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   Capítulo 16 Aula Pre-baile

Ela problema X Ele solução Por gath_c Personagens: 23917

Atualizado: 2021-02-23 05:43


(Felipe narrando)

Eu até poderia sobreviver a essa situação constrangedora se apenas as garotas Huo estivessem na sala, mas com minha mãe lá, era praticamente o fim do mundo. Ela nos educou bem demais para retribuirmos bancando os reis da pornografia.

– Eu estou falando com vocês rapazes, saiam da frente da TV! – Ordenou minha mãe, altiva.

Eu podia jurar que Mario estava tremendo ao meu lado.

Quando vozes vindo da TV começaram a gemer obscenidades, eu soube que estava ferrado. Baixei a cabeça, aceitei a humilhação e dei um passo para longe do televisor.

– SANTO DEUS DO CÉU! – Falou nossa pobre mãe com a mão sobre o peito, surpresa ao ver a cena inapropriada no televisor.

Helle parecia chocada quando deixou o copo que segurava cair no chão. Eu até teria rido dos seus olhos arregalados e sua boca entreaberta se eu não estivesse tão preocupado.

– Olha! Bundas frenéticas! – Exclamou Stephanie apontando para o filme.

– Você… você … – Mario engoliu seco. – Você conhece esse filme?

– Não! – Respondeu meio pálida.

Mario ficou carrancudo e puxou a tomada do aparelho de DVD. Ele fica esperto e corajoso segundos após uma emergência? Me perguntei se sua atitude tinha a ver com o fato de Stephanie estar hipnotizada pelo filme.

– FELIPE, MARIO E VINCENT! PARA O ESCRITÓRIO DO CARLOS, AGORA! – Esbravejou Esme, visivelmente irritada.

– Espera! Eu não vou levar uma bronca! A CULPA É DAS GAROTAS HUO, QUE NOS FIZERAM BROXAR! – Exclamou Vincent, pondo-se de pé e berrando nas últimas palavras

Eu tive certeza que meu AVC havia iniciado.

–HAHAHAHAHAHA! – A risada espalhafatosa e altíssima veio de Helle, que já apontava o dedo para mim.

Minha paciência havia esgotado.

QUE SE FODA O MUNDO, EU VOU MATAR O VINCENT!

(Helena narrando)

Eu ainda tentava controlar minha crise de riso, quando vi Felipe, alterado, voar no pescoço do irmão bisonhento.

Quando os corpos se chocaram, logo foram ao chão. Esme e Stephanie começaram a berrar desesperadas. Mario lançou-se sobre eles. Eu fiquei na dúvida se ele estava tentando separá-los ou se também tinha a intenção de assassinar Vincent. Era bom demais para ser verdade, eu queria que os três se matassem e Esme, como consequência, enfartasse.

– PAREM COM ISSO, PELO AMOR DE DEUS! – Pediu Esme, choramingando.

– NÃO, NÃO PAREM! – Gritei, saltitando de felicidade.

Carlos e Lucy desceram as escadas correndo.

Provavelmente foram acordados pelos gritos de Esme e Stephanie.

– NÃO FAÇAM ISSO! POR FAVOR, PAREM! – Suplicou meu pai.

Eu não sei ao certo como isso aconteceu, mas agora Vincent tentava estrangular Felipe e Mario parecia esforçar-se para conter o Serial Killer. Quase discuti com Carlos, como ele me inventa de interferir justo agora?

– PAAAREEMMM! – Esme esbravejou tão alto que provavelmente acordou os vizinhos.

Nossa, mosca morta se revelando! Até eu parei de rir de tão surpresa que fiquei.

Os anormais Changs petrificaram. Ficaram lá com a maior cara de bobões fitando Esme.

– Vamos conversar no meu escritório, por favor. – Pediu Carlos, amistoso.

Felipe foi o primeiro a sair da sala, carrancudo. Os outros o seguiram em direção ao escritório.

