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   Capítulo 6 Pó de Mico

Ela problema X Ele solução Por gath_c Personagens: 15219

Atualizado: 2021-02-16 07:56


(Helena narrando)

O meu primeiro dia na Itália resume-se a roncos, sonhos bizarros de Carlos e e Esme casando-se e um pouco de baba no travesseiro. Ainda não havia me acostumado com o fuso horário e dormi o dia inteiro. No dia seguinte, no entanto, estava bem descansada e pronta para começar a operação “TERREMOTO”, esse foi o nome que dei ao meu plano de tornar a estadia dos Changs na Itália um verdadeiro inferno.

Eu observava Stephanie decorar seu quarto com cortinas, vasos de flores e um monte de frescurinhas cor de rosa. A lembrança de Felipe Chang me provocando ao me chamar de “fracote e pirralha”, só aumentava a minha certeza de que eu precisava afastar os Changs da vida de Carlos, pois jamais poderia aceitar um sujeitinho daquele como irmão.

Quando sentei-me na cama de Stephanie-fofolete, sabia que seria difícil colocar em prática todos os meus planos e eu precisaria de ajuda, alguém em quem pudesse confiar e Stephanie era a minha única amiga, porém, eu teria que ser muito persuasiva para convencê-la.

– Stephanie, você me ama? – perguntei com minha melhor cara de cachorrinho abandonado.

Stephanie, que arrastava um puff rosa pelo quarto, parou e me encarou confusa. Ela se aproximou, sentou-se ao meu lado e segurou minhas mãos carinhosamente.

– Olha, Helle, eu não sou preconceituosa, mas eu não levo jeito para ser lésbica. Além disso, somos primas.

Arregalei os olhos. O QUÊ? Ela pensa que sou lésbica? Puxei minhas mãos, já me estressando.

– Não estou falando desse tipo de amor, sua Fofolete! Estou perguntando se me ama como amiga! – Disse irritada.

Não era a primeira vez que alguém insinuava que eu era lésbica, e isso me chateava bastante. Só porque eu não fico por aí de amassos com um monte de caras babacas, não significa que sou lésbica.

– Ufa, que alívio! – Falou ela sorrindo. – Você sabe que é minha priminha favorita, te amo de montão.

– Eu preciso da sua ajuda. É importante! Por favor, me diga sim, me diga sim! Você promete?

– Prometo!

A louca estava caindo direitinho.

– Preciso da sua ajuda pra tornar a vida dos Changs impossível, quero enlouquecê-los até eles perceberem que nunca seremos uma droga de família. Então, Carlos não casará com a mosca morta da Esme e o meu pesadelo acaba. Topa? – Coloquei tudo de uma vez pra fora, já temendo sua reação.

O sorriso de Alice sumiu dando lugar a uma carranca de mandona que eu já bem conhecia.

– Helle, isso é muito egoísta... – Nesse momento tapei os ouvidos, mesmo assim Stephanie continuou com seu discurso que, graças a Deus, não estava entendendo nada além de um som confuso e sem nexo.

– #&&&%%%$$##/////((())SHAHAHANJH??()(=///&&%%$¨%$#$ – Tirei as mãos do ouvido para verificar se ela já havia encerrado seu discurso moralista. – Eles não podem ser tão ruins quanto você imagina, tem que dar uma chance as pessoas de…– Tapei os ouvidos novamente. Mas ela não cedeu e continuou: – IA&%$%A9999898a69696969#2”””"&&%A%A €€®€®®€...

– PORRA, CHEGA STEPHANIE! – Já não suportando, gritei.

Ela me encarou e seu lábio inferior começou a tremer, ela fez uma cara de quem ia começar chorar. Fala sério!

– Desculpa, Stephanie, é que eu não estou mesmo a fim de ouvir seu discurso agora, eu preciso de sua ajuda e não de sua aprovação. Você sabe que mesmo que você não tope ser minha parceira nessa operação, eu não vou desistir. – Eu estava falando sério.

– Não, Helle! Eu nem conheço direito os Changs. – Ela respondeu cruzando os braços emburrada.

Revirei os olhos. É, pelo visto eu precisava apelar.

–Você é minha melhor amiga, precisa ficar do meu lado incondicionalmente, além disso, eu assumo toda a responsabilidade. E te dou o que você quiser em troca.

Para minha surpresa, vi a expressão dela mudar de emburrada para interessada.

