Caitlin percebeu que a pressão do estranho havia diminuído e a mão que segurava a faca estava tremendo. Aproveitando o momento, ela agarrou o pulso dele, se virou e sentou no colo dele.
O olhar de Shawn Harris ficou ainda mais sombrio e ele pressionou a adaga com mais força contra a garganta de Caitlin. "Você quer morrer?"
Uma linha fina apareceu na pele de Caitlin, e o sangue começou a escorrer. Sem se deixar intimidar, ela desviou o olhar para o sangue que manchava a camisa dele. "Pode ser. Ou talvez você não esteja em posição de me ameaçar. Quem está realmente prestes a morrer aqui?"
Os olhos de Shawn ardiam de ameaça. "Então tente a sorte e veja o que acontece."
Enquanto as vozes e os passos do lado de fora se aproximavam, Caitlin tirou o casaco e rasgou a camisa com um puxão, fazendo os botões voarem por todo o carro.
Com a camisa entreaberta, revelando sua pele nua, ela se sentou no colo de Shawn e o encarou de frente.
Shawn afrouxou abruptamente o aperto na adaga, seu rosto marcado pela confusão. Que diabos ela estava tentando fazer?
Antes que ele pudesse reagir, Caitlin diminuiu a distância, passou os braços ao redor de seu pescoço e o beijou diretamente na boca.
Essa mulher imprudente realmente teve muita coragem... A raiva brilhou nos olhos de Shawn, que estava prestes a empurrá-la do seu colo, até que um sussurro no seu ouvido o fez parar.
"Se quiser sair inteiro dessa, entre no jogo."
Ser beijado à força por uma estranha deixou Shawn à beira de um colapso. Apesar de seus ferimentos, o desejo de matar essa mulher ardia em seu peito.
Caitlin se abaixou e mordiscou o pomo de Adão dele com os dentes. Em seguida, desabotoou os botões do colarinho da camisa dele e começou a acariciar a pele dele.
Um tremor percorreu o corpo de Shawn, e um sorriso malicioso e satisfeito surgiu nos lábios de Caitlin.
"Ah!" Um suspiro agudo escapou dos lábios de Shawn, dividido entre a dor e algo muito mais irracional, enquanto seu peito subia e descia.
De repente, a porta traseira se abriu com violência.
"Ah!" Caitlin reagiu instantaneamente, agarrando o pescoço de Shawn e se virando com pânico nos olhos. "O que vocês estão fazendo? Quem são vocês?"
Os homens do lado de fora olharam para Shawn, que estava com o rosto escondido no peito de Caitlin, e para ela, que estava com as roupas em desordem e tremendo, depois reviraram os olhos e bateram a porta.
"É só um casal se amassando. Continuem procurando!"
Enquanto as vozes deles se distanciavam, Shawn não perdeu tempo em empurrar Caitlin de seu colo. "Fique longe de mim."
Nesse momento, a porta do motorista se abriu e alguém entrou.
Shawn ficou tenso, erguendo a faca e se preparando para atacar.
"Caitlin!" Leland Simpson, que acabara de entrar no carro, parou abruptamente ao ver a cena à sua frente. "O que diabos está acontecendo aqui?"
Caitlin saiu do colo de Shawn e olhou de soslaio para ele, que segurava seu ferimento, antes de soltar um sorriso torto. "Não é nada. Só nos tire daqui."
Sem perder tempo, o carro saiu do estacionamento.
Shawn enfiou a mão no casaco, pegou um cartão de visitas manchado de sangue e o estendeu para ela. "Você me tirou de uma enrascada. O que quer em troca?"
Com uma expressão de nojo, Caitlin pegou o cartão da mão, tirou uma pílula vermelha de um frasco de vidro e a colocou na palma da mão dele. "Tome isto. Agora."
Após um momento de hesitação, Shawn engoliu a pílula, mantendo os olhos fixos em Caitlin.
Com um sorriso zombeteiro nos lábios, ela perguntou: "Não pensou duas vezes antes de tomar? E se eu tivesse te dado veneno?"
Ele nem se deu ao trabalho de responder, apenas se recostando no banco.
Caitlin olhou para Leland, que estava no volante. "Deixe ele em algum lugar perto de um hospital. E seja rápido."
"Pode deixar, Caitlin."
Depois de deixar Shawn na clínica mais próxima, Leland notou que Caitlin começava a se maquiar. "Tem certeza de que aquele cara não vai nos trazer problemas? Lembre-se, você só está em Aleginia para pegar as coisas da sua mãe e se afastar da família White. Não arranje mais problemas para si mesma."
Observando seu reflexo, Caitlin pareceu satisfeita com o resultado. "Não se preocupe. Ninguém vai me reconhecer agora."
A mulher deslumbrante de antes havia desaparecido, substituída por alguém quase invisível, graças à habilidosa maquiagem de Caitlin.
Uma grande mancha marrom cobria a maior parte da sua bochecha direita, com pontos de pigmentação espalhados pela pele, e óculos pretos e grossos completavam a transformação.
Sentindo-se um pouco vitoriosa, Caitlin levou a mão ao pescoço por hábito, mas parou quando seus dedos procuraram por algo que não estava mais lá.
Seu sorriso desapareceu quando percebeu que seu colar havia sumido.
Ao se lembrar do homem que quase a estrangulou, sua expressão se tornou sombria. "Eu salvo a pele dele, e ele me agradece roubando meu colar? Que inacreditável."
Leland olhou para ela, com preocupação na voz. "O que aconteceu, Caitlin?"
Ela passou os dedos pelo seu pescoço vazio e balançou a cabeça. "Não é nada. Me leve de volta para a residência da família White."
Logo, uma empregada levou Caitlin até a entrada da sala de estar, de onde gritos ecoavam pelos corredores.
Um vaso de porcelana se estilhaçou no chão enquanto sua meia-irmã, Emma White, se descontrolava, sua voz se sobressaindo em meio ao caos. "Não vou me casar com ele! Pai, prefiro sumir do que ficar presa àquele cara da família Harris que vive numa cadeira de rodas!"
Aydan White, o pai de Caitlin, retrucou com um olhar frio: "Chega! A família Harris é quem manda em Aleginia, e Shawn - mesmo que esteja preso a uma cadeira de rodas - ainda é o partido dos sonhos para metade desta cidade!"
As palavras de Emma saíram entre soluços. "Mas ele mal está se aguentando! Por que tenho que ser babá de alguém que não vai viver muito tempo?"
Aydan bateu com o punho na mesa. "Não quero ouvir mais uma palavra! Está decidido!"
Emma retrucou, sua voz trêmula: "Esqueça! Não vou me voluntariar para ser enfermeira dele! Escolha outra pessoa!"
Ouvindo a conversa do lado de fora, Caitlin percebeu que uma oportunidade perfeita para ela ficar em Aleginia havia batido na sua porta, e um sorriso malicioso nos lábios surgiu em seus lábio.
Ela entrou na sala e ergueu a voz para que ninguém pudesse ignorá-la. "Se estão procurando uma noiva para um cara na cadeira de rodas, eu me caso com ele!"