Todos lá fora tentavam fugir após a chegada da mensagem de seu pai, que ordenou que toda a matilha escapasse imediatamente. A tentativa dele de derrubar o Rei Alfa tinha fracassado, e agora a fúria do Reino da Lua estava vindo atrás deles.
"Por favor...", ela sussurrou enquanto eles a puxavam pela escada.
O mundo lá fora era um caos - tochas ardendo, o fogo se espalhando pelas casas e os gritos e choros ecoando pela noite.
Ao ver que o sangue encharcava o chão e corpos estavam por toda parte, os olhos de Althea se arregalaram em pavor. A matilha do seu pai estava sendo exterminada.
Seu coração se apertou e sua respiração parou.
Ela não perguntou mais nada aos homens, pois a resposta já estava diante dela. No momento em que viu a destruição, soube que a matilha havia sido derrotada. Seu pai não se tornou o novo Rei Alfa, e agora era um traidor.
E por carregar o sangue dele, ela... estava sendo arrastada para morrer.
Althea fechou os olhos com força e seus ombros caíram. Enquanto Luna Meena e os outros escapavam, ela foi deixada para trás para enfrentar a fúria do Rei Alfa sozinha.
Eles a abandonaram, a enviando para um fim que não merecia.
Quando a arrastaram para o salão principal, o que ela viu a gelou dos pés à cabeça.
Todos que a abandonaram estavam lá... Luna Meena, as outras amantes do seu pai, seus meio-irmãos e até os empregados.
Todos de joelhos, com as cabeças baixas, aguardando.
De repente, um grito ecoou.
O corpo do seu meio-irmão caiu ao seu lado, uma poça de sangue se espalhando como tinta pelo chão de mármore, Althea engoliu o grito que estava prestes a soltar.
Um homem familiar deu um passo à frente, o rosto impassível e a lâmina pingando Sem sequer olhar para o corpo do irmão dela, limpou a espada na manga da camisa do morto.
"Mais alguém quer tentar fugir?", perguntou num tom calmo, como se estivesse falando sobre o tempo.
Quando ninguém se moveu, nem respirou, seu olhar pousou sobre ela. Ele não era apenas um guarda, mas, sem dúvida, um dos guerreiros mais confiáveis do Rei Alfa, a julgar pela sua armadura com detalhes prateados e pela força da sua presença.
Gama Simon...
Althea o reconheceu, pois ele havia visitado a matilha na semana passada para entregar uma mensagem do Rei Alfa.
"Ela é humana", disse ele, olhando para Althea. "Não precisa de prata."
Ainda assim, um guarda se aproximou para algemá-la.
"Mova-se, sangue traidor!", ele ordenou, a empurrando para frente.
Althea tropeçou, e seus olhos se ergueram por um segundo, encontrando os do guarda.
O pensamento doentio dele a atingiu como um tapa: 'Ela é a mais bonita das filhas do Alfa Cain. Matá-la seria um desperdício... Adoraria levá-la para minha cama primeiro. "Fico me perguntando qual é o gosto dela quando eu...'
Althea desviou o olhar rapidamente, enquanto seu estômago se revirava de náusea.
Ela odiava essa habilidade de ouvir e ler os pensamentos das pessoas através do contato visual, fosse um dom ou uma maldição. Embora isso já tivesse salvado sua vida mais de uma vez, algumas verdades eram repugnantes demais para serem suportadas.
"Vocês conhecem a lei", disse Gama Simon friamente, olhando para a matilha ajoelhada no salão. "O Alfa Cain cometeu traição, e sua linhagem deve pagar."
"Se o restante da matilha se ajoelhar, poderá ser poupado, mas a família do traidor..." Ele fez uma pausa. "Seu destino pertence ao Rei Alfa."
Todos sabiam o que isso significava. O Rei Alfa era implacável, e só havia um destino para a linhagem de Cain...
A MORTE.
Nesse momento...
"O Rei Alfa está chegando."
Um silêncio sepulcral tomou conta do lugar.
Erguendo a cabeça, Althea o viu... Gavriel Kingsley, o Rei Alfa do Continente da Lua.
Ele entrou no salão como uma tempestade em forma de homem. Alto e com ombros largos, cada traço dele irradiava autoridade. Seus olhos cinzentos, aguçados e predatórios, varriam o local, não perdendo nada de vista.
Althea engoliu em seco.
Embora ele não tivesse dito uma única palavra, o peso da sua presença caiu sobre todos no momento em que entrou. Seu poder não precisava de anúncio, pois já enchia o ar por si só.
Althea prendeu a respiração ao encontrar os olhos dele.
Não havia nada... Ela não leu ou ouviu nada naqueles olhos intimidadores.
Seu dom, que sempre funcionava, falhou pela primeira vez.
'Por que não consigo lê-lo?', ela se perguntou, seu coração disparado. Percebendo que estava o encarando por tempo demais, desviou o olhar rapidamente.
"Todos estão aqui, Rei Alfa", informou Gama Simon. "Exceto o Alfa Cain, seu filho Rett e seu Beta Lucio."
Gavriel não disse nada, apenas caminhou lentamente enquanto seus olhos frios observavam cada rosto, cada criança trêmula, cada mulher chorando. Então, parou diante de Luna Meena.
A mulher abaixou a cabeça rapidamente, batendo-a no chão. "Por favor, Rei Alfa, tenha misericórdia!" "Não sabíamos nada sobre a traição do Alfa Cain. Faremos qualquer coisa, por favor, nos poupe!"
Silêncio.
Então, a voz dele, profunda e fria, ecoou pelo salão: "Você estaria disposta a morrer para salvá-los?"
Enquanto o rosto de Luna Meena empalidecia, ofegos ecoaram, e então silêncio mais uma vez.
"A punição para a traição é a extinção da linhagem do traidor, mas concederei misericórdia se um de vocês assumir a culpa." Olhando para Luna Meena, Gavriel continuou: "Uma vida pelas outras, a sua."
Luna Meena hesitou. Seus lábios se entreabriram, mas nenhum som saiu.
Althea não precisava ler os pensamentos dela para saber o que ela estava pensando, mas acabou lendo...
'Por que eu deveria morrer? Sou a Luna, uma mulher nobre e importante. Aquela garota fraca é quem deveria ser a escolhida. Deixem ela morrer!'
Então, as palavras saíram da boca de Luna Meena, afiadas e cheias de veneno:
"Leve-a!", gritou, apontando para Althea. "O Alfa Cain ficará arrasado se ela morrer!"
Sua voz estava embargada pelo desespero ao continuar: "Mesmo que ele esteja escondido, matar sua filha favorita o destruirá! Ela não é nada, apenas uma humana fraca nascida de uma escrava! Ninguém se rebelará novamente por causa da morte dela. Mas o Alfa Cain? Ele sofrerá. Ele ama aquela bastarda mais do que a qualquer um de nós!"
Todos os olhos se voltavam Althea, paralisada.
"Tire a vida dela! Ela era a favorita de Cain! A razão pela qual ele perdeu a cabeça! Mate-a e acabe logo com isso!"