Sem esperar resposta, ela saiu dali, atravessando a multidão até alcançar a parte externa da casa.
O silêncio lá fora era quase estranho depois de tanto barulho.
Ela apoiou as mãos na parede, respirando fundo.
Mas a sensação não passou.
Pelo contrário...
Piorou.
Foi então que ela sentiu.
Aquela sensação.
Como se estivesse sendo observada.
Seu corpo inteiro ficou tenso.
Devagar, ela virou o rosto.
E o encontrou.
Encostado no carro, com os braços cruzados, estava um homem que não combinava com aquele lugar.
Alto.
Imponente.
O olhar fixo nela, intenso demais... quase sufocante.
- Fugindo da festa? - a voz dele era grave, calma... perigosa.
Alana engoliu seco, tentando manter o controle.
- Talvez.
Ele se afastou do carro e começou a se aproximar.
Passo por passo.
Seguro.
Dominante.
O tipo de homem que não pedia nada... apenas tomava.
- Você não parece pertencer àquele lugar - ele disse.
Ela ergueu o queixo, tentando não se intimidar.
- E você parece?
Um leve sorriso surgiu no canto dos lábios dele.
- Eu pertenço a qualquer lugar que eu quiser.
O coração dela acelerou.
Algo estava errado.
Muito errado.
Mas, ao mesmo tempo...
Era impossível ignorar.
- Qual é o seu nome? - ele perguntou, parando perto demais.
Ela hesitou.
Uma parte dela gritava para ir embora.
Para correr.
Mas outra parte...
Queria ficar.
- Alana.
Ele repetiu o nome dela devagar, como se estivesse guardando.
- Kael.
O nome soou pesado.
Importante.
Perigoso.
E, mesmo sem saber o motivo...
Alana teve certeza de uma coisa.
Aquele homem não era alguém comum.
Ele se aproximou ainda mais.
Agora, não havia espaço entre eles.
Alana podia sentir o cheiro dele... forte, marcante.
- Você devia ir embora - ele disse, mas não se afastou.
Confuso.
Contraditório.
- Por quê?
O olhar dele escureceu.
- Porque eu não sou o tipo de homem que você deveria conhecer.
Aquilo era um aviso.
Claro.
Direto.
Mas, mesmo assim...
Ela não saiu.
- E se eu quiser conhecer? - ela desafiou.
Por um segundo, o silêncio dominou tudo.
Então ele sorriu.
Mas não era um sorriso qualquer.
Era perigoso.
- Então você acabou de tomar a pior decisão da sua vida.
O coração dela disparou.
E, naquele momento...
Sem perceber...
Alana cruzava um caminho sem volta.
Mas algo dentro dela dizia que ainda não tinha acabado.
Que aquilo era só o começo.
Alana tentou se afastar, criando um pequeno espaço entre eles.
- Você sempre fala assim com quem acabou de conhecer? - perguntou, tentando recuperar o controle.
Kael inclinou levemente a cabeça, analisando cada detalhe dela.
Como se estivesse estudando.
Como se estivesse decidindo algo.
- Não - respondeu. - Só quando vale a pena.
O coração dela acelerou de novo.
Ela odiava o efeito que ele causava.
Mas não conseguia ignorar.
- Você é sempre tão convencido assim?
Ele deu um passo à frente.
De novo.
Diminuindo qualquer distância que ainda existia.
- Eu só falo o que é verdade.
O silêncio voltou.
Pesado.
Carregado.
Alana sabia que precisava ir embora.
Mas seus pés continuavam presos ao chão.
Como se alguma força invisível a mantivesse ali.
- Isso é loucura... - ela murmurou.
- É - ele concordou, sem desviar o olhar. - E mesmo assim você ficou.
Aquilo atingiu direto.
Sem defesa.
Sem saída.
Ela desviou o olhar por um instante, tentando organizar os pensamentos.
Mas quando voltou a encará-lo...
Já não havia mais dúvida.
Nem razão.
Nem volta.
E, no fundo...
Ela sabia.
Aquela noite não seria esquecida.