nto de Vi
do po
a das E
ça - ora um azul infinito, ora um cinza carregado que desabava em chuva forte, fazendo o telhado de amianto cantar uma melodia metálica e constante. Lembro-me do som d
pelo cal e pelo esforço, com um jeito de resolver os problemas da vida sem gastar uma única palavra. Tínhamos pouco, mas tudo possuía um peso de ouro porque era nosso: o cachorro vira-lata que guardava o portã
ecia, transformava o varal de roupas em uma tenda árabe e o corredor estreito da casa em uma passarela de alta costura. Minha mãe ria da minha obsessão por ordem. "Essa menina nasceu com uma agenda no sangue",
o do Fogo
linha do cabelo. Uma casquinha teimosa que ardia como se um sol malvado tivesse decidido estacionar ali. "Deve ser o shampoo novo", opinou a
ueimação viv
escondidos, baixei a franja para cobrir a testa e forcei risadas altas. Mas o corpo não aceita mentiras por muito tem
a para secar. No posto de saúde, a ignorância vestida de jaleco disse que era "alergia". Prescreveram pomadas que apenas alimentavam o incêndio. Na escola, o
de quem lida com números, não com gente. O dermatologista mal me olhou nos olhos antes de anunciar a biópsia. "Rapidinho", ele prometeu. A agulha entro
ião sem
cio, frio como o aço. A médica suspir
go foliác
eus ossos. Meu pai fixou o olhar em um ponto morto no c
o confunde a desmogleína-1, a proteína que mantém as células da sua pele unidas, e com
lo. Não havia vacina, nem promessas fáceis. O que havia era prednisona - que me deu insônia, fome voragem e um rosto de "lua cheia" que
lgodão e a odiar as etiquetas das roupas, que agora pareciam serras elétricas contra a minha pe
: O Exces
no olhar da minha mãe toda vez que uma gaze saía manchada de soro. Percebia o peso da pergunta "Está melhor?" do meu pai, que carregava uma culpa que não era dele. Eles venderam tudo o que podiam
a de libertá-los. Não foi uma b
al. Consegui um curso de secretar
i o mundo deles estremecer. Meu pai tento
as por excesso dele. Eu não quero que vocês v
om uma luz fria que me deixava pálida, mas ali eu era apenas Clara Lemos, a estagiária eficiente. Montei minha fortaleza de soli
le e o No
utras estagiárias fofocavam sobre os chefes, eu mapeava as necessidades antes que elas fossem ditas. Organizava agendas como quem organiza a
u registrava tudo em planilhas, identificava gatilhos, fotografava lesõe
é com movimentos precisos, ouvi o sobreno
eligioso que o poder impõe - tomou conta da sala envidraçada. Guardei o nome como se fosse uma senha para um cofre proibido. Eu ainda não sabia que M
lençóis de mil fios não por luxo, mas porque minha pele exigia respeito. Aprendi que o amor verdade
is alto da Faria Lima, com o rímel intacto e a dor sob controle. Eu era suficiente. E o mundo de vidr

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