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UE BRINCAVA DE DEUS
cia bonito para quem ol
que acha que a cidade é s
que cospe promessa barata
creditar que um cartão-postal escon
r lá no fundo refletindo o primeiro vermelho-sangue do sol, os prédios espelhados brilhando como lâminas de bisturi recém-afiadas, e as aveni
i. O Rio não era uma cidade de verdade. Era um animal ferido, com as vísceras ex
o. O caos é o me
maça subindo lenta da Avenida Brasil, bem lá ao longe. Caminhões carregados, ônibus superlotados, marmiteiros correndo atrás de
. Gado
ordem social nasce de uma violência muito bem executada. A única diferença entre mim e o resto dos homens que us
a casa de família. Mármore italiano cobrindo o chão, esculturas importadas de leilões clandestinos, quadros de artistas renomados lavados com o dinheiro de gente que já tava enterrada a sete palmos. Nada ali dentr
ferida aberta na pele da metrópole. Casas de tijolo baiano empilhadas umas sobre as outras, emaranhados de gatos elétricos cruzando o céu cinzento, becos estreitos que pareciam veiantal de entender a engrenagem. Ali existia ordem. Uma ordem brutal, ci
viatura Bravo descaracterizada cortava a avenida em direção ao acesso principal do morro. Reconheci imediatamente
an
. Ah... Diana. Minha melhor policial, minha mente mais brilhante na Narcóti
mesmo de a mente dela conseguir formular uma explicação lógica. Gostava disso nela. Diana não era só uma policial treinada em cartilha de academia; ela sobrevivia pelas rachaduras do sistema. Enquant
rojão estourando no céu pra avisar a chegada da polícia. Nenhum radinho chiando nas
ca receberam o triplo do lucro do dia pra desaparecerem por algumas horas com o bando. Em troca daquele espaço vazio, meus homens assumiram cada laje estratégica. Homens que não usavam farda, mas roupas táticas pretas.
ÍCIO NO
minha cintura chiu, que
amento. Iniciando incur
traço da personalidade dela, pra perceber o detalhe escondido na respiração curta que ela tentava disfarçar. Ela estava de
, do playboy da Zona Sul ao morador do subúrbio, acreditava que eu era um símbolo de integridade. Dr. Marco. O Intocável. O homem que enfrentava o crime organizado sem dar um passo atrás. A mídia me
ros. E eu? Eu já tinha aceitado a minha natureza de predador fazia muito tempo. A verdade nua e crua é simples: a justiça nunca passou de uma utopia pra consolar fraco.
binóculo, sentindo o
ro da cobertura, quase num tom carinhoso. - A curiosi
Depois disso, o inferno desceu o morro sem pedir licença. Rajadas de fuzil ecoaram morro acima como uma tempestade de aço puro. O vidro blindado da Bravo estilhaçou sob o impacto sequeoço. Limpo. O sangue dele espirrou na lataria branca d
h, a Diana era u
a no meio do movimento de queda, buscando a origem do fogo. Instinto puro. Uma predadora nata nascida no meio do lixo e do chumbo. Meu peito aqueceu num prazer doentio e estranho enquanto eu assistia àquela cena pela
logia da Polícia Federal jamais conseguiria interceptar ou grampear. Minha voz s
suspensa devido ao risco iminente de explosão em depósito de gás clandestino. Todas as viaturas de apoio devem recuar e aguardar n
o que o verdadeiro poder fazia com os homens. Eu não precisava gritar, não precisava puxar o gatilho no meio da rua, não p
E DA E
lma. Ela pegou o rádio dela, ouviu a minha ordem de suspensão, ouviu o bloqueio do reforço. Ficou totalmente imóvel por
aição. A expressão do rosto dela endureceu de uma forma que chegava a ser bonita, quase artística. O maxilar travado, os olhos frios como duas pedras de gelo, o corpo inteiro assimilando qu
ada pelos bueiros. Mas a Diana sempre carregou o defeito fatal de todos os idealistas q
saco de batatas. Outro tiro ritmado, sem errar a massa. O segundo homem despencou no beco. O terceiro tentou reposicionar a mira do fuzil
um tesão psicológico indescritível. - Mostra pra mim
ava de ser uma funcionária do Estado, deixava de ser uma policial caxias guiada por livrinho de regras. Ela estava nascendo para algo muito mais real e poderoso. O ódio. O ódio verdadeiro
ntre as vielas e os barracos do Complexo da Caveira, mas o volume tava diminuindo. Meus homens tavam recuando conforme o plano. Eu sabia que ela sobreviveria. Diana conhecia aqueles becos como conhecia a própria respiração, ela
cada de mármore da cozinha. Era hora de vestir a min
A DE MOE
a como um animal faminto pronto para a caça urbana. Blindagem nível máximo, motor modificado para interceptação, documentação fantasma totalmente limpa nos registros do Detran. O dinheiro ens criptografadas de aplicativos estrangeiros. Deputados estaduais nervosos, empresários que financiavam as campanhas da cúpula, secretários de segurança pública
