. 1: Desmaio na Festa de Gala

O aplauso da multidão era um estrondo ensurdecedor, mas, para Helena, parecia vir debaixo d'água.

As luzes da grande sala de gala do Hotel Fasano reluziam contra o metal dourado do troféu DermoScience em suas mãos.

Era o ápice de sua carreira, a validação de sete anos de exílio, suor e lágrimas em laboratórios estrangeiros.

Ela deveria estar sorrindo.

Deveria estar saboreando o gosto doce da vitória sobre aqueles que, no passado, tentaram reduzir seu nome a cinzas.

No entanto, sua alma estava em outro lugar.

Mais especificamente, na primeira fileira do mezanino VIP, onde uma pequena silhueta vestindo um miniterno preto acenava para ela com entusiasmo.

Era Leonardo. Seu Léo.

O menino de seis anos exibia um sorriso que fazia os olhos cinzentos dele tão dolorosamente idênticos aos d'ele brilharem sob a iluminação indireta do salão.

Helena sentiu o aperto familiar no peito.

Léo era sua âncora, a única razão pela qual ela não havia desmoronado quando o mundo ruiu sob seus pés sete anos atrás.

Ela apertou a estatueta contra o corpo, o tecido de seda verde-esmeralda de seu vestido de grife moldando-se à sua postura rígida e elegante.

- Obrigada - Helena murmurou ao microfone, sua voz firme, embora seu coração estivesse acelerado. - Este prêmio não é meu. É daqueles que acreditam que a ciência e o amor podem curar o que a ganância destrói.

Ela não olhou para a mesa da diretoria da Construtora Valente, onde sabia que os fantasmas de seu passado assistiam à cerimônia.

Ela apenas desceu os degraus do palco com a graça de uma rainha que acabara de recuperar sua coroa, recusando os microfones dos repórteres que se amontoavam na lateral.

Seu único objetivo era chegar até seu filho.

- Mamãe! Você parecia uma fada lá em cima! - Léo correu ao encontro dela assim que ela cruzou o portal do mezanino.

Helena se ajoelhou no carpete felpudo, sem se importar em amassar o vestido de milhares de dólares.

Ela o abraçou apertado, inalando o cheiro doce de xampu infantil que sempre a acalmava.

Contudo, ao afastar o corpo do menino para encará-lo, uma onda fria de apreensão congelou sua espinha.

Léo estava pálido. Não era apenas a fadiga de uma noite que já se estendia além do seu horário de dormir.

Havia uma tonalidade quase translúcida em sua pele, e pequenas gotículas de suor frio brilhavam em sua testa.

- Meu amor, você está bem? Está sentindo alguma dor? - Helena perguntou, a voz caindo para um sussurro tenso, os dedos tateando o pescoço do filho, medindo a pulsação que parecia rápida demais, fraca demais.

- Só estou um pouco cansado, mamãe... E com calor - Léo sussurrou, a voz fraca, as pálpebras pesadas.

Ele tentou sorrir para tranquilizá-la, mas o sorriso morreu antes de alcançar seus lábios.

O que aconteceu a seguir se desdobrou em câmera lenta na mente de Helena.

Uma única gota de um vermelho vivo e denso escapou da narina esquerda de Léo.

Antes que Helena pudesse estender a mão, um fluxo contínuo e assustador de sangue jorrou, manchando instantaneamente o colarinho branco de sua camisa social e respingando no vestido esmeralda de Helena.

- Léo! - o grito dela foi abafado pela música ambiente da festa.

O menino levou a mãozinha ao nariz, os olhos cinzentos arregalados em pura confusão e medo.

- Mamãe... eu... - as palavras dele falharam.

Os olhos de Léo reviraram, as pupilas subindo enquanto suas pernas perdiam as forças.

Ele desabou para a frente, um peso morto nos braços de Helena.

- Léo! Acorda! Meu Deus, alguém me ajuda! - o pânico, cru e visceral, rasgou a garganta de Helena.

Ela o segurou contra o peito, sujando as próprias mãos e o rosto com o sangue quente que não parava de fluir do nariz do filho.

A opulência do salão de gala, os vestidos de grife, as joias milionárias e os olhares curiosos dos convidados tornaram-se um borrão insignificante.

Para Helena, o universo havia se reduzido ao corpo frágil e inerte de Léo em seus braços.

•••

O barulho dos pneus cantando no asfalto ainda ecoava nos ouvidos de Helena, quando ela empurrou as portas duplas de vidro da emergência do Hospital Aliança, um dos mais renomados e caros da capital.

Ela não esperou pela ambulância; havia colocado o filho no banco de trás do carro de um colega e dirigido como uma louca pelas ruas chuvosas.

- Por favor! Alguém me ajude! Meu filho desmaiou, ele não para de sangrar! - Helena clamou, a voz embargada pelo choro, os cabelos castanhos outrora impecáveis agora grudados ao rosto pelo suor e pela chuva.

Uma enfermeira da triagem aproximou-se rapidamente com uma maca, mas o médico de plantão, um homem de meia-idade com o crachá onde se lia Dr. Renato, aproximou-se com passos lentos, os olhos avaliando Helena de cima a baixo.

