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A vida secreta da minha ex-esposa

A vida secreta da minha ex-esposa

5.0
2 Capítulo
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Dez anos como namorada, três como esposa... tudo terminou com o caso do marido com sua própria meia-irmã, a fria indiferença dos seus irmãos e um diagnóstico de adenocarcinoma em estágio II. Foi então que Roselyn finalmente viu a verdade: havia sido invisível numa casa que nunca foi seu lar. Cansada de implorar, escondeu o acordo de divórcio entre uma pilha de contratos comerciais que seu arrogante marido assinou sem ler, depois extorquiu o valor que merecia da sua sogra usando provas de fraude em paraísos fiscais. Enquanto achavam que ela estava desmoronando, Roselyn voltou para a empresa de diagnóstico de IA que havia cofundado e surpreendeu toda a equipe de engenharia ao resolver sozinha um problema que os havia paralisado por semanas, recuperando o brilho que havia sacrificado por um homem que nunca o valorizou. Quando se reencontraram, seu ex-marido rasgou o decreto de divórcio, seus olhos vermelhos de raiva. "Eu estava errado. Por favor, me aceite de volta. Eu te daria meu próprio estômago se pudesse." Ao mesmo tempo, seus irmãos, antes tão desdenhosos, imploraram por perdão e pelo seu dinheiro. Porém, o amor que chega tarde demais não tem valor, e ela não sentia mais nada. Enquanto eles imploravam, um homem se aproximou, a puxou para perto e ergueu a camisa com um sorriso. "Por que perder seu tempo com lixo? Olhe para mim."

Índice

A vida secreta da minha ex-esposa Capítulo 1 Contagem regressiva para a liberdade

Adenocarcinoma em estágio II.

O médico deslizou o relatório sobre a mesa de mogno. Impresso em preto na página branca, o diagnóstico parecia uma sentença de morte, e não uma informação médica.

Roselyn via os lábios dele se moverem, mas as palavras pareciam ficar presas no meio do caminho, sem nunca alcançá-la.

Lá em cima, as luzes fluorescentes zumbiam sem parar, um ruído fino que martelava por trás dos olhos.

O ar pareceu rarear e um suor frio brotou na nuca, escorrendo devagar pela coluna.

Não veio lágrima nenhuma. Em vez disso, ela cravou as unhas na palma da mão - tão fundo que deixou marcas em meia-lua na pele - e, mesmo assim, não sentiu nada.

"Quais são as chances?" Sua voz saiu neutra, quase mecânica.

O médico ergueu os olhos, surpreso com sua calma, e explicou com paciência as opções: a terapia-alvo, a possibilidade de cirurgia e os meses difíceis que viriam a seguir.

Roselyn ouviu tudo com uma expressão vazia, e no fim, só assentiu com a cabeça.

Pouco depois, ela saiu do hospital.

Mas assim que a porta pesada de vidro se fechou às suas costas, as pernas simplesmente cederam.

Ela escorregou pela parede fria e azulejada do corredor até os joelhos baterem no chão, o relatório apertado contra o peito.

Um nó apertou o estômago - e foi como se o próprio tumor quisesse lembrá-la de que estava ali, bem dentro dela.

Foi então que o celular vibrou dentro da bolsa, e ela o pegou com dedos trêmulos.

A mensagem era do marido, Adrian Riley: "Não me espere esta noite. Tenho uma reunião de negócios."

A mesma distância e indiferença de sempre.

Adrian era o herdeiro do Grupo Riley, à frente do maior império imobiliário da cidade.

Nos últimos três anos, Roselyn tinha sido a esposa discreta que vivia à sombra dele - e, apesar de tudo, ainda o amava.

Por ele, largara um futuro promissor na pesquisa médica com inteligência artificial. Passou a cuidar da casa, aprendeu a engolir o desprezo alheio, calada.

Hoje de manhã, porém, um perfume doce e estranho impregnava a gola da camisa dele. E, pouco depois, sua tela do celular acendeu com uma mensagem de um contato salvo com um único nome: Emma.

Emma Hudson, meia-irmã de Roselyn, fruto do caso do pai dela com Sophia Grant.

Sophia já havia destruído o casamento da mãe de Roselyn, muitos anos antes. Agora, a história se repetia, quase palavra por palavra.

Com aqueles olhos de inocente e aquela voz mansa, Emma tinha ido parar na cama de Adrian.

Roselyn continuava com os olhos fixos na mensagem quando outra onda de dor rasgou o estômago e se espalhou como fogo por todo o corpo.

Uma lágrima escapou, e ela a enxugou depressa, quase com raiva, e o rosto voltou a se fechar, duro como pedra.

Então, destravou o celular e pesquisou duas coisas: as regras de partilha de bens num divórcio, e o preço do tratamento-alvo para câncer de estômago.

Quarenta minutos depois, o carro entrava na garagem da mansão dos Riley.

O Aston Martin de Adrian não estava ali.

Ótimo. Ele não estava em casa.

Sem parar para pensar duas vezes, Roselyn foi direto ao escritório dele - tomado pelo cheiro de sempre, colônia cara misturada a couro - e dali seguiu direto ao cofre escondido atrás do quadro.

O código não era difícil de lembrar: o aniversário de Adrian.

Digitou-o, e um clique ecoou na fechadura.

