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NOSSO CLICHÊ
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Capítulo 1 1
Palavras: 2695    |    Lançado em: 10/07/2022

Razões pelas quais preciso parar de fantasiar sobre Linnea:

1. Ela é jovem demais para mim.

2. Ela é a babá da minha filha.

Eu poderia parar por aí, não? Já sou um clichê ambulante. O pai solteiro que gosta da babá. Mas, calma, que piora.

3. Ela é minha cunhada.

Minha esposa morreu quando nossa filha era bebê, e Linnea era apenas uma adolescente. Eu mal a conhecia. Quando meus sogros insistem que ela se mude para Seattle para ser a babá, depois de uma série de babás que não deram certo, acabo concordando, mas com relutância.

Eu não imaginava que ela seria uma loira gostosa com curvas pecaminosas, lábios beijáveis e sorriso tímido.

Linnea é perfeita para minha filha – divertida, paciente e gentil. Ela pode ser perfeita para mim também, mas não posso nem pensar nisso. Ela precisa viver sua própria vida, não se envolver com um cara que já vem com uma família.

Estar perto dela é um tipo especial de tortura. Não posso me apaixonar pela babá da minha filha.

Mas já pode ser tarde demais.

Dedicatória

Um grande cumprimento a todos os ótimos pais por aí. Continuem amando suas famílias, dando um bom exemplo e mostrando ao mundo o que significa ser um homem. 

Caleb:

Um fluxo interminável de pessoas desce a escada rolante, mas até agora nenhuma delas é a garota que estou esperando.

— Onde Linnea vai dormir? — Charlotte pergunta.

— Temos um quarto extra — eu digo. — Você sabe disso, anjinha.

Minha filha de seis anos está sentada no meu colo. Seu cabelo castanho está solto e percebo que está um pouco emaranhado nas costas. Eu deveria ter escovado novamente antes de sairmos de casa, mas não queria me atrasar.

De onde estamos sentados, temos uma boa visão da escada rolante e, dessa forma, é mais fácil manter Charlotte por perto. Eu mantenho um braço protetor em volta da cintura dela e tenho que me impedir de olhar de soslaio para as pessoas que passam. Aeroporto lotado é um daqueles lugares onde meus instintos de pai ficam aguçados.

— Eu sei, mas e se ela dormir comigo no meu quarto? — Charlotte pergunta.

— Ah, agora eu entendo por que você está perguntando. Acho que Linnea vai querer seu próprio quarto. — Eu faço cócegas na barriga dela e ela se contorce, rindo.

— Pare com isso, papai.

Meu telefone vibra no meu bolso, então o puxo para fora. É meu irmão, Alex.

— E aí cara.

— Ei, onde você está? — ele pergunta. — Estou na academia, pensei que jogaríamos hoje à noite.

— Não, eu estou no aeroporto. — Ajeito Charlotte no meu colo. — Desculpe, pensei ter te avisado que não conseguiria ir.

— Aeroporto? — ele pergunta. — O que está acontecendo?

Respiro fundo. Ainda não contei à minha família sobre a situação, já que tudo aconteceu tão rápido. Na semana passada, os avós de Charlotte estavam conversando com ela em uma ligação pelo Skype. A próxima coisa que sei é que estou sentado no aeroporto esperando um voo de Michigan.

— Estou esperando alguém… — digo. — Resumo da história, a irmã de Melanie, Linnea, está chegando.

— Oh, uau. Apenas Linnea, ou os pais de Melanie também estão vindo? — Alex pergunta.

— Não, Steve e Margo não estão vindo. — O que é um alívio.

Meu relacionamento com meus ex-sogros é tenso na melhor das hipóteses, sempre foi. Eles achavam que Melanie e eu éramos jovens demais para nos casar, tinham medo de que isso interferisse em sua carreira. Ainda estávamos na faculdade de medicina e éramos jovens. Mas quando Melanie decidia algo, nem mesmo seus pais conseguiam persuadi-la.