Ele viu o vestido de festa manchado de sangue, a maquiagem borrada e a histeria em sua voz.

Para ele, parecia apenas mais uma mãe rica e superprotetora tendo um ataque de nervos por causa de um incidente menor.

- Calma, senhora. Desmaios e sangramentos nasais são comuns em crianças nessa faixa etária, especialmente com a mudança de temperatura de ambientes com ar-condicionado forte - disse o Dr. Renato, o tom impregnado de uma condescendência irritante. Ele sequer havia tocado em Léo ainda. - Coloque o menino na maca. Vamos preencher a ficha de internação primeiro. Preciso do documento de identidade e do cartão do plano de saúde.

- Ele está inconsciente! - Helena rugiu, a voz tremendo de indignação e puro terror. Ela deu um passo à frente, os olhos verdes faiscando com uma fúria selvagem. - Ele não está apenas com calor! Ele desmaiou do nada, a frequência cardíaca dele está oscilando e o sangramento não cede mesmo com compressão! Você vai ficar aí teorizando ou vai salvar o meu filho?

- Senhora, existem protocolos. Nós temos uma fila de atendimento e...

- Eu sou doutora em biotecnologia! - Helena o interrompeu, a voz cortante como uma lâmina de bisturi, projetando uma autoridade que fez o médico recuar um passo. - Eu sei exatamente o que é uma síncope e sei que este sangramento não é capilar periférico. Se você não colocar meu filho em um monitor agora e iniciar o protocolo de choque hipovolêmico, eu juro pela minha vida que destruo a sua carreira antes do amanhecer!

O Dr. Renato engoliu em seco.

A mistura de desespero materno e conhecimento técnico impecável na voz daquela mulher eliminou qualquer vestígio de sua negligência inicial.

- Levem o menino para a sala de trauma dois! Agora! - ordenou o médico à equipe de enfermagem, que imediatamente começou a empurrar a maca.

Helena correu ao lado deles, segurando a mão pequena e fria de Léo.

O menino parecia tão menor naquela maca de hospital, sob a luz fluorescente e implacável do corredor.

O contraste entre a pele alva de Léo e o sangue que ainda manchava seus lábios era uma visão que dilacerava a alma de Helena.

- Eu estou aqui, meu amor. A mamãe está aqui. Você vai ficar bem, eu prometo... eu prometo... - ela sussurrava repetidamente, uma prece desesperada que ela mesma não sabia se Deus seria capaz de ouvir.

Na sala de trauma, os bipes rápidos e agudos do monitor cardíaco preencheram o silêncio tenso.

Enfermeiros cortaram a camisa do miniterno de Léo, colando eletrodos em seu peito miúdo.

Helena foi empurrada para o canto da sala, forçada a assistir à distância enquanto agulhas eram inseridas nos braços finos do filho para coletar tubos de sangue.

Cada segundo parecia uma eternidade de tortura.

Helena apertava as próprias mãos com tanta força que suas unhas cortavam a palma de sua pele.

O vestido verde-esmeralda, agora uma relíquia grotesca de um triunfo que parecia ter acontecido em outra encarnação, estava pesado e frio contra seu corpo.

Os minutos se arrastaram.

O sangramento de Léo finalmente diminuiu após a aplicação de medicamentos e tamponamento, mas ele não recuperou a consciência plenamente; apenas murmurava palavras desconexas, perdido em um estado de letargia profunda.

O Dr. Renato entrou e saiu da sala duas vezes, sua expressão tornando-se progressivamente mais séria e menos arrogante à medida que os primeiros resultados preliminares do laboratório começavam a aparecer na tela do computador da ala de emergência.

Ele já não olhava nos olhos de Helena.

E esse silêncio, essa falta de contato visual, era o diagnóstico mais aterrorizante que ela poderia receber.

De repente, o som das portas automáticas da unidade de tratamento intensivo pediátrico ecoou pelo corredor externo.

Passos firmes e rápidos aproximaram-se da sala de trauma.

A cortina que isolava o leito de Léo foi puxada para o lado com um estalo seco.

Uma mulher de meia-idade, vestindo um jaleco branco impecável sobre uma roupa cirúrgica verde, entrou no recinto.

Seu crachá exibia o cargo em letras garrafais: Dra. Viviane Ramos – Chefe de Oncologia Pediátrica.

Ela não trazia pranchetas, apenas um tablet nas mãos.

Ao cruzar o olhar com Helena, a médica parou por uma fração de segundo.

Sua expressão facial não continha a pressa habitual dos médicos de emergência, nem a frieza burocrática do plantonista.

Era um semblante carregado de uma gravidade absoluta, uma compaixão sombria que fez o ar desaparecer dos pulmões de Helena.

A médica olhou para o monitor, depois para o rosto pálido de Léo, e finalmente fixou seus olhos nos de Helena.

O silêncio que se instalou na sala foi tão denso que o próprio bater do coração de Helena parecia ter parado.

- Você é a mãe do Leonardo? - a voz da oncologista era suave, mas carregava o peso de uma sentença de morte não pronunciada.

Continuar lendo
img Baixe o aplicativo para ver mais comentários.
Baixar App Lera
icon APP STORE
icon GOOGLE PLAY