eu acordava e lembrava imediatamente que carregava uma criança dentro de mim. Em outros, passava horas trabalhando, organizando minhas coisas e resolvendo problemas sem pe
orização para agendar a retirada. O objeto está guardado em segurança. Sorri imediatamente. - Quando posso buscar? - Amanhã, às onze horas, seria possível? Olhei para o calendário. Estaria de folga. - Sim. Posso ir. - Perfeito. Basta procurar a recepção e informar seu nome. Agradeci e desliguei. Fiquei alguns segundos olhando para o celular. O colar estava lá. Depois de tantas semanas, finalmente poderia recuperá-lo. Lembrei de quando era criança e perguntava a Cecília sobre minha mãe biológica. Ela sempre dizia que não sabia nada, que o colar era apenas um objeto sem importância e que eu deveria parar de procurar respostas onde não existiam. Mas eu nunca consegui ignorá-lo. Aquela pequena estrela era tudo o que tinha. Talvez minha mãe tivesse escolhido aquele pingente para mim. Talvez tivesse sido um presente de alguém importante. Talvez fosse apenas uma lembrança sem significado especial. Eu não sabia. Mas queria guardá-lo. - Está sorrindo para o telefone? Levantei os olhos. Marina estava parada na porta. - Vou recuperar meu colar. Ela abriu um sorriso. - Finalmente! - Amanhã vou ao hotel buscar. - Quer que eu vá com você? Pensei um pouco. - Não precisa. Vou conseguir sozinha. Marina assentiu. - Então me avisa quando chegar. Prometi que avisaria. Naquele momento, eu ainda não imaginava que recuperar aquele objeto seria muito mais complicado do que simplesmente entrar no hotel, assinar um formulário e voltar para casa. Na manhã seguinte, escolhi uma roupa simples. Uma calça jeans, uma blusa clara e uma jaqueta leve. Prendi os cabelos e coloquei uma pequena bolsa no ombro. Antes de sair, olhei para o espelho. Minha aparência estava um pouco diferente. O rosto parecia mais cansado, e havia dias em que minha pele ficava mais sensível. Passei um hidratante e peguei as chaves. O caminho até o hotel foi tranquilo. Quando cheguei, senti uma espécie de aperto no peito. Era a mesma entrada de vidro. O mesmo lustre. A mesma cafeteria onde havia conversado com Dante. Parei por alguns segundos. Não sabia se estava nervosa por causa do colar ou porque uma parte de mim ainda esperava encontrá-lo. Respirei fundo e caminhei até a recepção. - Bom dia. Tenho um objeto para retirar. A funcionária sorriu. - Seu nome, por favor? - Helena Duarte. Ela digitou algumas informações. Depois, consultou outra tela. - Um momento, por gentileza. Esperei. A funcionária fez uma ligação interna e conversou em voz baixa com alguém. Quando desligou, voltou a olhar para mim. - O objeto está com a administração. Vou solicitar que alguém venha atendê-la. Franzi a testa. - Não poderia simplesmente me entregar? - Infelizmente, não. Como foi registrado diretamente pela administração, precisamos seguir o procedimento interno. Assenti. - Tudo bem. Ela pediu que eu aguardasse no sofá próximo à recepção. Sentei-me e coloquei a bolsa no colo. Observei o movimento do hotel. Algumas pessoas entravam e saíam. Um casal conversava perto do elevador, enquanto um funcionário organizava as malas de hóspedes. O lugar parecia exatamente igual àquela noite. Exceto por mim. Eu não era mais a mesma mulher que havia entrado ali carregando uma mala e tentando esconder o desespero. Agora tinha um emprego, um apartamento e uma criança a caminho. Ainda estava longe de ter uma vida perfeita. Mas estava tentando. Meu celular vibrou. Era uma mensagem de Marina. Já conseguiu? Respondi: Estou esperando. Acho que vão trazer. Ela enviou um coração. Sorri e guardei o aparelho. Foi quando ouvi uma voz masculina atrás de mim. - Senhorita Helena? Levantei os olhos. Um homem de terno escuro estava parado próximo à recepção. - Sim? - Poderia me acompanhar, por favor? Levantei-me. - Claro. Ele me conduziu até um pequeno escritório administrativo. Havia uma mesa, duas poltronas e uma janela com vista para a rua. - Pode aguardar aqui. O responsável já virá atendê-la. Agradeci. Quando ele saiu, fiquei observando os objetos sobre a mesa. Havia algumas pastas, um computador e uma fotografia emoldurada. Não consegui identificar quem aparecia nela. Depois de alguns minutos, ouvi passos no corredor. A maçaneta girou. E uma voz masculina, que eu não ouvia havia semanas, pronunciou meu nome. - Helena? Meu corpo inteiro ficou imóvel. Levantei os olhos. Dante estava parado à porta. Por alguns segundos, nenhum de nós disse nada. Ele parecia exatamente como eu lembrava. Cabelos escuros, expressão séria, camisa social impecavelmente alinhada e aquele olhar que parecia perceber muito mais do que eu gostaria. Mas havia uma diferença. Dessa vez, ele não era um desconhecido. E eu não estava preparada para encontrá-lo. - Dante... - murmurei. Ele entrou lentamente. Seus olhos passaram pelo meu rosto, como se estivesse confirmando que realmente era eu. - Pensei que nunca mais fosse ver você. Engoli em seco. - Eu não sabia que você estaria aqui. Ele olhou para a cadeira diante da mesa. - Posso me sentar? Assenti

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