asticamente naquela manhã fria de novembro, quando a tragédia bateu à porta da nossa casa. Perdi os meus pais em um acidente d
substituído por uma realidade mais dura: a necessidade de sobreviver. Miguel tinha apenas 8 anos e não fazia ideia de tudo o que estava prestes a mudar. Para ele, o mundo ainda era um lugar de d
erder. Eu nunca havia trabalhado antes, sempre fui uma boa estudante, uma filha dedicada, mas aquele momento me forçou a crescer de forma acelerada. A faculdade de Medicina, que
u tinha. As longas horas em pé, os sorrisos falsos e a pressão de vender mais do que o esperado eram apenas o começo. Miguel estava na escola o dia inteiro, mas eu não podia contar com ninguém para me ajudar a cuidar dele. Não havia avós, tios ou pa
com os sacrifícios, fiz questão de manter a esperança acesa para ele. As tardes eram sempre nossas. Ele fazia os deveres de casa enquanto eu preparava
abilidade de cuidar de Miguel e a dor que nunca me deixou. Senti-me sozinha em muitas noites, com o peso da vida sobre os meus ombros. Eu era um
i as decisões certas? Será que estava fazendo o suficiente por Miguel? E, a
nossos pais. Às vezes, eu o pegava olhando para fotos antigas, com um olhar perdido, como se tentasse entender a gravidade de tudo. Mas, ao mesmo tempo, ele era
com suas curvas inesperadas, me ensinou lições que eu nunca teria aprendido de outra forma. Quando perdi os m
hance de voltar à faculdade, talvez Miguel nunca recupere completamente a infância qu