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Capítulo 1 O recomeço (Parte 1)
Palavras: 1229    |    Lançado em: 22/04/2022

POV - ALANA

Brasil, Rio de Janeiro, dias atuais.

Meu nome é Alana Borges, tenho 29 anos e sou filha única. Meus amigos mais próximos me chamam de Ana. Sou natural do estado de Minas Gerais, mas atualmente, estou morando no Rio de Janeiro. Grande parte dos meus familiares permanecem morando em Minas, inclusive minha mãe. Perdi meu pai quando eu tinha apenas 16 anos, e posso dizer com toda certeza do mundo, que aquela foi a maior perda que já tive em toda minha vida.

Finalmente tive alguns dias de paz, após o término de um relacionamento abusivo e tóxico. Posso dizer que hoje me sinto livre de verdade. Mudei de endereço, telefone, e se pudesse, mudaria até meu nome. Foram tantos anos juntos que ainda pensei que existia amor, mas após uma semana sem ele, percebi que estava apenas acostumada com sua convivência. “Ah, Jonathan, acreditei tanto em você! Perdoei inúmeras traições, até mesmo as várias agressões verbais! Perdoei tantas mentiras que descobri ao longo dos anos!” No momento estou morando no apartamento com a minha amiga Daniela Bitencourt. Desde o começo da minha pior fase com o Jonathan, foi ela quem sempre me deu forças. Eu vivia pendurada no telefone desabafando-me com ela. O mais assustador de tudo, é saber que eu nem podia sair de casa , vivia presa, e quando resolvia sair era apenas para trabalhar. E isso só aconteceu porque mantive pulso firme, pois se dependesse dele, eu teria abandonado meu emprego. Eu não podia encontrar com minhas amigas, pois ele nunca permitia. Hilário isso. Não me permitia sair para não correr o risco de descobrir suas traições.

Quando o conheci, ele era meigo e carinhoso ao extremo. Ele permaneceu assim por bastante tempo, mas repentinamente ele mudou. Parecia outra pessoa, não o reconhecia mais. Teve noites que chorei ao ver o monstro no qual ele havia se transformado. Vi nosso relacionamento desabar bem diante dos meus olhos, sem poder fazer nada a respeito. Sem dúvidas ele não era o mesmo homem adorável por quem eu havia apaixonado. Permaneci nessa situação de merda por quase um ano. Por inúmeras noites permaneci abandonada dentro de casa, enquanto ele se divertia com seus amigos e suas amantes.

Claro que se eu fosse um pouco mais esperta, daria um jeito de curtir minha vida também. Certa vez até tentei. Esperei ele sair, deixei passar cerca de 10 minutos e fui até um barzinho chique com a Daniela. Por volta das 9h da noite já estava voltando pra casa. Me bateu um grande desespero e arrependimento, pois não achei legal fazer aquilo. Praticamente havia saído escondido dele, e por mais que ele sempre tenha feito isso, não me senti bem em fazer igual. “Igual? Quanta audácia a minha em dizer que fiz igual a ele!” Simplesmente saí para distrair minha mente, enquanto ele fazia coisas absurdas em seus passeios. A Daniela ficava indignada comigo, por aceitar ser tratada daquela forma. “Meu Deus! Como o amor me cegou! Deixei chegar em um ponto inimaginável!” Depois de um final de semana todo sozinha, sem ninguém para desabafar, acabei pensando se era mesmo aquela vida que queria pra mim. Um futuro conturbado estava à minha espera. “Será que mereço passar por tudo isso? Cheguei a conclusão que não.” Nenhuma mulher tem que ser tratada desse jeito.

Foi então que resolvi ligar pra minha amiga e desabafei com ela de novo, só que dessa vez, eu gritava por socorro e precisava sumir da vida dele o quanto antes. Daniela mais que depressa pegou seu carro e foi me buscar. Peguei minhas roupas e todos os meus pertences. Nem fiz questão de pegar qualquer um dos móveis. Apesar de ter comprado a maioria deles, logo iria me estabilizar e compraria tudo novamente. Saí da casa dele o mais rápido possível, antes que ele resolvesse voltar e acabasse me impedindo de deixá-lo, usando suas mentiras deslavadas. Saímos de casa por volta das 3h da manhã, na madrugada de sábado. É inacreditável, mas o filho da puta só foi sentir minha falta às 5h da tarde de domingo, pois foi nesse horário que ele havia chegado de sua noitada, após passar o fim de semana todo se divertindo. Rapidamente ele me ligou perguntando onde estava e me dizendo que era pra voltar. Disse que aquilo não aconteceria mais e que ele iria mudar. Fiquei com o coração apertado, querendo acreditar naquelas palavras. Para ser sincera o mais triste era saber que eram apenas palavras vazias, estava óbvio que ele não queria mudanças, pois ele teve tempo suficiente para tal feito.

******

Com o passar dos dias comecei a me irritar com a chata perturbação dele. A cada 5 minutos ele me ligava, implorando por perdão, mas continuei firme, não confiava mais nele e não voltaria atrás na minha decisão.

Pois sei que se voltasse ele faria tudo novamente. Acredito que faria um pouco pior do que antes. Daniela já estava farta com a insistência dele, pois ela temia que eu terminasse cedendo às suas vontades.

— Você precisa trocar seu número o quanto antes — ela comentou irritada ao extremo.

— Sim, sei que preciso, mas não posso no momento! O meu trabalho é uma loucura, e apesar de estar de férias, eles vivem me ligando pra tirar algumas dúvidas! — A observei, desviando minha atenção do livro que estava lendo.

— Aquelas pessoas têm que aprender a se virar sem você! Eles precisam respeitar suas férias! — Bebericou o café que havia na xícara que segurava.

— Eles até tentam, mas o nosso patrão inferniza demais! Apesar de não conhecê-lo pessoalmente, através das conversas que tenho diariamente com ele através dos e-mails, percebi que ele não se cansa de perturbar seus funcionários! Acho que esse é o passatempo favorito dele, se é que ele tem um! — Fiz uma grande careta ao me lembrar do patrão que eu nem conhecia, mas o achava insuportável.

— Você precisa de outro emprego com urgência! Estou preocupada com você! Não quero que pense nem por um segundo em voltar com aquele cretino! Ainda bem que ele nem sonha onde fica meu apartamento, se soubesse, já teria vindo aqui pra fazer suas cenas dramáticas! — Ela revirou os olhos. Dei de ombros e concordei com a cabeça. — Ana, não me leve a mal! Eu vi tudo que ele fez você passar! Eu sofri com você, na verdade, sofri até mais que você, pois não é fácil ver uma pessoa que amamos em uma situação como aquela! Fiquei furiosa com tudo! Você deu um grande passo ao sair da casa dele, estou muito orgulhosa de você! Acho que já está na hora de você começar a sair mais, conhecer pessoas novas, fazer novas amizades e estar aberta a novos relacionamentos!

— Porra, nem brinca com isso! — Gritei. — Longe de mim querer conhecer alguém agora! — Fechei minha mão e depositei fortes batidas na mesa de madeira que havia no centro da sala.

— Quando for o momento certo, seja agora ou depois, você não terá pra onde fugir! O amor simplesmente acontece, Ana! — Sorriu.

— E desde quando você se importa? É sério, você é solteira! É a última pessoa do mundo que deveria me dizer isso! — Me mantive séria e ela deu altas gargalhadas que acabaram me fazendo cair na risada também.

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