ricos. Mas, se alguém decidisse escrever a história dos meus primeiros anos de vida sob essa ótica romântica, estaria cometendo o maior erro da literatura universal. A minha infância não tev
sos pais achavam que a amizade corporativa de berço se traduziria magicamente em harmonia familiar. Uma ilusão patética. Desde os nossos primeiros passos, Adam Carter e Arthur Smith
rta da cozinha. Não importava que a travessa estivesse cheia; a nossa disputa infantil e mesquinha girava em torno de quem pegaria o maior biscoito, quem ficaria com a melhor porção de cobertura de chocolate, quem sentaria na ponta da mesa ou quem dominaria a televisão da sala d
com taças de vinho nas mãos durante as festas de final de ano, que éramos como cão e gato, e que "quem d
de matemática da oitava série, o verdadeiro epicentro do meu ódio por Noah Smith - a cicatriz profunda que nunca fechou de verdade e
ntico que parecia uma cerca metálica na minha boca e me sentindo completamente invisível ou inadequada, exceto pelo peso esmagador do sobrenome Carter que eu carregava nas costas. Eu queria apenas me encaixar. Queria pertencer ao grupo dos garoto
riso natural. Eu tinha uma quedinha secreta - uma dessas paixões platônicas dolorosas e humilhantes da adolescência - por um garoto do penúltimo ano chamado Lucas, o capitã
va apressada em direção ao pátio interno, segurando meus livros de literatura contra o peito como se fossem um escudo protetor. Foi quando pas
escadaria de metal, cortando o barulho
a Charlotte Carter - dizia ele, com aquele tom de zombaria desdenhosa, arra
to num piscar de olhos, e o ar pareceu evaporar dos meu
ora a grana preta que a garota tem - respondeu a voz de um dos amigos dele, rindo de formao meu estômago despencar direto para os calcanhares. A hum
inha se acha a dona da razão o tempo todo, vive com a cara fechada, parecendo uma megera azeda, e para piorar? É feia de doer. Aqueles óculos fundos de garrafa que ela usava no ano passado e aquele cabelo desg
alanche de gelo e fogo. Cada sílaba era um pr
meus olhos antes mesmo que eu pudesse contê-las. Minhas mãos tremiam tanto que os livros escorregaram dos me
era feia. Eu er
. O que importava era que Noah Smith, o garoto com quem eu era obrigada a conviver em jantares de negócios, o ser humano que conhecia cada detalhe da minha infânc
encharcada de vergonha, algo dentro de mim se quebrou para nunca mais voltar ao lugar. A menininha irritada que brigav
ando os soluços com a manga do casaco para que ninguém me ouvisse. Mas, quando saí de lá de dentro, retocando o rosto borrado de rí
ota. E, acima de tudo, eu declarei em alto e bom som, dentro do meu próprio silêncio furioso: Eu odeio Noah Smith. Odeio com cada célula do meu corpo, com cada respiração, co
marcaram no fim de semana seguinte, Noah tentou agir como se nada tivesse acontecido. Ele chegou com aquele sorriso a
esperava a m
undos?", eu virei o meu copo inteiro de suco de uva concentrado bem
fúria cega, exigindo desculpas imediatas. Arthur Smith arregalou os olhos, chocado com a audácia da "sua futura nora" - embora,
os olhos dele encontravam os meus. Naquele olhar, não havia mais o deboche de antes. Havia
ntos da boca com o guardanapo com toda a elegância do mundo e
voltar a falar o meu nome para os seus amiguinhos de galinhagem, da p
pais nos arrastavam para posar para fotos institucionais, e fazíamos questão de nos sabotar mutuamente em todas as oportunidades possíveis. Quando fomos um pouco mais velhos, na época dos bailes de formatura do colégi
ara tentar respirar longe daquele ambiente sufocante, depois de ter construído uma nova identidade artística
da o mesmo teto com o garoto que me chamou de feia e chata para os amigos
grimas de raiva, percebi o tamanho da ironia macabra que o destino havia preparado para mim. O ódio que nasceu daquela humil
o bilionária e me transformar na prisioneira perfeita de sua torre de vidro corporativa. Ele pensava que
mento forçado, eles teriam. Mas eu faria da vida de Noah Smith o mais absoluto e impiedoso in

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