Livros e Histórias de Jing Yue Liu Guang
O Preço da Liberdade
A música eletrônica latejava, mas o barulho na minha cabeça era ensurdecedor. Sofia, minha namorada, o centro do meu universo e razão do meu sacrifício, ria abertamente nos braços do ex-namorado, Marcelo, um empresário famoso. A mão dele na cintura dela parecia um soco no meu estômago. Eu, Tiago, estava ali, sozinho, vendo os olhares maliciosos e os sussurros. A humilhação aquecia meu pescoço, mas Sofia apenas se inclinava mais em Marcelo, um desafio silencioso em seus olhos. "Relaxa, Tiago. Ela só está fazendo networking," disse um colega, mas minha calma era uma mentira que eu contava há anos, exausto de trabalhar como louco para sustentar o sonho dela e, principalmente, os tratamentos caríssimos de Lucas, meu irmão com uma condição rara. Ela sabia que cada luxo dela era dinheiro que podia ir para a saúde do meu irmão, e mesmo assim, não parava de pedir. Eu era o pilar. O provedor. O idiota. Sofia se aproximou, o rosto irritado. "O que foi essa sua cara? Tá todo mundo olhando pra gente." "Para você, Sofia. Estão olhando para você," eu disse, com uma calma assustadora. "Você está com ciúmes? De novo? Você não me apoia, Tiago. Nunca apoiou de verdade." Era a mesma chantagem, a culpa sempre minha. Minha paciência se esgotou. Naquele momento, algo dentro de mim, pela primeira vez, começou a mudar.
O Renascimento da Princesa
A dor lancinante e o frio mortal foram as últimas sensações, a imagem final o sorriso satisfeito de Clara, minha irmã adotiva, e o marido, o Quarto Príncipe Lucas, desviando o olhar. Fui traída e envenenada por eles, perdendo não só minha vida, mas também o bebê que carregava em meu ventre. Morri sozinha, em uma poça de sangue, enquanto eles, a víbora e o ambicioso, viam o caminho livre para sua felicidade e poder. Como pude ser tão cega? Como eles puderam agir com tamanha crueldade, apagando a vida que eu tanto ansiava? Mas a escuridão não me engoliu por completo: abri os olhos novamente, de volta ao meu próprio quarto, dias antes da tragédia. Eu tinha renascido. Desta vez, a marionete quebrada se tornaria a tecelã do seu próprio destino.
Renascer Pelo Meu Filho
A vida parecia normal, embora com as habituais nuances de um casamento e a maternidade. Até que numa fria madrugada, o grito do meu filho Leo rasgou o silêncio. Ele estava em convulsões, ardendo em febre. Em pânico, liguei para o meu marido, Miguel, implorando por ajuda para o hospital. Mas a resposta dele foi um choque: estava ocupado a consolar a sua meia-irmã, Sofia, porque o gato dela tinha fugido. "É só uma febre", disse ele, antes de desligar. Arrastado Leo sozinho para o hospital, descobri a verdade aterrorizante: meningite bacteriana. O meu filho podia ter morrido. Miguel só apareceu horas depois, casual, e ainda me acusou de exagerar. Como se não bastasse, a gestão do hospital logo exigiu um adiantamento. Fui verificar a nossa poupança de emergência, o dinheiro para o futuro do Leo. Vinte mil euros. Transferidos para a conta de Sofia Martins, para o "sonho" da sua loja de flores. A audácia dele cortou-me o ar. Ele roubara a segurança do nosso filho, que estava entre a vida e a morte, para financiar o capricho de uma mulher adulta! A voz dele ao telefone, defensiva, a dizer que eu podia "pedir dinheiro emprestado aos meus pais", foi a gota d' água. Como se a vida do meu filho fosse menos importante do que o "bem-estar mental" da sua meia-irmã privilegiada. A minha indignação era palpável. Naquele momento, enquanto Leo lutava pela vida, eu soube: o meu casamento tinha acabado. Agarrei nas joias de família que a minha avó me deu "para os dias de chuva" e vendi-as para pagar a conta do hospital. Depois, fiz a chamada que mudaria tudo. "Joana? Sou eu, Clara. Preciso da tua ajuda. Preciso do divórcio e de justiça." Esta não é apenas a história de um divórcio; é a saga de uma mãe que se recusa a ser vítima.
