Como esse dia marcava o terceiro aniversário do namoro deles, ela planejava ir para casa, preparar o jantar e esperar por ele para comemorarem juntos. Também tinha preparado uma surpresa: um projeto que ele perseguia havia seis meses sem sucesso - e ela tinha acabado de garantir para ele.
Mas ele estava ocupado.
Nos últimos três anos, administrar o Grupo Harrison o mantinha sempre atolado, e a essa altura ela já tinha se acostumado com as ausências constantes.
Por isso, nem chegou a contar que tinha sido transferida temporariamente pro Hospital Meridian.
Quando Khloe estava prestes a sair, uma enfermeira do pronto-socorro entrou correndo no consultório. "Doutora Todd! Acabamos de receber uma emergência - ruptura do corpo lúteo com hemorragia interna. Ela está piorando rápido!"
O rosto de Khloe se fechou e ela se levantou num impulso.
Caminhando depressa ao lado da enfermeira, perguntou: "Alguma ideia do que causou isso? Trauma ou espontâneo?"
A enfermeira hesitou, claramente constrangida. "Uhm... aparentemente foi por... sexo muito violento."
Khloe não fez mais perguntas - só acelerou o passo.
Como ginecologista e obstetra, esse tipo de coisa não era novidade - já tinha atendido muito casal jovem cujo entusiasmo passou da conta.
Não era uma emergência incomum.
Mal entrou na sala de emergência, uma voz masculina irritada ecoou acima da correria. "Onde diabos está a médica? Ela mal está consciente de tanta dor! Alguém vai atendê-la ou não?"
Khloe parou no meio do caminho, uma dor aguda apertando-lhe o peito.
Seu olhar percorreu a equipe apressada e os equipamentos ao redor antes de se fixar no homem alto, de ombros largos, parado rígido ao lado da maca.
Era Vernon - o namorado que dissera que trabalharia até tarde e não tinha tempo para comemorar o aniversário deles.
Mas lá estava ele, em pânico, os olhos grudados na mulher que se contorcia na maca, mal consciente de tanta dor.
O quarto pareceu girar em volta de Khloe, e o barulho do pronto-socorro virou um zumbido agudo nos ouvidos dela.
"A médica chegou!", anunciou a enfermeira, alheia à cena.
Vernon se virou para a entrada, e seus olhos pousaram na mulher parada ali, de uniforme cirúrgico e máscara cobrindo o rosto.
Vendo que ela não se movia, o rosto dele escureceu de raiva. "O que está esperando? Salve ela! Se ela morrer, responsabilizarei todo este hospital!"
Khloe olhou para ele em silêncio. O homem que sempre a tratara com doçura e carinho agora exibia apenas pânico e fúria - tudo por causa de outra mulher.
Ficou imóvel, as unhas cravadas com dor nas palmas das mãos.
Sem tirar a máscara nem encará-lo, virou-se para a equipe e disse, com a voz neutra: "Tipagem e compatibilidade sanguínea. Sala de cirurgia um, agora."
Vernon franziu a testa.
Essa voz... parecia familiar.
Por um instante, a voz o fez pensar em Khloe, mas não fazia sentido, pois Khloe trabalhava no Centro de Saúde Evergreen - não tinha nada a ver com o Hospital Meridian.
A ideia se desfez tão depressa quanto veio. Toda a atenção dele voltou para Ruby Bailey, que jazia na maca, gemendo de dor.
Enquanto isso, a luz vermelha acima da porta da sala de cirurgia continuava acesa.
Sob as luzes da sala, Khloe respirou fundo e pegou o bisturi.
Uma hora se passou até a operação terminar com sucesso.
Khloe acompanhou a equipe que empurrava a maca pra fora da sala de cirurgia.
As portas mal se abriram quando ela viu Vernon pular do banco, correr até Ruby e beijar a bochecha dela.
"Ruby... você está bem agora", sussurrou ele. "Estou aqui e não vou a lugar algum."
Khloe lançou a Vernon um olhar frio, virou-se e foi embora.
De volta ao escritório, ela tirou o contrato da bolsa, rasgou-o em mil pedacinhos e jogou tudo no lixo.
Depois de trocar o uniforme, chamou um táxi e foi pra casa que ela e Vernon um dia sonharam dividir como marido e mulher.