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inha passado a tarde inteira revisando neuroanatomia, rabiscando mapas mentais sobre o sistema límbico e ouvindo música clássica ao fundo, como sempre fazia nas vésperas de provas
e papel, a única combinação que me
até ouvir aq
ai nunca batia a port
livros ainda pressionados contra o peito como
tenas de vidas com as próprias mãos, o pai que nunca havia erguido a voz em toda a minha existência, estava curvado, abatido, com os olhos vermelhos e a gravata pendendo torta no pescoço. Pare
recisamos
u estômago se apertar antes que qualquer palavra específica chegasse. Abaixei os livros no braço do sofá e fui até ele. Meu pai afundou na poltrona
infância, que me haviam ensinado a andar de bicicleta, que haviam assinado minha matrícula na faculdade de medicina c
eceu? Você tá
uele tipo de respiração que antecede revelações -,
ho um tumor no cérebro. Inoperável, segundo os médicos. - Ele soltou uma risada amarga, desprovida
o idioma português houvesse subitamente se tornado estrangeiro para mim. Tumor. Falido. Inoperável. Cada su
rei, a voz saindo num fio tão fi
sorte que já havia abandonado, sobre as fichas que se multiplicavam nas mesas erradas, sobre o desespero crescente de um homem que descobrira ter um tumor no cérebro e decidira, na sua loucura particular, que a fortuna poderia pagar a cont
ue só ele conseguia ver. - Mas eu já tinha perdido tudo. A dignidade... o futuro. E ele sabia disso
nça, a casa, os investimentos, os instrumentos cirúrgicos que guardava como se fossem extensões do pró
ê...
eceram uma saída. Disseram que, em troca, você se casaria com o filho do Don, Sebastian Mancini. As dívidas ser
ortantes como navalha passada devagar. - Como se eu foss
a fora. A imagem do meu pai destruído era algo que eu nunca havia imaginado ver. Aquele homem sempr
e trocado por f
ertencia a esse universo sombrio. - Ele hesitou, e naquela hesitação eu aprendi que o pior ainda estava por vir. - Foi aí que o Don acenou para um dos capangas, que jog
fotografias e histórias narradas com carinho e tristeza, havia sido filha de um mafioso? Minha identidade inteira estava
realidade, minha própria identidade estava desm
ça. Passos ecoaram pela casa, pesados, seguros, impossíveis de ignorar, e em segundo
curo que custava mais do que qualquer coisa que eu jamais possuíra. O olhar de aço, fixo em mim co
bastian Mancini. Estou aqui para l
tinha escolha ou opinião ou voz. Apenas levar, como se eu fo
eça. Silêncio. Culpa. Derrota. A pior
que consegui reunir, sentindo cada centímetro do meu corpo se enrijecer contra a situ
amente - mas não o suficiente. Em dois passos, estava próximo demais. Os dedos dele envolv
oz baixa e perigosa como o som que antecede uma tempes
ei me soltar, mas ele segurou fi
as bateram no chão frio do hall de entrada, e a dor mal doeu comparada à humilhação de
ou a arma do coldre e a apontou para a cabeça do meu pai com um movime
levantando de um sal
isse Sebastian, olhando para mim com a calma de um
ian, por
ois
or amargo da rendição preenchendo
ertificando-se de que minha rendição era real e não um prólogo para outra resistência. Depois ace
ar o que
a mochila. Havia coisas que não podiam esperar nem três segundos: eu precisava saber que ainda era capaz de me mover, de escolher, de agir, mesmo que a ação fosse apenas d
tempo que me res

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