– Não se preocupe querida, eu vou conversar com eles. – Sussurrou meu pai para Esme.

(Mario narrando)

Lá estávamos nós, mais uma vez, no escritório de Carlos.

Aquele lugar já estava virando nosso consultório psiquiátrico. No enorme sofá cinza, sentei-me. Meus irmãos me acompanharam, cada um sentando de um lado. Felipe parecia realmente chateado, mantinha um olhar distante e Vincent, emburrado, encarava o teto.

Nunca os vi brigando, não somos irmãos de sangue, mas Felipe e Vincent sempre tiveram uma ligação especial, um companheirismo desastrosamente exemplar. Quando morávamos no orfanato, Vincent defendia Felipe dos outros garotos que, por vezes, queriam lhe bater. Quanto à Felipe, sempre fazia as lições de casa e trabalhos escolares de Vincent. Essas semanas na Itália estavam mesmo mexendo com nossas cabeças e nem sequer percebemos. Passamos a agir como adolescentes de 13 ou 14 anos. Isso é, no mínimo, motivo para horas de terapia, considerando o fato de que temos mais de 21 anos.

– Me contem o que está havendo com vocês, prometo que não vou julgá-los. – Pediu Carlos sereno.

Olhei para meus irmãos e eles continuavam calados, me pareceu que eles continuariam assim.

Bufei, criando coragem para falar. Afinal, todos logo saberiam, pois Helle com certeza faria questão de sair espalhando.

- O problema Carlos, é que nós… estamos com um pequeno problema de autoestima, digamos assim. – Respondi, tentando parecer calmo, mas, para variar, eu estava começando a suar. Eu odeio quando isso acontece.

– Autoestima? Por favor Mario, esclareça. – Meu futuro padrasto parecia interessado.

– Nós broxamos, é isso! – Falou Vincent, inesperadamente, ao colocar seu fiel boné no rosto. Felipe apenas bufou.

Carlos riu. E isso me surpreendeu.

– Todo esse alvoroço é por isso? Eu não acredito!

– Fala assim porque não é com você. – Murmurou Felipe, ainda fitando o vazio.

– Isso é normal, pode acontecer com qualquer homem, de qualquer idade. – Respondeu ele, relaxado.

– Nós estamos amaldiçoados, pois todos nós broxamos na mesma época. – Falou Vincent, em um fio de voz.

– Acalme-se Vincent, dever ter uma explicação racional para o problema de vocês. – Carlos ajeitou-se na cadeira e continuou. – Me contem como aconteceu.

Imediatamente Felipe me encarou. Sua expressão era dura e, ao mesmo tempo, suplicante. Logo percebi porque. Ele não queria que Carlos soubesse que ele quase dormiu com sua filha.

Então, tomei a iniciativa de falar primeiro, para que ele pudesse formular uma resposta que não nos fizesse parar em um necrotério.

– Carlos, eu… bem, eu sou… virgem. E quando tive oportunidade de mudar esse fato, simplesmente… não consegui. – Falei, rezando para que o interrogatório acabasse logo.

– Eu estava em uma festa, comi um bolo espacial… depois disso, nada! Nada de Vincentizinho funcionar quando deveria. – Disse Vincent, parecendo curioso pra saber o que Carlos falaria, afinal, ele é médico.

Por fim, após um breve silêncio, Felipe manifestou-se.

– Eu realmente queria dormir com essa garota, eu quis durante muito tempo, mas quando tive oportunidade, minha cabeça parecia estar em todos os lugares ao mesmo tempo, não conseguia me concentrar, não conseguia pensar nas coisas certas. Foi frustrante. – Desabafou Felipe.

Carlos nos analisou por alguns segundos. Então, finalmente se pronunciou.