– O que eu quiser?

– Sim! – Confesso que respondi sem pensar.

– Dá a sua palavra?

– Sim, o que você quiser.

– Então eu topo. – Falou ela saltitando.

– Espera, o que você quer afinal? – Questionei curiosa.

– Em breve saberá, Helle, em breve. – O sorriso de fadinha encapetada me assustou um pouco. Mas tentei ignorar, afinal, eu havia conseguido o que queria. Uma aliada.

(...)

Foi fácil para nós conseguirmos as cópias das chaves dos quartos em uma gaveta de escrivaninha no escritório de Carlos. Precisávamos saber onde os Changs estavam para ter certeza de que poderíamos invadir os quartos sem sermos flagradas.

Carlos e Esme estavam trancados no quarto, e... MINHA NOSSA! Nem quero imaginar o que eles estariam fazendo. ECA!

Quando descemos para o andar inferior, notamos que a casa estava vazia, Stephanie me puxou em direção ao jardim e avistamos os rapazes Changs na piscina, acompanhados por Lucy, que usava um biquíni desnecessariamente ousado.

Felipe saía de dentro da piscina usando uma sunga preta. Ele sacudiu o cabelo sorrindo. Seu corpo era bem diferente do que eu havia imaginado. Não que eu tenha imaginado o corpo daquele idiota… é… bem… vocês entenderam!

As pernas dele eram moderadamente musculosas, peito e abdômen definidos e uma tatuagem de um leão no braço direito.

Meu olhos acompanharam uma gota de água que escorria de seu queixo, passando por seu pescoço e descendo livremente até seu umbigo.

– @@§€€&&%%$&/))/(&(%&$%#””jjahgdbvt§§§=0& – Falou Stephanie.

– Hein? – Perguntei, sem entender nada, ainda fitando Felipe.

Ela me deu um tapa nas costas e disse…

– Eu perguntei se você está admirando a paisagem. – Ela riu.

– Sim. Quer dizer, não… é…– Realmente não soube o que responder e isso provocou risos histéricos em minha prima.

– Olha o Mario ali. Nada mal. – Sussurrou Stephanie.

Nós fitamos o rapaz loiro de bermuda e camiseta sentado em uma cadeira de praia, com os olhos fechados e um livro na mão. TÁ CHAPADO. Pensei.

Vincent conversava com Lucy e, por um momento, me perguntei que tipo de conversa aqueles dois poderiam ter, mas a única coisa que pude ouvir foram as gargalhadas altíssimas de Vincent. Aquilo me causou arrepios na espinha, ainda acreditava na possibilidade de ele ser um Serial Killer.

– O que vamos fazer? – Perguntou minha prima.

– Acho que é uma boa hora para colocar meu plano em prática. –Disse, arrastando Stephanie para dentro da casa.

(...)

O primeiro quarto que invadimos, graças as cópias das chaves de Carlos, foi o de Vincent.

Era uma bagunça, roupas espalhadas pelo chão, revista pornográfica jogada na cama, latas de cerveja no criado mudo e pesos de musculação encostados em um canto de parede.

– Tudo bem, agora que estamos aqui, o que você pretende? Arrumar esse chiqueiro? – Perguntou Fofolete com as mãos na cintura.

Eu ri.

Tirei de dentro da sacola plástica que carregava um pote com rótulo impresso com letras garrafais “PÓ DE MICO“.

– Aí. Meu. Deus! Esse pó vai causar coceiras terríveis neles, eu não vou nem querer ver. – Disse Stephanie com os olhos quase saltando pra fora.

Mesmo sem vontade, Stephanie me ajudou a espalhar um pouco do pó de mico nos lençóis bagunçados de Vincent, então, nos dirigimos ao closet. Não foi nenhuma surpresa ser tão bagunçado quanto o resto do quarto. Jogamos mais pó de mico no emaranhado de roupas.

– Olha só isso! – Quase gritou Stephanie ao tirar de dentro de uma gaveta uma cueca com estampa de oncinha. – Aquele Vincent, hein?! – Ela girou a cueca no dedo indicador e caímos na gargalhada.

Fiquei surpresa em não achar no quarto daquele homem enorme instrumentos de tortura ou armas letais. Não é isso que assassinos em série usam?

(...)

A próxima vítima foi Mario. Dessa vez, Stephanie pareceu empolgada pra invadir o quarto.

