segu
unça explosiva da primeira roda, a presença hipnótica de Helena e o olhar frio de Silvério que eu já sentia queimando
nos engolir. Eu tinha marcado a primeira roda de capoeira às quatro da tarde. No Morro do Coiote nada acontece no horário. Quando cheguei, já havia uns vinte e poucos moleques esperando. Alguns curiosos, a maioria só querendo zoar. Ratão, o líder infor
e vizinha, uma silhueta parada. Homem. Celular na mão. O farol fraco de uma moto aceso atrás dele. Silvério, ou um
sabe ou vai só falar bonito? - p
do tráfico, viam morte todo dia, carregavam armas escondidas nas mochilas e desconfiavam de qualquer adulto que tentasse chegar perto. Eu não era diferente. Alto demais, cic
o corpo de madeira escura ainda quente do sol, e toquei um ritmo simples, grave, o Paranauê que minha mãe me ensinou quando eu ainda era criança no quintal de
orpo - falei, a voz firme que eu usava para manter soldados sob con
ina que o deserto e as montanhas tinham gravado na pele. Mas logo a coisa descambou. Ratão entrou com tudo, chutando alto e sem controle, querendo provar que era o mais brabo. Tiago, o de quinze anos qu
ai da fren
resp
tomar
da mãe que não tinha dinheiro, do pai que sumiu, do tráfico que prometia dinheiro fácil e morte certa. Eu reconhecia aquela raiva porque carreguei a mesma por anos nas Forças Especiais. Vi irmãos de farda mor
eio do tumulto. O suor escorria pela nuca. A mão direita foi instintivamente para a cint
neo. A professora durona, a mesma que tinha rido da minha cara no dia anterior, mas agora com algo diferente no olhar: determinação e uma curiosidade que me desarmou. Sem dizer uma palavra, ela tirou os chinelos, dei
ndo o espaço com elegância e força ao mesmo tempo. Ela não estava só participando. Ela dominava a capoeira. Cada movimento era preciso, carregado de história, de raiva contida e de dor transformada em arte. Era capoeira ra
o roçou meu peito. Senti o cheiro dela: suor limpo, sabonete barato de coco e algo doce que me subiu direto para a cabeça. Meu coração, que havia anos batia só por sobrevivência, deu um salto violento. Pela primeira vez em muito tempo - desde as m
desafiador que dizia "você não me intimida, gringo". Eu respondi com uma ginga mais
profe
ringo toma
a professora mais b
endo entre os seios. Eu não conseguia tirar os olhos. O corpo reagia contra a vontade: o sangue fervendo, a respiração mais pesada, uma vontade louca de agarrar aquela mulher ali mesmo, no meio da roda, e descobrir se ela era
inos estavam suados, rindo, exaustos, mas pela primeira vez
Você ganhou essa. M
ua que tinha trazido. Nossos dedos se tocaram. O contato foi elétrico. O corpo inteiro reagiu, um calor subindo pela espinha até a nuc
caralho - falei baix
gundo longo demais. Os olhos dela eram escuros, viv
a voz um pouco rouca. - Só não se iluda. Aqui no Coiote, capoeira sozinh
s na testa, o fogo no olhar, eu não estava pensando só no traficante. Estava pensando em como seria sentir aquele corpo contra o meu sem a roupa da capoeir
orro começaram a acender, uma a uma, como olhos se abrindo na escuridão. O ar entre nós estava carregado. Eu queria beijá-la, puxá-la para mim, sentir o gosto daquele sorriso. Me contive
mbora, eu soube que já era tarde demais para voltar. Aquela mulhe
a laje se acendeu forte, cegando por um segundo, e a v
a gente prec

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