– A resposta para o problema de vocês está justamente nas explicações que acabaram de me dar. Ao me explicarem o que aconteceu, vocês mataram a charada. Não estão vendo? Mario, você queria consumar o ato, mas não conseguiu, porque provavelmente estava nervoso demais por ser sua primeira vez. Deve ter se sentido pressionado a parecer um excelente amante logo de primeira, e acabou por não dar atenção ao que era mais importante, o ato de amor em si. Vincent, você estava drogado, o que você esperava? Você pensa que toda droga é Viagra? Já você Felipe, deve perguntar pra si mesmo o que mudou em você ou na garota, para você perder o interesse nela. Você achava que a queria. Muitas vezes achamos que queremos uma coisa, mas, na verdade, queremos outra.

Felipe suspirou e piscou os olhos algumas vezes, ele pareceu-me confuso.

Nossa, Carlos entendia mesmo do assunto.

- Agora, me digam o que tudo isso tem a ver com a briga na sala? – Perguntou ele.

Felipe e Vincent começaram a rir. Como eles ainda conseguiam rir depois de tudo que passamos?

(Helena narrando)

Meu nariz estava coçando, mas eu estava com sono demais para abrir os olhos. Fiz careta e tentei voltar a dormir.

Novamente, meu nariz coçou, algo estava passando pelo meu rosto? Dessa vez não aguentei. Ergui, cheia de preguiça, a minha mão para coçar. Foi aí que senti o cheiro forte da espuma de barbear que eu acabara de passar no rosto... mas como? Assustada, abri os olhos e sentei-me rapidamente. Lá estava o capeta em forma de Chang.

Felipe ria segurando uma pena branca em uma mão e um frasco de espuma de barbear em outra. Só aí percebi o que o maldito havia feito. Ele encheu minha mão com espuma e usou uma pena para me causar cócegas, só para eu mesma enfiar a espuma na cara. Cerrei os olhos e me preparei para a briga. Mas pensei em outra tática.

– Ai meus olhos, meus olhos estão ardendo, entrou espuma nos meus olhos! – Fingi, colocando as mãos no rosto.

– Calma, não entra em pânico. – Felipe sentou-se ao meu lado e passou o lençol no meu rosto, tirando a espuma.

Aproveitei que ele largou a lata de espuma na cama, peguei-a e borrifei na cara do otário.

Ele levantou-se tossindo. Ao que pareceu, entrou um pouco de espuma na boca dele. Por mim, ele poderia até engolir tudo e fingir que era chantilly.

– Sua cretina! – Xingou ele, limpando-se.

– Eu deveria era te encher de pancada, seu escroto!

– Quanta novidade, você só pensa nisso.

– É, nisso você está certo, eu… – Parei, olhei para o relógio no criado mudo e marcavam 7h. Ah não, o idiota invadiu meu quarto novamente só pra me torturar correndo? Cara, preciso começar a trancar essa porcaria de janela. – Que merda Felipe, nem vem, eu não vou correr!

– Onde está seu pote do palavrão? – Perguntou ele sério.

Dei de ombros, mas ele logo avistou o pote no chão, próximo à cama. Felipe o apanhou, olhou para os lados, sorriu, pegou uma caneta pilot que havia em cima da minha mesa de cabeceira e começou a desenhar algo no pote.

Revirei os olhos. Até quando eu teria que aturar aquele babaca?

– O que você está fazendo? – Perguntei impaciente.

Minha resposta foi respondida quando ele me mostrou o pote. O imbecil havia desenhado uma enorme cara zangada no meu pote. Embaixo, havia escrito “namorado de Helle”

– Quanta babaquice. – Afirmei, tomando o pote de suas mãos e jogando para longe. Infelizmente, o pote não quebrou quando caiu no chão.

– Eu avisei para estar sempre com ele, é o seu namorado agora, durma com ele todas as noites!

– Você está mesmo falando sério quando diz essas coisas? – Questionei, intrigada.

– Eu pareço estar brincando? – Respondeu, ríspido.

Bufei.