pelos cantos e pedindo paz, mas bastava a cidade ameaçar explodir ou o lucro deles correr risco que corriam pro meu gabinete
s espelhados da orla. O Rio de Janeiro era lindo visto de longe. Lindo e reluzent
reditava piamente na palavra "justiça". Jovem, extremamente inteligente, ambiciosa ao extremo. Perigosa para o sistema. Eu reconheci aquele olhar na mesma hora em que apertei a mão dela. Porque muitos anos antes, antes de eu enterrar o meu pai e ver
nguagem corporal do criminoso, como detectar uma mentira sutil pelo movimento das mãos ou pela dilatação da pupila. Ensinei a garota a sobreviver na guerra invisí
cocaína nos depósitos da delegacia. Operações que geravam lucro excessivo pra empresários da Zona Oeste. Armas confiscadas que sumiam do sistema e apareciam nas mãos de milicianos na semana seguinte. Ela tava chegand
is idiotas soubessem que metade da munição de fuzil que tava sendo disparada contra os colegas de farda deles naquela mesma manhã na Caveira tinha saído diretamente dos meus depósitos clandestinos na Baixada... Talvez eles ainda p
DA CIDADE
va destruindo os meus homens de aluguel com a precisão de um cirurgião de guerra. Meu peito vibrou num praze
alfanumérico do aparelho, direto pro meu cont
sentando quadro de instabilidade mental grave pós-trauma e
da automaticamente. Fi
rancar a credibilidade dela perante o juiz. Se a Diana sobrevivesse ao tiroteio no Complexo da Caveira e conseguisse descer o morro caminhando, ela en
a manhã. Apagariam os registros de áudio do servidor central. A máquina inteira do Estado ia pisar em cima daquela inspetora até que ninguém mais no tribunal soubesse distinguir o que era verdade do que era lou
i a eletricidade da tensão flutuando no ar condicionado do saguão. Rádios disparando chamadas frenéticas na frequência aberta. Agentes correndo de um lado p
próprios pés na minha direção. O rosto suado, a cami
vo foi emboscada na subida da Caveira! A inspetora Diana
os líderes psicopatas usam quando precisam transmitir uma falsa sensação de segurança para os fracos
. Já estou coordenando o cerco de contenção pesso
um copo d'água sempre soa dez vezes mais
o comboio do CORE com os blindados agora mesmo
rou uma armadilha tática de guerrilha urbana. Se mandarmos o comboio agora, sem inteligência de campo, nós apenas multiplicamcovarde. Mas então ele olhou bem para os meus olhos vazios. E, como todos os outros medíocres daquela repartição, ele apena
isível do meu terno. - Quero todas as comunicações daquela área filtradas direto pelo meu term
delegado. Im
TO DA I
brando o ruído do corredor. Finalmente sozinho. Afrouxei o nó da minha gravata de seda lentamente enquanto obs
cia, três anos atrás. Ela parecia tão mais jovem ali, com um sorriso discreto no canto dos lábios e o orgulho estampado na postura ereta, segurando o diplomsuados. Fiquei olhando para aquele rosto jovem por alguns segundos, aprecia
i o porta-retratos de cabeça para baixo contra a
l, inspetora... - suss
cura cotidiana. Gente comum correndo pro trabalho pra não ser demitida. Crianças entrando chorando em escola pública sem estrutura. Casais brigando por
a mulher de distintivo descobria da pior forma possível que o homem que ela tinha como pai, como men
idar. Ela ia sobreviver àquela manhã de chumbo. Eu sabia disso. E quando ela conseguisse sair daquela favela, ela viria atrás de mim com tudo o que tinha no peito. Viria armada co
linhas morais que ela jurou nunca cruzar na vida. Ela teria que mentir pro juiz. Teria que manipular provas pra conseguir mandado. Teria que torturar informante no e
ro já tinha sido iniciada comsse sempre foi o meu verdadeiro experimento social. Não era pelo controle do tráfico de armas, não era pelos milhões lavados em contas de fac
limpa quando é jogado sem corda no fundo do inferno que eu gerencio? A maioria quebr
meu sangue. E isso fazia dela o meu projeto mais perigoso e espetacular. Ela talvez sobrevivesse tempo suficiente pr
Uma nova notificação criptografada piscou na tela e
apou da zona vermelha pelos fundos d
brancos e alinhados. Claro que ela tinha escapado.
ava intensamente sob o sol forte das dez da manhã, parecendo uma joia amaldiçoada flutuando no oceano de lama
o meu govern
em aguenta o tranco, Diana... - murmurei para o
vencendo o mal. Iam sobrar apenas dois predadores de elite usando máscaras de autoridade diferentes, disputando quem morde mais forte no escuro da lei. E eu mal podia
les, dá um terno de grife, coloca uma estrela no peito e chama eles de Excelência. E a

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