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Livre enfim, intocável agora

Livre enfim, intocável agora

5.0
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2 Capítulo
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Por três anos, Natalie dedicou-se totalmente para ser esposa e mãe perfeita, acreditando que seu amor e esforço lhe garantiriam eventualmente um lugar nos corações do marido e filho. No entanto, seus sacrifícios foram retribuídos com traição. Aos olhos deles, ela não passava de uma mullher desprezível que usava sua fragilidade para manipular. Seu marido lhe virou as costas, seu filho a interpretou mal, e ela nunca se sentiu parte da família. Desesperada mas decidida, Natalie deixou sua antiga vida para trás. Quando aqueles dois ingratos imploraram por uma segunda chance, ela olhou para eles e disse: "Já é tarde demais."

Índice

Capítulo 1 Vamos terminar

No terceiro aniversário de casamento, Natalie Reed passou horas na cozinha preparando um jantar especial, e esperou pela volta do marido durante o dia todo.

Ela olhava para o celular várias vezes, vendo que as mensagens que enviou para Lucas Thorpe de tarde não haviam sido respondidas.

"A comida está pronta. Quando vai vir? Não estava de folga hoje?"

"Ainda está ocupado no escritório?"

"Se não der para almoçar, poderia vir para o jantar?"

Todas as mensagens continuavam lá - não lidas.

Natalie soltou um suspiro baixo, mas quando estava prestes a mandar outra, o nome de Lucas surgiu com uma nova mensagem: "Vou voltar hoje à noite. Há algo que quero conversar."

Essa única frase provocou uma onda de entusiasmo em Natalie, a fazendo se levantar da cadeira com um sorriso tão grande que era impossível esconder.

Será que ele ia falar sobre o aniversário de casamento deles?

Só de pensar na possibilidade de Lucas ter se lembrado da data, a deixou com uma esperança que ela não sentia há anos. Talvez, pela primeira vez, ele fosse lhe trazer um presente.

Apegada a essa esperança, Natalie esquentou o jantar novamente, desta vez com um humor bem melhor.

Quando o relógio marcou oito da noite, o som da risada feliz do seu filho ecoou pelo corredor.

Natalie não conseguiu deixar de sorrir ao correr para abrir a porta.

"Por que está chegando só agora, Cole?"

Colin Thorpe nem se deu ao trabalho de olhar para a mãe, passando por ela às pressas e subindo as escadas de dois em dois degraus.

Pega de surpresa com a atitude do filho, Natalie estendeu a mão para tentar segurá-lo. "Você ainda não jantou. Por que está com tanta pressa de subir?"

Foi então que Colin finalmente a notou parada na porta. Sem nem parar, ele afastou a mão dela.

"Mãe, me deixe em paz! Tenho uma coisa para fazer agora!"

A rispidez na voz do garoto atingiu Natalie mais do que ela gostaria de admitir, mas tentando não demonstrar sua decepção, forçou um sorriso.

"Preparei todos os seus pratos favoritos hoje. Tem até bolo de mirtilo para a sobremesa."

"Já disse que não estou com fome!", exclamou o menino.

Porém, no meio da escada, Colin parou de repente, se virando para olhá-la com um brilho de entusiasmo nos olhos. "Guarde o bolo. Quero levá-lo para Eliana amanhã. Mirtilo é o sabor favorito dela."

Eliana?

Será que era Eliana Wheeler, o primeiro amor de Lucas, a mulher que ele nunca superou?

O peito de Natalie se apertou com essa possibilidade, e ela começou a subir as escadas, pronta para fazer mais perguntas, mas Colin já havia desaparecido, correndo para o quarto sem se importar com as perguntas da mãe.

"Julissa!" A voz de Natalie estava trêmula ao chamar a empregada, que desejava escapar discretamente. "Você já sabia disso há algum tempo, não é? Quando Cole começou a passar um tempo com Eliana?"

Sabendo que não poderia mais esconder isso, Julissa Rowe soltou um suspiro cansado e abriu o jogo. "Foi há uns três meses. A senhorita Wheeler voltou ao país e encontrou Cole algumas vezes. Parece que o santo bateu logo de cara. Desde então, eles passeiam juntos com frequência."

A notícia foi um baque para Natalie, que fechou os olhos, tentando se acalmar enquanto a realidade se instalava.

"Então ele não ficou até tarde na escola hoje. Ele estava com Eliana, não estava?"

Julissa hesitou, depois assentiu com a cabeça. "Ele deveria ter voltado para casa depois da aula, mas a senhorita Wheeler o buscou na escola. Eu ia te contar, mas..."

A empregada olhava para Natalie, suas palavras se arrastando e com uma expressão de simpatia.

Uma suspeita repentina passou pela mente de Natalie, que falou antes que pudesse se conter: "Foi Lucas? Ele te pediu para esconder isso de mim?"