– Felipe, eu já disse que você é babaca? – Falei, lhe jogando um travesseiro.

– Todo dia! – Respondeu, sentando-se na cama. – Eu não estou aqui para te convencer a correr. Como você já sabe, nós vamos ao tal baile à fantasia do amigo do seu pai, e vim lhe informar que já convidei o Jake.

Quando ele falou o nome de Jake, meu estômago embrulhou, eu ficava nervosa só de pensar na possibilidade de revê-lo.

– Vamos pular o papo furado, eu preciso lhe dar uma aula pré-baile.

– Mas... mas... o baile é hoje à noite... eu não saberei o que fazer, não vai dar tempo! – Disse-lhe, me jogando na cama.

Eu não fazia ideia de como encararia Jacob depois do incidente na calçada do hotel.

– Deixa de ser lerda Helle, o que você acha que eu estou fazendo aqui? Anda, não podemos perder mais tempo. – Felipe resmungou, puxando-me pelo braço para fora da cama.

Me senti meio atordoada, eu precisava acordar direito, e digerir o fato de que, em algumas horas, eu iria reencontrar Jake.

– Espera, eu vou trocar de roupa, lavar o rosto e escovar os dentes.

– É bom mesmo, você está com um bafo... – Falou o Chang, rindo.

Franzi a testa, encarando-o, ainda assim não parti para cima dele. Fui para o banheiro, tentando não ter uma crise de ansiedade.

(Felipe narrando)

Sentei-me na cama para esperar a Huo, torci para que ela não demorasse. Ela não estava nem um pouco preparada para reencontrar Jake, disso eu tinha certeza. Ia ser preciso um milagre para ensiná-la a se comportar como uma garota agradável nessa festa. Tudo bem que eu não esperava que ela mudasse do dia para noite, mas ela poderia ao menos se esforçar e não ficar me importunando.

Eu estava meio na dúvida do que deveria lhe ensinar, haviam tantas coisas, mas o tempo era curto e ainda nem havíamos escolhido as fantasias. Esfreguei o rosto, tentando me concentrar nos deta

lhes mais importantes.

Será que Helle estaria pronta para um primeiro beijo com Jake? Inesperadamente, lembranças inundaram meus pensamentos.

O Beijo com Helle.

Beijar a garota não havia sido como eu esperava.

# Mini Flashback #

Me aproximei de Helle lentamente. Desejava, naquele momento, dar-lhe meu melhor beijo, um beijo que dei em poucas mulheres ao longo da minha vida. Almejava convencê-la de que ela poderia beijar tão bem quanto eu. Bastava ceder e aceitar o acordo que lhe propus. Um acordo que poderia salvar o relacionamento da minha Esme.

Helle parecia confusa, como se estivesse se questionando se aquilo era correto. Eu não pude evitar, também me perguntei o mesmo. Mas, pensei no quanto poderia ajudar minha mãe e ignorei os avisos mentais de que, eu estava prestes a beijar a pior garota do mundo.

Ficamos a poucos centímetros. Huo respirava com dificuldade, provavelmente nervosa. Tive vontade de rir, como ela poderia ficar nervosa só por causa de um simples beijo? Tudo bem que eu percebi que ela jamais havia beijado antes, ainda assim, era só um beijo.

Nossos rostos nunca ficaram tão próximos, era estranho. Com meu braço esquerdo enlacei delicadamente a cintura dela, não queria assustá-la. Meus lábios abriram-se em expectativa. Suspirei e, nesse momento, algo inesperado aconteceu. Fui atingido por um súbito nervosismo, foi como se um raio tivesse me atingido. Eu não sei de onde ele veio, apenas sentia-o percorrer meu corpo.

Me forcei a continuar, acariciei as costas de Helle delicadamente com a ponta dos dedos, até pude sentir ela arrepiar-se. Me aproximei ainda mais de seu rosto, rocei sutilmente meus lábios nos dela, provocando-a, queria deixá-la ansiosa. Aquilo, para minha surpresa, me fez estremecer, e eu tive vontade de aprofundar o beijo imediatamente, porém, me detive. Afinal, era o primeiro beijo de Helle.