Depois que Melanie morreu – ela fora morta em um acidente de carro quando Charlotte era bebê – a opinião de seus pais sobre mim não melhorou. Eles não me culparam exatamente – e nem podiam, eu nem estava lá quando ela foi atingida – mas sei que ainda sentiam como se eu tivesse invadido a vida de Melanie e a feito dar as costas para eles. Talvez se ela não tivesse se casado comigo, não teria se mudado para Houston para fazer sua residência, e não estaria na estrada naquele dia.

— Ela está vindo visitar Charlotte? — Alex pergunta.

— Não exatamente. — Charlotte se senta no meu lado e eu me levanto, inclinando para que ainda possa vê-la e falar mais em particular. — Ela virá para ser babá de Charlotte.

— Ei, isso é ótimo.

— Sim — digo, e tenho certeza de que ele pode ouvir o ceticismo na minha voz. — Não foi bem minha ideia, mas não tive como evitar.

— Como não foi sua ideia? — ele pergunta.

— Steve e Margo insistiram — eu digo. — Acho que Charlotte contou a eles sobre o desastre com Brittany.

— Certo, Brittany esqueceu de pegar Charlotte na escola, não é? — ele pergunta.

— Sim — respondo. — Quando eu literalmente tinha minhas mãos dentro da cavidade abdominal de alguém. Graças a Deus por Kendra.

— Não brinca — diz ele.

Desde que voltamos para Seattle, minha irmã Kendra está lá para me socorrer quando eu precisava de alguém para cuidar de Charlotte, e isso aconteceu mais vezes do que posso contar. E, para ser justo, é por isso que nos mudamos para casa. Ser pai solteiro não é fácil, e minha agenda irregular como cirurgião da emergência torna ainda mais difícil. Eu queria estar mais perto da minha família e não há dúvida de que fora a coisa certa a fazer. Mas eu realmente preciso de uma babá, alguém em quem possa confiar para cuidar da minha garotinha. Até agora, não tive sorte em encontrar a pessoa certa.

— De qualquer forma, eles estavam no Skype com Charlotte há alguns dias atrás e ela disse que eles queriam conversar comigo. Eu costumo ficar fora do caminho, sabe? Deixo Charlotte falar com eles o tempo que quiser, mas não sei, foi estranho. Eu atendi e Margo disse que ela tinha uma solução para o meu problema com a babá.

— E estou vendo que a solução era Linnea — diz ele.

— Sim, ela se formou na faculdade há pouco tempo e está morando com eles. Realmente, eles não me deram muita escolha. Quando Margo tem uma ideia, é muito difícil dissuadi-la.

— Hum — diz Alex. — Ela cursou medicina, como Melanie?

— Não, ela é musicista, eu acho. Piano, talvez? De qualquer forma, ela está a caminho.

— Você parece incrivelmente desinteressado para um cara que realmente precisa de uma boa babá — diz ele. — Ou está preocupado que Linnea também decepcione?

Olho para Charlotte, mas ela está olhando para um dos livros que trouxe em sua pequena mochila rosa. Ainda assim, abaixo minha voz.

— Não é realmente isso. Ela pode se dar bem com Charlotte, eu não sei. Mas é isso, eu não sei. Quando me casei com Melanie, o resto da família dela morava em Michigan e não os víamos com muita frequência. Eu mal me lembro dessa garota. A última vez que a vi, ela era uma adolescente malhumorada que quase nunca falava, usava moletom com capuz grande demais e se sentava no canto, sem falar uma palavra. Era estranho.

— Sim, é estranho — diz ele.

— Eu acho que ela era apenas tímida ou algo assim. Mas, honestamente, essa é a última coisa que Charlotte precisa. Ela já é tão tímida, e preciso de alguém que a tire de sua concha. Ajude-a a aprender como conversar com as pessoas e fazer amigos. No momento, não acho que Charlotte tenha amigos na escola. Ela não fala com ninguém e a professora dela quer uma fazer reunião sobre isso.

— Uau, eu não sabia.

