img A mulher que perdeu o sorriso  /  Capítulo 3 Em momentos de fragilidade, somos presas fáceis | 30.00%
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Capítulo 3 Em momentos de fragilidade, somos presas fáceis

Palavras: 2115    |    Lançado em: 09/02/2021

ha poucos dias para estar junto aos meus familiares, não podia perder tempo se quisesse cons

irmão. Dirigimo-nos para o quintal da casa deles. Era um lugar bonito, com vários pés de açaí. Sentamo-nos em duas cadeiras, uma de frente para a outra. Liguei o celular e p

come

a minha história. Quero contá-la para que outras mulheres não com

medo ou vergonha. Meu coração acelerou, ainda bem que eu

sse

e, por diversas vezes, fui vítima de sua truculência. Muitas vezes deixava faltar com

cidade de Ourém. Morávamos em uma casa de

mulher: maquiagem, roupa nova, sapatos. As roupas que usava eram da minh

e 12 anos. Não há como chamar de mulher alguém com tão pouca idade. As bonecas ainda ontem

cida a vila: Riacho. Achei bastante curioso, a vila tinha uma leve inclinação para onde passava o pequeno rio. E a casa, como ficava

onde sempre ia pedir comida ou algum trabalho para conseguir comprar algo p

todos o chamavam. Mas não era a família do do

ia ter liberdade, sentir-me e ser, de fato, uma mulher. Tinha vontade de me maquiar, de

sobre o grande desejo de poder ler um texto. E, apesar dessa vontade, não se

que lê-la para ela. Não terei um retorno fiel; não saberei se, em

usa breve. O olhar, carregado de tristeza, parecia se perder por um instante. Vez ou outra, limpava a garganta com um pigarro,

ncer de que, para sair daquela situação, só ha

u que acabou

do meu pai. Vivia triste, abatida. Queria ter coisas de mulher. Desejava uma roupa nova, um cal

ila contarem que, antigamente - não mais que cem anos atrás -, as

conheci muitas mulheres - inclusive jovens - com mais de dois cursos superiore

capazes de separar gerações

ido me daria. Foi por isso que, aos poucos, deixei-me levar pelas investidas do rapaz,

itariam aquele relacionamento. A única solução foi n

entiria melhor, mais acolhida, se ti

as, era uma família exemplar. De vez em quando, ajudavam lá em casa. O vaqueiro era o velho

oucos amigos. Mesmo sorrindo, parecia estar zangada. Sua voz era grossa, mais g

relato me é contado -, havia um costume curioso: ao se aproximar do igarapé (ou "balneário"), a pessoa gritava: - Lá vai homem! E aguarda

go de ficção científica", e poço no quintal, privilégio de poucos. Ao ouvir o

ou quem estava chegando em dúvida por alguns segundos - o suficiente par

vegetação densa dificultava a visão de quem estava dentro. Trat

m ou mulher? - pe

as, pela voz, está que

iram no

vai h

veio a resposta,

unindo coragem mais na c

de foi rapidamente substituída por surpresa: pe

s! Não ouviram que eu

ata, cada um correndo mais do que o outro, como se o

sete anos. Tinha altura mediana, era moreno, de nariz meio achatado e cabelo crespo. Vestia-se de f

a proteção da mãe dele. Certa vez, houve uma festa na vila. A noite

cidade de Ourém. É uma comunidade rural, com ruas de barro batido e ruas de

tin

, a partir daquele dia passamos a morar nas dependências da fazenda, em uma casinha simples. Não tínhamos quase nada, mas acreditei que as coisas mudariam com o

nteceu nesse curto tempo, pois estava apaixonada. Passou a não me tratar mais com re

a coisa boa for ilusória, talvez! Ela retrucou e acrescentou. Uma

es eu apanhava sem motivo algum. Sem abrir a boca para nada, chegava e me esbofeteava. Batia co

s no meio de uma tempestade, vem os trovões, os relâmpagos, não sabemos onde procurar proteção. Meu mundo desabou. Mesmo assi

e deu nada. Continuei usando as roupas já surradas da minha mãe. E, apesar de tudo aqui

a não era, pois estava ali, viva e bem no novo casamento. O dia estava lindo. Todavia, era a hora das trevas - depois do almoço. Estávamos debaixo de um

la primeira vez. Eu estava jantando quando meu irmão chegou, segurando-a pe

mos sobre ela - apenas que vinha de outra vila. A casa onde passaram a viver tinha um único cômodo

sete filhos, mas apenas cinco haviam sobrevivido. Como os outros do

trazendo os filhos - todos meninos. Muitos comentavam sobre a loucura do

Era o ex-marido dela, conhecido por ser extremamente violento. A vila inteira se revol

as logo fomos interrompidos novamente: a memória do celular h

- e, naquele instante, entendi que

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