De dentro, tirou uma pilha grossa de contratos de uma aquisição que ele vinha preparando há semanas. E, embaixo deles, achou o que procurava: o acordo pré-nupcial.

Levou-o até o triturador e o alimentou, folha por folha, até não sobrar nada.

Com o original destruído, imprimiu um modelo padrão de divórcio e preencheu, com cuidado, a seção de partilha de bens, usando exatamente o que tinha acabado de pesquisar.

Depois, fez uma cópia do diagnóstico de câncer.

Ambos os documentos - o acordo e o exame - foram deslizados bem no meio da pilha de contratos de aquisição.

Só então pegou o celular de novo e ligou para Jenifer Riley, mãe de Adrian, dona de fato das finanças da família.

Desde sempre, Jenifer a desprezava e a via como nada mais que uma mulher de olho no dinheiro dos Riley.

"O que você quer?", Jenifer perguntou, com impaciência na voz.

"Senhora Riley, estou ligando sobre meu divórcio com Adrian. Preciso que ele assine o acordo esta noite, e temos de discutir a indenização", disse Roselyn em tom calmo.

Silêncio do outro lado.

Um momento depois, Jenifer soltou uma risada abafada. Aos olhos dela, Roselyn finalmente tinha aceitado a realidade: nunca iria se encaixar na família Riley.

"Então você finalmente mostra quem realmente é. Venha à minha casa amanhã de manhã. Eu cuido do resto", disse ela, cortante.

"Estarei lá", respondeu Roselyn antes de desligar.

Olhou para os documentos espalhados sobre a mesa e um sorriso fino, amargo, cruzou o rosto.

A porta da frente só se abriu depois da meia-noite.

Adrian entrou afrouxando a gravata, o cheiro de álcool o acompanhando, misturado àquele perfume que já não era mais segredo.

Roselyn continuava sentada no sofá, e a pilha de papéis, sobre a mesa de centro.

"Por que ainda não foi dormir?", perguntou ele, a testa franzida, passando a mão pelos cabelos.

Não havia sombra de culpa em seu rosto - só irritação.

"Esses documentos precisam da sua assinatura. Sua mãe disse que são papéis da aquisição e que precisam ser resolvidos o quanto antes", disse Roselyn, empurrando os documentos na direção dele.

Adrian soltou um longo suspiro, ciente de que sua mãe e Roselyn nunca se deram bem.

Meteu a mão no bolso, tirou uma caneta e abriu o arquivo.

O coração de Roselyn martelava no peito, mas por fora ela não mostrava nada.

Com um dedo, apontou a última página. "Assine aqui e aqui."

Cansado, e convencido de que Roselyn não entendia nada de negócios, Adrian não perdeu tempo folheando centenas de páginas.

A caneta correu rápido sobre cada linha marcada - e, sem que ele percebesse, ali estava também a própria assinatura no divórcio, escondida no meio dos papéis da aquisição.

Ao terminar, deixou a caneta cair no chão.

"Você não parece bem. Roselyn, não vai começar a criar caso agora, vai? Estou exausto. Só quero descansar." Não havia preocupação, muito menos carinho - só crítica, disfarçada de cansaço.

Por três anos, Roselyn amara esse homem.

Agora não restava nada, só um fim que ela finalmente enxergava com clareza.

"Não é nada. É o estômago me incomodando de novo. Coisa antiga", disse Roselyn baixinho.

"Pede pra Donna te fazer uma sopa amanhã." E ele subiu, sem olhar para trás.

Sozinha, no escuro da sala, Roselyn apertou a pasta contra o peito.

Depois pegou o celular e escreveu para a melhor amiga, Nina Parker: "Estou com câncer. Vou me divorciar de Adrian."

Nina respondeu na hora: "O quê? Já estou indo!"

"Ainda preciso resolver algumas coisas. Vem amanhã", respondeu.

Levantou-se e subiu as escadas.

Diante do quarto do casal, a porta não estava totalmente fechada. De dentro, veio a voz de Adrian.

"Emma, durma bem."

Roselyn congelou. A dor torceu o estômago outra vez, mas nenhum som escapou dos lábios.

Sem sequer olhar para dentro, seguiu direto para o quarto de hóspedes - fazia meses que ela e Adrian não dividiam o mesmo espaço, de qualquer forma.

Trancou a porta, e guardou os documentos assinados na gaveta do criado-mudo.

Sob a luz fraca do abajur, pegou papel e caneta e começou a escrever: "Contagem regressiva para a liberdade. Assinar o acordo de divórcio. Garantir a indenização. Retomar minha carreira. Manter o diagnóstico em segredo."

Por fim, acrescentou uma última palavra: "Sobreviver."

Acontecesse o que acontecesse, ela precisava sobreviver.

Ninguém poderia saber a verdade. Que pensassem que ela só estava criando confusão.

Sem água, Roselyn engoliu dois analgésicos fortes.

Ainda vestida, deitou-se e ficou olhando para o teto até a luz do dia furar as cortinas.

De manhã, Adrian já estava na entrada, ajeitando o relógio de pulso. Quando ela desceu, ele mal olhou na direção dela - e saiu sem se virar uma única vez.

O acordo de divórcio já estava assinado. Em breve, tudo estaria resolvido.

Respirando fundo, Roselyn pegou o celular e ligou para Jenifer. "Chego em trinta minutos."

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