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Histórico

Capítulo 2 Samantha Martinez

Palavras: 2192    |    Lançado em: 10/12/2021

atu

ença antes de desmoronar as nossas certe

de cinza e delimitado pelas expectativas alheias. Mas a verdade - e eu aprendi isso encarando o e

ara de inventar histórias, uma mãe que é o meu porto seguro e um segredo guardado tão fu

sse segre

om exato da minha risada quando estou nervosa e que sabe decifr

a mais perigosa para a

a luz - parecendo esmeraldas quando ele ri - e um corpo atlético de quem passa horas correndo ou nadando. Quando ele decide aparecer na minh

, para o chão de cerâmica, para as nuvens no céu de São Paulo. Mas meus

ro para dentro, senti

com meus traços marcantes, os olhos amendoados, o rosto arredondado e as bochechas que denunciam qualquer emo

. A trissomia do cromossomo 21 moldou o meu corpo e o meu ritmo de aprendizado, mas não roubou o meu dire

e sinto; é o peso do

uma devoção que às vezes sufoca. Ele passou a vida inteira me blindando das garras de um mundo preconceituoso, do trauma do abandono da minha mãe biológica e das a

eito fechado, o medo de não conseguir respirar depois de uma intoxica

ma todos os dias. Cantou músicas desafinadas, me contou histórias mirabolantes e segurou minha mão até o meu

floresceu e virou al

e de verdade -, é a única que sabe de tudo. Foi ela quem enxugou minhas lágrimas no dia

ando meu cabelo com aquela paciência infinita. - E você tem tanto direito a

as para arrancar mais pedaços de mim antes de sumir de vez para uma cela de prisão. Mas Hadiya me costuro

mundo lá fora i

s e acabei ouvindo o pai dele conversando na cozinha. As palavras vieram cortantes como vidro queb

gritou na sala de estar, disse que eu era dez vezes mais inteligente do que o homem jamais s

como uma sirene de alar

ria história, ocupar espaço, viajar, me apaixonar e ser correspondida. E, por mais que eu saiba o meu valo

frente rangendo me

entos e olho par

ento e o cabelo castanho fora do lugar. Ele traz uma sacola de papel nas mãos e aq

diz, subindo os degraus da varanda com passos lev

o manter a voz firme enquanto meu cor

de morango com pedaços de ch

transição. É um contato mínimo, fugaz, mas a eletricidade que salta d

do, os olhos verdes fixos no meu caderno d

a, apontando com o mento para as folhas rabiscadas. -

aderno rapidamente para perto do meu co

deixar ler um poema seu, Sam

entro eu saiba que os versos que escrevo à noite trazem o

de som que me faz querer congelar o tempo e g

es na rua. A proximidade dele é quase palpável. Consigo sentir o cheiro do sabonete misturado c

do do milkshake. - Você nunca fala sobre namoro. Nunca traz ninguém

tilmente, dando lugar a uma expressão mais densa. Ele desvia o olhar para o hori

Sam. É só que... as coisa

e seria

uma intensidade que me falta o ar. Os olhos

a si mesmo. - Alguém que goste de conversar comigo até de madrugada, que entenda minhas mani

arece encolher até caber

ussurro, com a voz

óprias mãos antes de voltar a me encarar. - O problema não é saber s

pareceu sumir. Tenho a impressão nítida de que ele está falando de mim, de que há u

Jack balança a cabeça, sacudindo a tensão como

s terminar aquele trabalho de acessibilidade

difícil - acuso, rindo nervosamen

creto. Anda, traz os pap

de centro. Trabalhamos lado a lado, com os ombros quase se tocando. A c

e inclusão urbana, notei que ele havia parado de anotar. Virei o r

nto, sentindo as b

dade crua que me desarma por completo. - Quando você lê s

l, fingindo uma concentraç

ante de me elogiar só para

o maxilar dele travar de leve. Um rastro de sombra cruza o seu s

unto, tocando de leve

alor da pele dele me faz

ndo antes de erguer os olhos para mim. Há um pes

sempre, mas com um tom diferente, mais grave. - Só... pensando

o o espaço dele da mesma forma que ele respeita o meu.

afada do abajur iluminando as paredes lilases, pego

ntre nós - o medo dele de estragar tudo, o meu medo de perder o meu melhor amigo. Se eu contar o que sinto e ele recuar, eu não sei se consigo juntar os ca

o com cuidado

e seria se eu tivesse a coragem que tanto exibo nos meus textos. Ja

o que, por mais assustador que se

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