Heitor voltou ao Brasil depois de três anos, e a primeira coisa que fiz foi ir buscá-lo no aeroporto, com o coração cheio de saudade e uma pontada de ansiedade. Mas a alegria rapidamente se transformou em um choque gelado quando encontrei o celular dele vibrando, revelando o nome "Vanessa" com um emoji de coração. Aquele não era o Heitor que eu conhecia; sua frieza era palpável, e a desculpa de "colega de trabalho" não me convenceu, especialmente quando o vi sorrindo para a tela. Ainda em choque, encontrei um gravador atrás do sofá e o que ouvi destruiu tudo: a voz de Heitor, clara e cruel, dizendo que eu era apenas uma "obrigação", uma "promessa idiota" à avó dele, e que Vanessa era o "futuro" dele, enquanto eu era só um "degrau". Meu mundo desabou; a dor, a humilhação e a raiva me sufocaram, mas uma clareza fria tomou conta de mim. Naquela mesma noite, Heitor me levou a um jantar "para comemorar", mas a cena se desenrolou diante dos meus olhos: Vanessa, descaradamente exibida ao lado dele, com um sorriso vitorioso. A declaração de que aquele "noivado não faz mais sentido" e a oferta de uma "compensação financeira" enquanto Vanessa sorria cruelmente, me atingiram como um soco. Aquelas pessoas me tratavam como um objeto descartável, me humilhando publicamente, e uma parte de mim morreu naquele jantar. A gota d' água veio quando Vanessa, com um sorriso de escárnio, tirou um colar do pescoço, o último presente da minha mãe, e o jogou no chão, partindo-o em dois. Aquele momento de pura maldade fez algo explodir dentro de mim. Não haveria mais lágrimas; apenas uma raiva fria e uma determinação em me reerguer, porque a mulher que eles humilhavam naquela noite não existia mais. Eu era outra, e eles ainda não sabiam.
