ha poucos dias para estar junto aos meus familiares, não podia perder tempo se quisesse cons
irmão. Dirigimo-nos para o quintal da casa deles. Era um lugar bonito, com vários pés de açaí. Sentamo-nos em duas cadeiras, uma de frente para a outra. Liguei o celular e p
come
a minha história. Quero contá-la para que outras mulheres não com
medo ou vergonha. Meu coração acelerou, ainda bem que eu
sse
e, por diversas vezes, fui vítima de sua truculência. Muitas vezes deixava faltar com
cidade de Ourém. Morávamos em uma casa de
mulher: maquiagem, roupa nova, sapatos. As roupas que usava eram da minh
e 12 anos. Não há como chamar de mulher alguém com tão pouca idade. As bonecas ainda ontem
cida a vila: Riacho. Achei bastante curioso, a vila tinha uma leve inclinação para onde passava o pequeno rio. E a casa, como ficava
onde sempre ia pedir comida ou algum trabalho para conseguir comprar algo p
todos o chamavam. Mas não era a família do do
ia ter liberdade, sentir-me e ser, de fato, uma mulher. Tinha vontade de me maquiar, de
sobre o grande desejo de poder ler um texto. E, apesar dessa vontade, não se
que lê-la para ela. Não terei um retorno fiel; não saberei se, em
usa breve. O olhar, carregado de tristeza, parecia se perder por um instante. Vez ou outra, limpava a garganta com um pigarro,
ncer de que, para sair daquela situação, só ha
u que acabou
do meu pai. Vivia triste, abatida. Queria ter coisas de mulher. Desejava uma roupa nova, um cal
ila contarem que, antigamente - não mais que cem anos atrás -, as
conheci muitas mulheres - inclusive jovens - com mais de dois cursos superiore
capazes de separar gerações
ido me daria. Foi por isso que, aos poucos, deixei-me levar pelas investidas do rapaz,
itariam aquele relacionamento. A única solução foi n
entiria melhor, mais acolhida, se ti
as, era uma família exemplar. De vez em quando, ajudavam lá em casa. O vaqueiro era o velho
oucos amigos. Mesmo sorrindo, parecia estar zangada. Sua voz era grossa, mais g
relato me é contado -, havia um costume curioso: ao se aproximar do igarapé (ou "balneário"), a pessoa gritava: - Lá vai homem! E aguarda
go de ficção científica", e poço no quintal, privilégio de poucos. Ao ouvir o
ou quem estava chegando em dúvida por alguns segundos - o suficiente par
vegetação densa dificultava a visão de quem estava dentro. Trat
m ou mulher? - pe
as, pela voz, está que
iram no
vai h
veio a resposta,
unindo coragem mais na c
de foi rapidamente substituída por surpresa: pe
s! Não ouviram que eu
ata, cada um correndo mais do que o outro, como se o
sete anos. Tinha altura mediana, era moreno, de nariz meio achatado e cabelo crespo. Vestia-se de f
a proteção da mãe dele. Certa vez, houve uma festa na vila. A noite
cidade de Ourém. É uma comunidade rural, com ruas de barro batido e ruas de
tin
, a partir daquele dia passamos a morar nas dependências da fazenda, em uma casinha simples. Não tínhamos quase nada, mas acreditei que as coisas mudariam com o
nteceu nesse curto tempo, pois estava apaixonada. Passou a não me tratar mais com re
a coisa boa for ilusória, talvez! Ela retrucou e acrescentou. Uma
es eu apanhava sem motivo algum. Sem abrir a boca para nada, chegava e me esbofeteava. Batia co
s no meio de uma tempestade, vem os trovões, os relâmpagos, não sabemos onde procurar proteção. Meu mundo desabou. Mesmo assi
e deu nada. Continuei usando as roupas já surradas da minha mãe. E, apesar de tudo aqui
a não era, pois estava ali, viva e bem no novo casamento. O dia estava lindo. Todavia, era a hora das trevas - depois do almoço. Estávamos debaixo de um
la primeira vez. Eu estava jantando quando meu irmão chegou, segurando-a pe
mos sobre ela - apenas que vinha de outra vila. A casa onde passaram a viver tinha um único cômodo
sete filhos, mas apenas cinco haviam sobrevivido. Como os outros do
trazendo os filhos - todos meninos. Muitos comentavam sobre a loucura do
Era o ex-marido dela, conhecido por ser extremamente violento. A vila inteira se revol
as logo fomos interrompidos novamente: a memória do celular h
- e, naquele instante, entendi que

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