Livros e Histórias de Ming Yue Xiao Tian
Adeus, Meu Filho
O telefone tocou, cortando o silêncio pesado do corredor do hospital, trazendo a pior notícia: "Seu filho, Felipe, sofreu um acidente de moto. A situação é grave." Meu mundo desabou. Liguei para Sofia, minha esposa, a mãe de Felipe, mas só dava caixa postal. Quando finalmente consegui, o que ouvi não foi a voz dela preocupada, mas a de uma festa, cheia de risadas e música alta. Enquanto nosso filho lutava pela vida, ela celebrava a vitória de Lucas, o filho do ex-namorado dela. Pedi que viesse, implorei, mas ela respondeu com irritação, como se eu a estivesse incomodando: "Eu tô no meio de uma coisa importante aqui, Ricardo." Gritei que era grave, que o médico tinha dito, mas ela apenas suspirou, aborrecida: "Tá, tá bom. Eu vejo o que eu posso fazer. Me manda o endereço por mensagem." E desligou na minha cara. Pouco depois, o médico me deu a notícia final: "Nós perdemos o Felipe" . Meu filho, nosso brilhante Felipe, se foi. Voltei para casa, desolado, e então vi a foto no meu celular: Sofia radiante, sorrindo com o ex-namorado e Lucas, e a legenda: "Lucas é campeão! Noite inesquecível! Muito orgulho do nosso menino!". Naquele momento, não era só a dor de perder Felipe; era a dor da traição. O choro dela, vindo do telefone, embriagado, falando da comemoração de Lucas, e a risada em seguida, abafada, cochichando para o ex: "O Ricardo não suspeita de nada. Ele e o Felipe continuam achando que a gente vive com o salário mínimo. Mal sabem eles que o dinheiro que eles ralam pra ganhar mal paga a mensalidade da academia do Lucas." Como uma mãe poderia ser tão cruel? Como eu não percebi? Meu filho morreu por uma mentira, e de repente, não havia mais nada em mim além de uma fúria fria.
O Último Suspiro e o Primeiro Despertar
No dia do meu 25º aniversário, o sol entrava suavemente pela janela do meu apartamento. O meu marido, Pedro, saiu da casa de banho, com uma toalha à volta da cintura, e desejou-me "Feliz aniversário, amor" . Parecia uma cena de perfeita normalidade, de felicidade conjugal. Mas não era. Horas antes, o Pedro, o homem que eu amava, tinha-me atropelado com o seu Porsche, na companhia da minha irmã, Clara, que sorria vitoriosamente ao seu lado. Eu vi-os, senti o impacto brutal, a dor avassaladora, e depois a escuridão. Quando abri os olhos de novo, estava de volta àquela manhã, sem dor, sem sangue. Tinha voltado no tempo. A imagem do rosto frio de Pedro e do sorriso cruel de Clara gravada na minha mente. Era o meu dia de aniversário, mas eu era uma mulher morta-viva, assombrada pelo que aconteceu. Como puderam as duas pessoas em quem mais confiava querer-me morta? A pergunta ecoava na minha cabeça, a dor era imensa, a traição insuportável. Porquê? O que os levou a tal ato? Desta vez, o destino não me enganará. Eu sei o final da história. E desta vez, serei eu a escrever o meu próprio futuro, pronta para descobrir a verdade e reescrever a minha segunda chance. Eles pensam que o plano deles vai funcionar. Mal sabem que eu voltei dos mortos.
Renascida das Águas
A primeira coisa que fiz ao acordar do coma, depois de três dias presa num túnel inundado e de ter perdido o meu bebé, foi pedir o meu telemóvel. A enfermeira hesitou, mas eu insisti. Mal abri o ecrã, ignorei as dezenas de mensagens dos meus amigos e familiares. O que prendeu os meus olhos foi a transferência de 50.000 euros do meu marido, Diogo. A mensagem que a acompanhava era curta e fria: "Sofia, desculpa. A Clara precisava mais de mim. Usa este dinheiro para a tua recuperação." Clara. A minha meia-irmã. A mulher que Diogo escolheu em vez da sua esposa e do seu próprio filho. Liguei dezoito vezes, enquanto me afogava, e ele não atendeu. Mas teve tempo para cuidar da perna partida da Clara e do rato doente da sua cadela Trovão. Quando a minha mãe entrou, vermelha de choro, defendia-o com unhas e dentes, enquanto a traição dela me apunhalava. «Ele cometeu um erro! As pessoas cometem erros! O teu pai cometeu erros! Eu perdoei-lhe!» «Tu não me compares a ti», rosnei. «As tuas escolhas são tuas. As minhas são minhas.» Olhei para a foto que Clara tinha publicado no Instagram: o meu marido, de joelhos, a dar comida ao cão dela, Trovão, com a legenda: "O meu herói. Salvou-me a mim e ao Trovão. Não sei o que faria sem ti, Diogo. ❤️" A raiva fria e profunda consumiu-me. Diogo, os nossos laços estão quebrados e não me vou render. Eu quero o divórcio. E a minha vida.