— Sim, a garotinha que vocês veem não é a mesma perto de outras pessoas — eu digo. — E está ficando pior. Ela sempre foi quieta, mas está completamente fechada na escola. Pelo menos, quando estava no jardim de infância, seguia as instruções. Agora, tem dias em que nem isso faz.

Olho para Charlotte novamente antes de continuar, mas ela ainda está lendo.

— De qualquer forma, a questão é que Charlotte precisa de uma babá que possa ajudá-la a se abrir, não de alguém que seja pior que ela socialmente — eu digo. — Além disso, que merda eu vou fazer com uma garota carrancuda que não fala? Parece que isso irá dificultar as coisas em vez de facilitar.

— Verdade, não é o ideal — diz Alex. — Sinto muito, cara.

— Vou lidar com isso — eu digo. — Acho que vou lhe dar algumas semanas e depois colocá-la de volta em um avião para Michigan. Mas já está na hora da sua partida, certo? Vá jogar. Weston já está aí?

— Sim, ele acabou de aparecer.

Weston é o nosso novo cunhado. Ele se casou com Kendra há alguns meses em uma cerimônia que surpreendeu a todos. Recebemos uma mensagem pedindo para encontrá-los no centro da cidade e, quando chegamos lá, eles estavam do lado de fora do cartório. Se fosse qualquer outra pessoa, eu diria que eram loucos já que não estavam juntos há muito tempo. Mas Weston é louco por ela, e Kendra sabe o que está fazendo.

— Ok, eu te vejo na próxima semana.

— Parece bom — diz Alex. — E boa sorte.

— Obrigado.

Desligo e verifico a hora antes de colocar meu telefone no bolso. Linnea pousou vinte minutos atrás, então ela deve estar saindo no desembarque em breve. Gostaria de me sentir melhor com a situação, mas não consigo ver como isso vai funcionar. A boa notícia é que Charlotte diz que conhece Linnea das suas ligações no Skype com os avós. Talvez elas realmente conversem. Mesmo se Brittany - a última babá que tentamos - não tivesse esquecido Charlotte na escola, ela não ficaria de qualquer maneira. Charlotte não falava com ela, mesmo depois de várias semanas.

Mas, como contei a Alex, lidarei com Linnea por algumas semanas e depois a mandarei de volta para casa. Os pais dela não poderão discutir se eu disser que demos uma chance e não deu certo. Não é minha responsabilidade garantir que a filha deles tenha um emprego.

Observo as pessoas descendo a escada rolante e procuro por Linnea. Não lembro exatamente como ela é, mas acho que a reconheceria. Talvez. Eu sei que ela não se parece em nada com Melanie. Mel tinha a pele morena e cabelos castanhos, que ela mantinha em um corte curto. Eu me lembro que Linnea é loira, mas poderia estar errado. Só me lembro de me perguntar a quem Linnea puxou; ela não se parecia com o resto da família.

De certa forma, fico feliz que Linnea não se pareça com a irmã. Estou preocupado que seja difícil o suficiente trazer para casa um lembrete do que perdi. A dor de perder Melanie é apenas uma tristeza em segundo plano, algo no passado. Honestamente, sinto mais falta dela por nossa filha do que por mim mesmo. Eu odeio que minha filhinha tenha que crescer sem mãe. Faço tudo o que posso para ser o que ela precisa, mas sei que, de certa forma, não consigo.

— Papai, que palavra é essa? — Charlotte pergunta.

Eu me inclino e olho para a página.

— Aqui diz bicicleta. O a no final faz com que o som do e seja mais longo.

Charlotte volta a ler, passando o dedo abaixo das palavras, e eu olho para a escada rolante novamente. Um par de salto alto vermelho chama minha atenção. Sigo as pernas às quais estão presos enquanto a mulher desce, meus olhos a observam. Puta merda.

Eu não deveria olhar, mas meu olhar sobe por um par de pernas bem torneadas para quadris redondos em uma saia cinza justa. Blusa branca colocada por dentro, exibindo uma cintura estreita. Então… oh Deus, ela é curvilínea. Essa blusa mal está segurando um par de peitos incríveis. Longos cabelos loiros, lábios carnudos. Essa mulher é tremendamente gostosa, ela é como uma pin-up, e eu não consigo tirar os olhos dela.

