o do seu riso extinto para sempre. Inclinei-me, beijei a sua testa gelada, e algo dentro de mim parte-se. Irreparavelmente. Saio a cambalear, o mundo desfocado sob a c
o não se espalha pelos corredores como um feitiço capaz de acalmar qualquer fúria minha. A sua voz a cantarolar melodias sem letra não enche a cozinha, o jardim de inverno nem o meu escritório. Hoje não resta nada. Apenas ausência. Apenas a prova viva de que o mundo pode arrebatar-te a única coisa que amas num piscar de
o cabelo preso de forma descuidada e uma taça de champanhe na mão que nunca bebeu. Ela sorria com uma tranquilidade que não combinava com os tubarões que a rodeavam. Quando os nossos olhares se cruzaram, senti que algo em mim - algo que nem sabia que existia - se acomodava. Ela aproximou-se primeiro. Sempre foi mais corajosa do que eu. - Tens cara de quem odeia este
a, pelo menos não apenas por isso -, mas porque a via tão feliz que sentia que o meu coração se poderia partir se lhe dissesse que não. Mas nada resultou. Tratamentos falhados. Esperas intermináveis. Lágrimas que ela escondia para que eu «não carregasse mais culpas». Quando ela me propôs a
sob os meus pés. E quando a vi - com a barriga enorme, a apertar-se o ventre, a respirar ofegante - algo dentro de mim explodiu. Dor. Culpa. Raiva. Uma raiva venenosa, irracional, mas real. Essas crianças... essas três crianças que ela tanto esperava... são agora a prova viva de que a Claudia já não está aqui. De que a luz da minha vida morreu sozinha, debaixo da chuva, enquanto procurava roupa para elas. Esta mansão, onde ela planeava quartos tem
que não pense que vou permitir que ele toque num cêntimo enquanto eu respirar. Não ele. Não o homem que sempre desejou ver-me cair. Mesmo assim
a. ---Senhor Valcor... uma chamada do hospital. Olhei para ele, irritado. ---Agora não. ---É sobre a Lucía -ins
to prematuro. Sinto um nó no estômago, uma náusea que sobe como bile. ---Não ---digo, com a voz rouca, explosiva---. Não os quero. O mordomo p
s crianças tiraram-me a Claudia! Sem eles, ela não teria saído à noite! Sem eles, estaria viva! O mordomo recua, mas eu continuo, a dor a sair como veneno. -Dig
ou partir-me para sempre. A Lucía acha que sou um monstro. Talvez seja. Talvez perder a mulher que amava me tenha transformado em algo que não reconheço. Por agora, a decisão é clara: não quero aquelas crianças. Não consigo olhar para elas sem me lembrar de co

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