Após uma pausa, Julissa respondeu num tom gentil: "Ele só não queria te chatear."

Natalie dispensou a funcionária com um gesto cansado, sua voz fraca e quase derrotada. "Tudo bem. Pode ir."

Sem qualquer energia, ela se jogou no sofá e se afundou nas almofadas, sentindo como se cada gota de força tivesse a abandonado.

Eliana não teria encontrado Colin sozinha, já que ele era só uma criança - a menos que alguém o levasse.

Não havia dúvida: só Lucas poderia ter feito isso acontecer.

Nesse momento, um sentimento desconfortável de ironia se instalou. Por três meses, seu filho esteve se aproximando da antiga paixão de Lucas, enquanto ela permanecia completamente às escuras.

Que tola foi ela!

O tempo arrastou-se durante o devaneio de Natalie, até o som familiar da porta da frente romper o silêncio.

Lucas apareceu, com uma aparência tão cansada quanto o dia devia tê-lo deixado. Após largar sua pasta, ele tirou o casaco.

Normalmente, Natalie estaria ao seu lado, pronta para ajudá-lo a se acomodar. Mas, esta noite, ela não conseguiu se levantar do sofá.

Os olhos de Lucas percorreram o jantar intocado sobre a mesa, e a figura silenciosa da sua esposa chamou sua atenção, fazendo uma ruga aparecer entre suas sobrancelhas.

"Há algum motivo para toda essa comida? Esqueci de algo?"

Como Natalie não se deu ao trabalho de ajudá-lo com o casaco, Lucas o pendurou e afrouxou a gravata.

"Já jantei fora", acrescentou ele.

Natalie não respondeu, querendo perguntar se ele havia jantado com Eliana, mas as palavras ficaram presas na sua garganta, com medo de parecer mesquinha.

Lucas e Eliana se conheciam desde crianças, então era compreensível que ele jantasse com ela.

"Hoje é..."

Quando ela estava prestes a falar sobre o aniversário deles, Lucas colocou uma pasta sobre a mesa de centro.

"Assine. Já adiamos isso por tempo demais."

Duas palavras em negrito se destacavam na capa: Acordo de Divórcio.

O coração de Natalie disparou, e um zumbido encheu seus ouvidos, como se o mundo girasse enquanto sua visão ficava turva.

Essa não era a primeira vez que Lucas falava em terminar o casamento - três anos juntos, e toda vez que eles brigavam, a resposta dele era sempre a mesma: divórcio.

Ele pronunciava essa palavra como se não significasse nada, e toda vez, Natalie implorava-lhe outra chance apenas por pena.

Esse padrão se tornou a vida deles, se estendendo cada vez mais.

Natalie se convencia de que, se continuasse a amá-lo o suficiente, um dia ele finalmente a valorizaria e a amaria de volta. Mas, esta noite, ela percebeu que estava perseguindo uma ilusão.

Sua mão tremia enquanto ela pegava a caneta.

Os olhos de Lucas brilharam com um toque de surpresa, mas sua voz permanecia calma e firme. "Não vou te deixar sem nada. O dinheiro que te dei, a Mansão Bayshore, os carros são seus, e você ficará com cinco por cento das ações da empresa."

Natalie hesitou, os dedos afrouxando-se na caneta antes de pousá-la sobre a mesa e erguer os olhos.

"E Cole?" Ela olhou para o rosto de Lucas, desesperada por um sinal de bondade. "Ele pode ficar comigo?"

Essa pergunta apagou qualquer gentileza que restava nos olhos de Lucas, e suas palavras saíram afiadas. "Vai mesmo usar nosso filho para conseguir o que quer de novo?"

Uma onda de pavor gélido percorreu Natalie e a paralisou no lugar, pairando entre eles um silêncio pesado até que, com voz fraca e trêmula, ela conseguisse falar: "Do que está falando?"

Lucas soltou uma risada amarga, suas palavras carregadas de desprezo. "Acha mesmo que pode continuar com esse joguinho para sempre? Você usou Cole para me prender nesse casamento e ainda continua fazendo isso?"

Atônita, Natalie olhou para ele, lutando para encontrar as palavras. "Isso não é verdade. Nunca planejei nada disso. Fui incriminada..."

"Não se dê ao trabalho de se explicar." Lucas se sentou no sofá e acendeu um cigarro, a fumaça suavizando sua expressão para algo indecifrável. "Três anos vivendo no luxo e você ainda não está satisfeita?"

A fumaça pairava entre eles, mascarando a raiva no rosto dele.

Lágrimas ardiam nos olhos de Natalie enquanto ela se forçava a falar: "Tudo bem. Vamos acabar com isso. Espero que você encontre o que está procurando."

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