Naquela mansão de luxo, eu, Leo, vivia uma vida de aparências ao lado de Heitor, meu marido. O casamento era um mero contrato, uma jaula de ouro onde a irmã dele, Isabela, me torturava e Heitor observava com indiferença, sempre me comparando a Eva, sua falecida esposa. Minhas mãos ainda ardiam da água fervente que Isabela jogou, um sorriso cruel nos lábios, quando Heitor entrou, mas não para me defender. Ele me arrastou para o hospital, onde, em vez de consolo, ofereceu dinheiro, como se eu fosse um objeto danificado, enquanto flertava com Sofia, a mulher que era a cópia física de Eva. Farto das humilhações e da dor, pedi o divórcio, mas Heitor apenas riu, dizendo que eu pertencia a ele, que nosso contrato me prendia àquele inferno. Mesmo ferido e humilhado, sabia que precisava escapar para proteger minha tia, que dependia do dinheiro dele para tratamento. Mas, na tentativa de me humilhar ainda mais, eles me forçaram a usar o terno de casamento de Eva, transformando a recepção de Heitor em um palco para minha desgraça, culminando em uma queda que quase me custou a vida. Ainda à beira da morte, ouvi Heitor dizer aos paramédicos para salvarem Sofia primeiro, que minha vida não valia nada. Ele selou meu destino ao destruir meu olfato, a única coisa que me tornava útil para ele, o dom que me transformou em perfumista e que ele usou para recriar o perfume da Eva. A dor e a humilhação me deram uma coragem inesperada: eu iria embora, levaria minha tia e nunca mais olharia para trás. Agora, meu passado e meu futuro colidem em uma batalha por liberdade.