Com a mão direita, percorri cuidadosamente o seu braço até chegar em sua nuca, onde meus dedos entrelaçaram-se em seus sedosos cabelos. Meus olhos fixaram-se nos lábios trêmulos de Helle, quando ela não estava tagarelando até que sua boca era bonita, linhas perfeitas e uma tonalidade graciosa de rosa. Não resisti e toquei seu lábio inferior com a ponta da minha língua. Daí foi impossível não sugá-lo. Meu plano era permanecer de olhos abertos durante todo o beijo, mas contra a minha vontade, meus olhos fecharam-se. Meu coração palpitou, me alertando que a adrenalina pulsava em minhas veias e um súbito gemido escapou de mim. Ignorei o fato de que talvez a Huo tivesse me ouvido. Tentei me conter, mas já não era possível. Enfiei gentilmente minha língua dentro da boca dela, Helle sugou-a meio desajeitada. O estranho é que, ainda assim, foi gostoso. Senti os braços dela em volta do meu pescoço, isso nos fez ficar tão colados que eu podia senti-la quente e trêmula contra mim.

O objetivo era ensinar Helle a beijar, a lhe mostrar o que fazer e como fazer. Porém meus instintos estavam quase me dominando. O beijo que antes era suave, se tornou intenso quando comecei a lhe sugar a língua. A boca de Helle era adocicada, virginal, e isso quase me fez gemer outra vez. Mordisquei algumas vezes seus lábios, isso era algo que, definitivamente, queria que ela aprendesse. Segurei-a firme, forte em meus braços, não querendo que, após beijar Jake, ela achasse que eu era um zé mané. Então, tudo ficou meio confuso, eu estava tentando me concentrar em ensiná-la da melhor forma, mas era como se algo tivesse explodido dentro de mim. Fui entregue às sensações, fui jogado em um turbilhão de sentimentos incompreensíveis. Todo meu corpo estava reagindo de forma inesperada, era como se tivessem injetado alguma droga em minha veia. Decidi tomar o controle da situação e impedir que meu corpo reagisse de forma inapropriada e constrangedora. O beijo voltou a ser suave e então, para me despedir das estranhas sensações, mordisquei pela última vez, o lábio inferior de Huo.

Quando nos afastamos, ambos estávamos ofegantes. Helle fraquejou, mas, felizmente, segurei-a antes de ela ir ao chão. Não consegui evitar rir, ela estava mesmo envergonhada.

Será que beijei tão bem assim?

# Mini Flashback #

Tentei dissipar as lembranças do beijo que eu e Helle trocamos. Eu precisava me concentrar nas coisas certas.

Tudo bem que o beijo com Helle foi bem diferente do que foi com Luccy, ou com a maioria das mulheres que já beijei, mas deve ter sido mesmo o momento. Todo aquele nervosismo de tentar convencê-la a aceitar o acordo, meu empenho para que ela tivesse um excelente beijo... um monte de coisas pode explicar isso. Não vou ficar grilado, tudo que tenho que fazer é cumprir minha parte no acordo. Tornar Helle uma mulher por quem todos os homens se apaixonariam.

– FELIIIIIPEEEE! – Sobressaltei ao ouvir o grito.

Olhei para o lado e Hele estava emburrada com as mãos na cintura.

– O que foi? – Perguntei confuso.

– Estou aqui faz um tempão te chamando, você surtou, seu tapado? Você, por acaso, dorme de olhos abertos?

Revirei os olhos. Cara, que garota chata!

– Vamos logo iniciar essa droga de aula, que eu já estou de saco cheio! – Respondi pondo-me de pé.

(Helena narrando)

Felipe estava, sem dúvida, estranho. Que Chang mais anormal!

