Por isso, não fez sentido algum quando, seis meses atrás, ele jogou tudo para o alto.
"O que você disse?", perguntei naquele dia, a voz não passando de um sussurro.
Zane me encarou do outro lado da mesa do restaurante, com uma expressão indecifrável no rosto.
Eu tinha feito a reserva meses atrás para nosso aniversário de dez anos.
"Acho que devemos terminar", ele disse.
Meu coração começou a bater forte no peito. "Zane, isso é uma piada? Porque não tem graça nenhuma, amor."
"Não estou brincando, Emilia."
"Não, você só pode estar brincando!" Minha voz se alterou um pouco, e olhei ao redor, vendo que as pessoas estavam nos encarando.
Após respirar fundo, estendi a mão sobre a mesa para segurar a dele. Meu anel de noivado ainda estava no meu dedo. Nunca queria tirá-lo, nem mesmo agora.
"Acabamos de começar a planejar o casamento", eu disse, mantendo minha voz firme. "Sei que é estressante, mas é por isso que tenho feito a maior parte do trabalho."
Ele não respondeu.
"Se estiver muito complicado, podemos adiar", acrescentei, embora essas palavras fossem como veneno. Já havíamos adiado o casamento por anos, mas se fosse isso que nos manteria juntos, eu faria sem pensar duas vezes. "Não quero que se sinta pressionado."
Zane soltou um suspiro profundo. "Então não quer que me case com você?" Porque isso é algo que não quero fazer, Emilia."
Suas palavras foram como um tapa na cara, fazendo meu peito se apertar. "Você não está falando sério."
"Estou, sim." Sua voz era firme e fria, nada parecida com a do homem por quem me apaixonei. "Não te amo mais. Não te amo há anos."
Parei de respirar.
"Fiquei porque sei o quanto te devo", ele admitiu. "Mas não posso mais colocar você acima da minha felicidade."
"Relacionamentos passam por momentos difíceis ... Só precisamos trabalhar..."
Zane puxou sua mão da minha e passou os dedos pelos cabelos. Ele sempre foi bonito, com cabelos castanhos claros, olhos castanhos dourados e um sorriso que poderia fazer qualquer um se derreter.
Eu sabia que tinha sorte em tê-lo.
Afinal, ele poderia ter qualquer garota, mas me escolheu.
Isso tinha que significar alguma coisa, pois as pessoas não jogam dez anos fora assim.
Mas agora, ele não estava sorrindo para mim, e sim com uma carranca. Levantando-se, limpou a mão na coxa como se meu toque fosse algo sujo.
"Não quero trabalhar em nada. Não com você." Sua voz era monótona ao continuar: "Já se passaram dez anos, Emmy. Se estivéssemos destinados a ficar juntos, não teríamos nos casado até agora?"
O apelido me atingiu como um choque e olhei para o meu prato. "A única razão pela qual ainda não nos casamos é porque você precisou se concentrar na sua carreira..."
"Não", ele interrompeu num tom incisivo. "É porque nunca te vi como alguém com quem eu poderia me casar."
Suas palavras foram como um soco no estômago.
"Você pode ser o tipo de alguém, mas não o meu, Emilia. Além disso, a maioria dos atletas da NHL não se casa, mas você não entenderia isso."
Eu entendia, sim. Não queria passar a vida inteira sem ser esposa de alguém, mas por ele, eu teria tentado.
"Não faça um escândalo, Zane. Pode haver repórteres aqui."
Ele deu uma risadinha. "Você sempre foi uma boba, não é?"
Inclinando-se ligeiramente, acrescentou: "Mas eu te amava quando éramos mais jovens. Por isso, pode ficar com o anel de noivado. Não o quero de volta."
Após dizer isso, se virou para ir embora, mas olhou por cima do ombro. "Ah, e não podemos mais morar juntos. Você entende isso, né? Agora sou um homem livre e devo poder levar minhas ficantes para minha própria casa."
Com um sorriso de escárnio, avisou: "Deixe a chave no vaso de flores."
Então, ele foi embora, levando minha vida com ele.