Quando entrei, tive que controlar um estranho impulso de sair bagunçando tudo.

O quarto era extremamente organizado, os travesseiros milimetricamente alinhados, a coxa branca sem nenhuma ruga e livros empilhados cuidadosamente no criado mudo.

Invadi logo o closet, enquanto Stephanie lia os títulos dos livros de Mario. Por um momento me perguntei onde ele escondia a maconha, mas esse pensamento foi interrompido pela visão de um closet organizado, limpo e com gavetas personalizadas com etiquetas coloridas, assinalando para quais tipos de roupas eram usadas. As roupas eram divididas por cores, marcas e até tamanho. Ele deveria ter algum distúrbio obsessivo por limpeza e organização.

– Maconheiro maluco! – Foi a única coisa que consegui sussurrar.

– Temos mesmo que fazer isso? Mario não fez mal nenhum a você. – Falou a Fofolete atrás de mim.

– Não interessa, ele é um Chang, não vou deixar passar! – Falei, já colocando pó de mico cuidadosamente nas roupas de Mario para que ele não percebesse a invasão.

(...)

Por último, adentramos no quarto de Felipe, agora, o Chang que eu mais odiava devido a provocação idiota no corredor, enquanto eu tentava carregar minha bagagem. Ah, ele pagaria.

O quarto mais parecia um misto da bagunça de Vincent com a organização de Mario. A cama mal arrumada com um laptop jogado no meio, três livros no criado mudo ao lado de um porta-retrato com a foto dos Changs e um violão preto em um canto de parede. Mas, não era um simples violão, era um Takamine Folk semiacústico, o tipo de instrumento que eu compraria pra mim.

– Anda logo Helle, alguém pode chegar! – Disse Stephanie, já se direcionando para o closet. Eu a segui.

As roupas eram organizadas apenas por cores e foi fácil espalhar o pó de mico, já que não precisava ser tão cuidadosa quanto fui no quarto de Mario. Meu prazer naquele momento era imensurável.

Mal podia esperar pra ver Felipe Chang com coceiras incontroláveis e sem saber porquê. Claro que com ele, eu iria exagerar no pó de mico. Ele merecia.

Quando acabamos com o closet, voltamos ao quarto para espalhar muito pó de mico pela cama. Foi quando ouvimos uma voz no corredor.

– Eu não demoro Lucy, vou só tomar banho para tirar o cloro. – Vi Stephanie ao meu lado ficar branca que nem papel.

Droga, e agora?

Para minha sorte, eu havia trancado a porta quando invadimos, e o tempo que Felipe levou pra girar sua chave na fechadura, foi o tempo exato para empurrar Stephanie debaixo da cama e me socar lá também.

Ouvimos Felipe entrar no quarto. Stephanie parecia que ia ter um troço a qualquer momento, e não era a única. Conseguimos ver parte das pernas do Chang, ele devia ter vindo direto da piscina.

Fiquei chocada quando vi a sunga preta cair para seus pés, em seguida, chutou-a para o lado. Stephanie soltou uma risadinha irritante.

– Podemos dar uma espiadinha? – Sussurrou ela no meu ouvido.

Lancei lhe um olhar assassino e quase gritei.

TÁ LOUCA?

Que sacanagem! Era a segunda vez que ficava em uma situação constrangedora com Felipe. Por que isso sempre acontece comigo?

Nota mental: ir a uma sessão de descarrego de uma igreja que vi na TV.

– Vamos dar só uma espiada. – Mais uma vez sussurrou Stephanie, se arrastando para fora, quase saindo do nosso esconderijo. Eu a puxei com violência para perto de mim. Nesse momento, o celular de Felipe tocou e ele sentou-se na cama e começou a papear.

Nós ainda podíamos ver sua panturrilha.

– Oi Jake, valeu por retornar a minha ligação. Sim cara, eu estou em Verona.

Stephanie, que me pareceu muito tarada, começou a cantarolar baixinho no meu ouvido...

– Vamos ver o pintinho do Felipe, vamos ver o pintinho do Felipe…

CARA, A STEPHANIE VAI MORRER, EU JURO!

– Jake, você ainda esta promovendo aqueles rachas? – Felipe fez uma pausa para ouvir a pessoa do outro lado da linha. Eu queria sair correndo daquele quarto, e ele conversava tranquilamente?