– Hele... – Disse ele, coçando a cabeça.

– Sim?

– Eu estava pensando, se você, por um milagre, conseguir se aproximar de Jake na festa. Eu acho que você não deveria beijá-lo, não ainda.

– Por que não? – Perguntei curiosa.

– Bem, seria muito fácil. Eu já lhe falei que você precisa bancar a difícil, queremos que Jake se apaixone por você, e não que fique com você uma noite e no outro dia, nem se lembre. Precisamos fazer ele correr atrás de você. – Felipe riu. – Acho que nunca vi Jake correr atrás de mulher alguma, isso vai ser engraçado de se ver.

Sorri também, a única coisa que gostava nas aulas do Chang, era que ele sempre fazia as coisas parecerem muito fáceis.

– Então, o que vou aprender? – Perguntei, rezando para não ser a aula de como “desfilar” novamente.

– É uma festa, certo? Nem em um milhão de anos eu vou conseguir fazê-la dançar bem. Porém, acho que podemos treinar um pouco, para que você não pague um mico gigantesco. – Falou Felipe, direcionando-se para o meu aparelho de som.

– Ei! Eu não danço assim tão mal! – Respondi aborrecida.

Felipe ergueu a sobrancelha, enfiou a mão no bolso da calça e puxou o celular.

– Você chama isso de dançar? – Perguntou ele, mostrando-me um vídeo que nem acreditei.

MEU DEUS DO CÉU, ISSO AQUI SOU EU DANÇANDO A MACARENA?

Engoli em seco, que porra eu achava que estava fazendo ali, me chacoalhando com Vincent e Stephanie?

Felipe ria da minha cara atônita.

– É, eu sei. Ridículo, né? – Provocou o imbecil.

– Não! Não ficou ruim! – Mentira, estava pavoroso. Até minha falecida vozinha dançaria a Macarena melhor que eu. – Felipe, apaga essa porcaria de vídeo! – Ordenei, tentando pegar o aparelho, mas ele se esquivou.

– Está louca? Eu vou colocar no You Tube!

Arregalei os olhos.

– Brincadeirinha. – Falou ele, antes que eu enfartasse. – Mas não vou apagar, é uma doce lembrança esse vídeo. Cura qualquer depressão!

Bufei, me perguntando se Felipe estava querendo levar na cara.

– Vamos logo iniciar essa aula, não temos muito tempo.

Após minutos revirando meus CDs, ele finalmente colocou um no aparelho de som. Não demorou para que começasse a tocar – One Step At A Time de Jordin Sparks.

One Step At A Time - Jordin Sparks

– Agora dança Hele! – Ordenou ele, fitando-me sério.

Engoli seco. Se já era constrangedor dançar, com Felipe analisando era ainda pior. Me lembrei que as horas estavam passando e logo eu estaria em um baile com Jake. Então, me agarrei à coragem e comecei a dançar timidamente.

Mexi os pés para lá e para cá, movimentando meu corpo, o mínimo possível.

– Para tudo! É para dançar e não ficar de um lado para o outro, feito um zumbi. – Resmungou FELIPINHU.

Encarei-o furiosa. Que filho da mãe!

– Vem cá! – Pediu ele, me sinalizando com o dedo. E eu, anta, fui.

O Chang me segurou pelos ombros, me obrigando a ficar com a coluna ereta. Eu revirei os olhos. O que ele pensava que estava fazendo?

– Abre as pernas.

– Hein?

– Afasta as pernas um pouco, Helle.

Afastei. Felipe pôs as mãos na minha cintura e me obrigou a mexer um pouco.

Foi um saco!

– O segredo é mexer os quadris no ritmo da música e acompanhar a batida com o resto do corpo.

Felipe mexia o corpo suavemente, ainda segurando-me pela cintura e eu o acompanhei.

– Sinta o ritmo, sinta a batida! – Ordenou ele quando começamos a nos mover de um lado para outro, um pouco mais rápido.

