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Capítulo 2 Refúgio de Veludo

Palavras: 1854    |    Lançado em: 02/03/2026

ujo e da violência de São Paulo. O silêncio no interior da cabine era pressurizado, interrompido apenas pelo zumbido discreto do motor e pelo som da respira

peça que, ela sabia instintivamente, custava mais do que a soma de todos os seus salários nos próximos cinco anos. Era um lembrete constante de que ela não pertencia àquele espaço. Antony, por outro lado, permanecia impassível. Sua mandíbula estava travada em uma linha rí

ncia; era uma declaração de poder. O espaço era vasto, com um pé-direito duplo que fazia Clara se sentir minúscula. As paredes eram, em sua maioria, de vidro temperado do chão ao teto, oferecendo uma visão panorâmica e hipnotizante de um

embutida em uma parede de concreto aparente. Não havia fumaça, apenas chamas dançantes que aqueciam o ambiente de forma preci

carregava uma gravidade magnética, um timbre que parecia ressoar diretamente no peito de Clara. - Há toalhas aquecidas no suport

, a cascata de água em uma temperatura perfeita foi um choque para seu sistema nervoso. Por um momento, ela apenas ficou parada sob o jato, fechando os olhos enquanto a água levava embora a lama do beco, o cheiro de medo e o suor frio da exaustão. Era como se aque

o vesti-la, Clara sentiu o peso do contraste. A camisa era enorme nela; a costura dos ombros caía quase nos seus cotovelos e a barra batia no meio de suas coxas, deixando suas pernas nuas e expostas. O colarinho ainda carregava o aroma dele - sândalo

aredes de vidro. Antony estava em pé junto a um bar de cristal esculpido, servindo dois copos de uísque com movimentos lentos e deliberados. Ele havia se desfeito da gravata e do sobretudo; os prime

o em seu rosto, onde as bochechas começavam a ganhar um pouco de cor devido ao calor do banho. Não era o olhar predatório e vulgar dos homens que a encurralaram no beco; era algo muito mais perigoso. Era o olhar de

copos. O uísque era de uma cor âmbar profunda. - Vai ajudar com o choque

a breve, foi como um curto-circuito que disparou eletricidade por todo o seu braço. Ela deu um gole gen

. Clara sentou-se na borda, com as costas eretas, sentindo-se

. - Você não me conhece, Antony. Homens com o seu... perfil... não costumam patrulhar becos escuro

esafiando qualquer noção de espaço pessoal. Ele se inclinou para frente, apoiando uma mão no encosto do sofá, atr

o no ar. Ele levantou a mão livre e, com uma delicadeza que contrastava brutalmente com a violência que ele exercera no beco, usou

segundo antes de disparar em um

Vejo você ignorar o cansaço para pegar o segundo ônibus. Vejo você contar moedas na padaria para comprar um café e um pão seco. Vejo a dignidade com que você carrega es

por sua espinha. - Você estava me vigiando como se

se vender... isso criou um tipo diferente de interesse. - Antony aproximou o rosto do dela, o calor de sua respiração roçando a bochecha de Clara. - Mas

mais sozinha, Clara. Aquela vida de migalhas e medo acaba hoje. Eu decidi que você é minha responsabilidade agora. E você deveria saber

de a vontade dele era a única lei. Clara sentia-se como uma mariposa atraída por uma chama negra e hipnótica. Ela sabia, com cada fibra de seu instinto de sobrevivência, que Antony era um homem perigoso - talve

como um escudo entre ela e o resto do mundo, não parecia uma prisão ou um erro. Parecia a única saída. Clara olhou para o uísque no copo, depois de volta para

a? - ela perguntou, a voz mais firme

a carregado de uma sensualidade predatória. - Por enquanto, Clara? Apenas

ntiga tinha morrido naquele beco, e o que quer que estivesse nascendo ali, naquela cobertura de veludo e mármore, ser

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