– Ah, deve ser brincadeira, agora você vive disso? Cara, eu tenho que ver isso com meus próprios olhos. Me manda um e-mail com seu endereço que, em breve, passo aí. Vai ser bom recordarmos os velhos tempos.

Felipe se despediu do amigo e caminhou para o banheiro. Stephanie e eu respiramos aliviadas. Era agora ou nunca!

– Corre, Stephanie!

Eu saí pelo lado direito da cama e Stephanie pelo esquerdo, a porta não estava trancada e isso facilitou nossa fuga.

Já fora do quarto, vi a fofolete levar a frase “Corre, Stephanie” a sério demais, pois continuou correndo em direção ao andar inferior. Eu ia segui-la, mas notei o vazio em minhas mãos.

DROGA, CADÊ O PÓ DE MICO?

Retornei o mais rápido que pude para o quarto de Felipe, me joguei no chão e alcancei o pote embaixo da cama. Já estava saindo pela porta quando...

– Helle?

O susto me fez virar e encarar Felipe. Meus olhos arregalaram e o pote em minhas mãos deslizou para o chão no momento que o vi pelado. Era a primeira vez que eu via um homem nu, pelo menos ao vivo e a cores, e era bem diferente do que eu imaginava, muito diferente, devo frisar.

– O que está fazendo aqui? – Perguntou ele sem o menor vestígio de constrangimento.

Rapidamente, apanhei o pote do chão, me virei e fechei a porta violentamente, deixando o Chang sem resposta dentro do quarto.

Bufei e joguei todo o peso do meu corpo contra a porta atrás de mim. Nunca fiquei tão constrangida, meu rosto devia estar tão vermelho quanto uma pimenta malagueta. Queria sumir do mapa, queria que um buraco negro se abrisse na minha frente só pra eu nunca mais ter que encarar Felipe. Eu sabia, que nunca, nunca, nunca mais aquela imagem do Chang pelado ia sair da minha mente. Agora, a sessão do descarrego me pareceu ainda mais atraente.

– Aiiiiii! – Gritei quando senti que a porta atrás de mim havia sumido e meu corpo ia de encontro ao chão.

Doeu quando minha cabeça bateu no chão. Pisquei os olhos tentando me recuperar, Felipe, graças a Deus, já estava coberto com uma toalha. Para meu azar, o peito ainda estava descoberto. Ele ainda segurava a maçaneta da porta e prendia o riso com aquela cara de panaca.

– Agora vai responder o que estava fazendo no meu quarto?

– Eu... eu... tava... eu... – Merda! De onde veio essa gagueira?

Queria me chutar, mas tudo que consegui foi inventar a mentira mais deslavada que já contei.

– Eu vim perguntar se vocês vão sair essa noite... É isso! Entrei sem bater e vi que você não estava. Aí... aí... hum... – Gagueira de novo, não!

Ver o peito de Felipe desnudo só fixava ainda mais na minha mente a imagem dele pelado... vou ter pesadelos... ou não. Não importa!

– Aí... aí... hum...? – O idiota imitou a minha voz, se divertindo com aquela situação.

– Aí, você já sabe!

– O pessoal quer ir a um clube noturno ou algo do tipo. Está querendo se enturmar, Huo? E o que é esse pote em suas mãos?

Disfarçadamente, encobri o rótulo com a mão e, com o sorriso mais amarelo que dei na minha vida, respondi.

– Ah... ah... creme de cabelo.

– Ah... ah... e pra que você quer isso? – Perguntou ele mais uma vez me imitando.

FALA SÉRIO, QUE ANORMAL!

– Me imite mais uma vez e eu vou... vou...

– Vai... vai...? – Ele soltou uma gargalhada.

Cara, porque eu ainda tô deitada e servindo de piada pra esse jumento?

– Idiota! – Gritei quando levantei. Saí deixando ele gargalhando sozinho.

(...)

Stephanie e eu éramos as únicas já sentadas à mesa de jantar, esperávamos impacientes pelos outros que ainda não haviam descido. Stephanie batia irritantemente as unhas contra a madeira da mesa, e eu já estava para explodir em uma crise de ansiedade.

– AAAAAAAAAAAHHHHHH!!!!!!!! – Fofolete e eu nos encaramos já sabendo o motivo do grito que vinha de um dos quartos.

– É agora, fudeu! – Sussurrou Stephanie pálida.

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