Sorrimos quando percebemos que estávamos tendo algum progresso. Felipe soltou minha cintura e começou a movimentar os braços. Eu o acompanhei, realmente me esforçando.

Era incrível, acompanhar a batida realmente ajudava. Por incrível que pareça, eu estava me divertindo.

– Passe suas mãos pelo corpo. – Falou ele.

Eu não sabia ao certo como fazer, mas me lembrar dos vídeos musicais e filmes, me ajudou. Passei as mãos pelos cabelos e, lentamente, fui descendo pelos ombros até a cintura e, por fim, quadril, o qual aprendi a mexer um pouco.

Para minha surpresa, Felipe sorriu e balançou a cabeça, sinalizando um “muito bem”.

Não era tão difícil quanto eu imaginei. Certo que eu não estava dançando como uma profissional, mas dava para enrolar. Continuei mexendo um pouco os pés e o corpo, movimentando os braços e, por vezes, passando a mão pelo corpo.

Ficamos os dois lá dançando por alguns minutos. Ri mentalmente, imaginando que Felipe deveria estar chocado pelo fato de eu conseguir acompanhá-lo.

Então ele parou, pegando o controle remoto do meu som, e pulou algumas faixas, procurando uma música qualquer. Foi aí que começou a tocar “Next To You” ainda “Jordin Sparks.”

– Se tivermos sucesso hoje, Jake te convidará para dançar. Então, vamos ensaiar como você deve dançar a música lenta. – Disse Felipe, posicionando-se à minha frente.

O que eu tenho que fazer? Calma Helle! Calma!

Felipe pegou meus braços e colocou-os em volta do seu pescoço. Suas mãos logo foram para minha cintura. Fiquei um pouco nervosa, acho que pelo fato de não querer pagar mico outra vez. O ar que me faz respirar perdeu-se em algum lugar entre meus pulmões e garganta. O Cullen me encarou por um segundo e, surpreendentemente, ele não estava com seu típico sorriso zombador nos lábios.

– Respire! – Ordenou ele.

Abruptamente suspirei alto, o ar que saiu forte da minha boca foi de encontro ao rosto de Felipe, que piscou os olhos algumas vezes.

– Ainda bem que você escovou os dentes. – Disse ele, rindo.

Não resisti, a minha risada saiu naturalmente.

Felipe começou a mover-se de um lado para outro, vagarosamente. Meus pés acompanharam.

– Continue no ritmo Helle, você está indo bem. – Disse ele, puxando-me para si.

Ficamos dançando suavemente por cerca de um minuto, então Felipe afastou-se, pegou minha mão direita e me girou. Quando nossos rostos se encontraram mais uma vez, ele sorriu satisfeito. Provavelmente, se achando o melhor professor de dança do mundo.

Felipe, sutilmente, juntou seu corpo ao meu e, dessa vez, suas mãos ficaram em minhas costas.

Continuamos a dança. Eu adorava aquela música, só nunca esperei dançá-la com alguém, ainda mais com meu inimigo Felipe retardado Chang. Eu não sou o tipo de garota que curte dançar, que tem desenvoltura para isso. Porém, dançar ali, estava sendo surpreendentemente fácil e agradável.

Respirei profundamente e o perfume de Felipe adentrou minhas narinas. Não que ele fosse cheiroso, mas... bem... ao menos o perfume era muito bom. Qual seria marca? Provavelmente, Hugo Boss. Eu estava distraída tentando adivinhar o nome do perfume, quando algo inesperado aconteceu. Senti a mão de Felipe apalpando minha bunda.

Saltei para trás, embasbacada, e, para o meu azar, pisei na droga do pote de palavrão e meu corpo foi ao chão, me fazendo cair sentada.

– QUE PORRA VOCÊ ACHA QUE ESTÁ FAZENDO? – Gritei, horrorizada.

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