Ela sai da escada rolante, carregando uma bolsa de couro marrom e olha em volta. Eu tenho esse desejo insano de ir falar com ela antes que ela vá embora e eu nunca mais a veja.

Sua linda boca se abre em um sorriso largo e ela acena para alguém. Quase involuntariamente, olho por cima do ombro, me perguntando que bastardo sortudo está esperando por ela.

Charlotte pula da cadeira e corre. Eu me inclino para frente, tentando agarrá-la.

— Charlotte, onde você está…

A mulher se agacha na frente de Charlotte.

— Oi, anjinha!

Minha filha joga os braços em volta do pescoço da mulher e a abraça enquanto eu estou a alguns metros de distância, olhando para elas como um idiota.

Oh, puta merda. Aquela é Linnea?

A mulher que abraça minha filha não se parece em nada com a adolescente de quem me lembro. Quanto tempo faz desde que a vi pela última vez? Cinco anos? Alguém pode ter mudado tanto em tão pouco tempo?

O olhar de Linnea se levanta e ela sorri para mim. Ela aperta Charlotte, depois se levanta e pega a mão dela.

— Oi. — Ela tira o cabelo do rosto e ajusta a bolsa. — Faz algum tempo.

Diga alguma coisa, Caleb. Pare de encará-la como um esquisito.

— Sim, uau. Oi. Desculpe, eu não te reconheci.

Ela sorri novamente e seus olhos azuis brilham.

— Tudo bem. Eu reconheci a Charlotte. E você.

Meu cérebro não está conectando minhas lembranças de Linnea com a mulher deslumbrante em pé na minha frente. Impossível ser a mesma pessoa.

Mas Charlotte tem pavor de pessoas que não conhece e acabou de correr para os braços dessa mulher. Ela não faria isso se não a conhecesse. Acho que deveria estar prestando mais atenção às ligações do Skype. Teria visto Linnea na tela e ficado um pouco mais preparado. Ainda estou boquiaberto com ela como se tivesse esquecido como se fala.

— Então, eu tenho algumas malas — diz Linnea. Ela aponta para as esteiras de bagagem. — Talvez devêssemos ver se já apareceram?

— Certo. — Parece que eu saí de um transe. — Malas. OK. Anjinha, você pode pegar sua mochila?

— Acho que estão ali — diz ela e aponta para um dos monitores.

Esperamos alguns minutos para que as malas de Linnea circulem na esteira. Ela conversa com uma Charlotte incomumente animada, e tento não encarála. Ela se inclina para frente para olhar algo que Charlotte está segurando, e eu vejo por dentro da camisa dela. Oh meu Deus, esses peitos estão em um sutiã de renda branca. Afasto meus olhos rapidamente.

Puta merda, o que estou fazendo? Linnea tem 22 anos, acabou de sair da faculdade. Ela está aqui para cuidar da minha filha enquanto eu trabalho. E não vamos esquecer, ela é a irmã mais nova da minha esposa morta.

Mas meu pau não está interessado nos fatos e tenho que me ajustar quando as meninas não estão olhando.

Ela aponta para as malas quando dão a volta na esteira. As duas são grandes, mas isso faz sentido. Eu estava pensando que esse acordo seria temporário, mas o que realmente concordei quando conversei com os pais dela é que não teria uma data de término específica. O fato de ela ser linda de morrer não deveria me fazer repensar o meu plano de mandá-la de volta depois de algumas semanas. Mas que inferno.

Nós vamos em direção ao estacionamento, Linnea puxando uma de suas malas enquanto eu puxo a outra. Charlotte caminha ao lado dela, segurando sua mão. Eu tento me forçar a manter meus olhos longe da bunda dela, mas é quase impossível. A maneira como se move nessa saia... Ela olha para mim por cima do ombro e dá aquele sorriso doce como açúcar novamente. Eu sorrio de volta, mas engulo em seco quando ela se vira.

Estou com um grande, grande problema.

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