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   Capítulo 5 É Itália, Baby!

Ela problema X Ele solução Por gath_c Personagens: 12631

Atualizado: 2021-02-15 08:54


(Felipe narrando)

Eu tentava relaxar na poltrona do avião enquanto Vincent tagarelava ao meu lado sobre umas moças à nossa frente. Sinceramente, não estava nada empolgado com essa viagem, e olha que adoro viajar, pegar minha mochila, sair por aí sem um destino.

Carlos estava bancando todos os custos da viagem, ainda assim, me sentia desconfortável sempre que lembrava que passaria três longos meses morando com os Huo.

Eu sabia que minha mãe, Esme, precisava do meu apoio e ajuda e eu não a desapontaria. Esme sempre foi uma excelente mãe, muito mais do que eu e meus irmãos merecíamos. Ela nos tirou de um orfanato na Inglaterra e cuidou de nós como se fôssemos seus filhos biológicos, mesmo sendo tão jovem. Ela nunca nos separou, nunca nos fez sentir rejeitados pela sociedade. Nós éramos apenas os Chang. Bem, agora seremos os Chang e os Huo.

Não me entenda mal, eu gosto do Carlos mesmo o conhecendo pouco, mas pelo que pude perceber, ele é um homem íntegro e disposto a manter um relacionamento sério com minha mãe. Nunca fui contra qualquer relacionamento de Esme, na verdade, nunca fui contra nada que ela decidisse.

Mesmo Vincent sendo o mais velho entre nós, Esme sempre me considerou o mais maduro. E olha que eu só tenho 21 anos. Ela não era a única a ter essa opinião, os meus professores da Universidade também.

Confesso que isso chega a ser engraçado, pois os professores acham que eu tenho mais de 21 e as mulheres pensam que tenho uns 17.

Mulheres. Eu não as acho complicadas como muitos homens afirmam. São criaturas divinas e fáceis de agradar. Basta usar as palavras certas, acompanhadas por o tom de voz adequado.

Exemplo:

– Nossa, você está linda. Perdeu peso?

Ou pode-se usar uma frase que geralmente dá certo comigo.

– Tem outra dose dessa Vodca no meu quarto.

Desculpe minha falta de modéstia, mas não preciso me esforçar muito para prender a atenção de uma garota e nem preciso fingir que vou ligar no dia seguinte, já que geralmente deixo claro que não estou interessado em relacionamentos.

Você pode pensar que eu sempre fui assim, mas está enganado. Extremamente enganado.

Passei realmente a ser Felipe Chang aos 16 anos, antes disso eu era conhecido pelo apelido tenebroso de “FELIPINHU”.

Fala sério, eu tenho 1.85m! FELIPINHU?

Com 14 anos eu era um CDF, usava aparelho dental que me impedia de pronunciar as palavras corretamente, óculos de grau desconfortáveis e meu melhor amigo era Vincent, aliás, ainda é.

CARA, QUE AZAR!

Vincent nessa época pegava demais no meu pé, ele queria que eu conhecesse garotas, alegando que eu estava a um passo da viadagem.

Porque isso?Me acompanha nessa lembrança.

#FELIPINHU em cidade Y#

– Entra logo nesse quarto, sua bicha! – Resmungou Vincent me empurrando para dentro do quarto de Tânia Crown, uma loira oxigenada popular no colégio. Ela tinha 18 anos e me assediou durante toda a festa, obviamente bêbada.

O som da música alta no andar inferior estava me deixando ainda mais nervoso, minhas mãos suavam e meu corpo tremia levemente.

– FELIPINHU... – Tânia cambaleou em minha direção segurando um copo descartável com rum.

– Vem cá bebê, deixa eu dar um trato em você. – Isso foi dito em meio a soluços, nada sexy. – Toma, bebe esse rum!

– Obrigado, eu não bebo. – Respondi educado, ajustando os óculos.

– Bebe logo essa porra! – Gritou ela.

O que eu faria? Bebi tudo em um gole grande.Minha garganta queimou, meus olhos quase saltaram para fora e me faltou ar. A garota bêbada gargalhou.

– Vem cá, FELIPINHU! – Tânia me puxou pelo colarinho da jaqueta jeans e me jogou contra a parede. Aquilo realmente doeu. O que me apavorava naquele momento era pensar que perderia a virgindade com uma bêbada que provavelmente tinha algum distúrbio sexual. Poxa, eu tinha apenas 14 anos.

– Escuta, Tânia, você não está muito bem, vamos deixar isso pra depois. – Falei, já me dirigindo a porta, louco pra fugir.

– Não fuja! – Gritou ela se jogando em minhas costas. Isso nos fez cair pesadamente no chão, meus óculos voaram para longe e ela tratou de aproveitar aquele momento para montar em cima de mim. Caraca, mulher bêbada fica forte!

Eu só conseguia pensar em três coisas.MATAR VINCENT, TRUCIDAR VINCENT, ESTRAÇALHAR VINCENT.

– Fica quieto, seu bicha, não vai doer!

Pois é. Eu fui praticamente estuprado. Não fiz nada direito e não consegui aproveitar muito minha primeira vez, já que ela gritava ao meu ouvido que eu era um CDF bicha.

– FELIPINHU... – Soluçou com um bafo terrível de rum. – Me bata!

– O que?

– ME BATA, DROGA!

– Eu não vou bater em você, sua louca! Psicótica!

– Então eu bato! – Ela me deu um tapão no meio da cara que ardeu como fogo. É, foi totalmente brochante.

***

Bem, é melhor pararmos por aqui, acho que já deu pra ter um vaga noção de porque eu realmente odeio ter sido o FELIPINHU.

Após os 16, as coisas melhoraram muito. Passei a sair com garotas sóbrias e principalmente adotar um visual despojado que eu realmente aprecio. Com o tempo, ficou fácil me tornar homem sedutor.

Minhas lembranças e pensamentos foram abruptamente interrompidos pela sensação instantânea de cegueira, ao sentir a luz ofuscante do flash de um máquina em meus olhos.

– Droga, Vincent, seu idiota! O que você está fazendo? – Resmunguei esfregando o rosto.

– É ITÁLIA, BABY! Vou fotografar tudo. – Respondeu ele entusiasmado.

– Sério, se você tentar me cegar novamente com essa máquina idiota, vou lhe enfiar ela onde o sol não bate.

– Relaxa, Felipe, É ITÁLIA, BABY!

– O que você tem dentro dessa sacola? – Perguntei, vendo o embrulho no colo do meu irmão.

Ele riu e rapidamente tirou duas camisetas vermelhas com uma bandeira dos EUA estampada no peito.

– Gostou? É uma pra mim e outra para você.

– Vincent, você sabe que a Europa não fica dentro do EUA, certo? – Não era a primeira vez que eu me questionava se Vincent era burro ou apenas tinha batido a cabeça demais quando criança.

– Deixa de ser tapado, Felipe, a gente não vai pra Europa, a gente vai para a Itália. – Ele gargalhou tão alto que todos à nossa volta nos fitaram aborrecidos.

Meu Deus, preferi nem corrigir Vincent, seria difícil lhe explicar que Europa é um continente, quando ele pensa que continente é apenas o nome de um supermercado.

– Então, Vincent, qual o motivo das camisetas?

– As italianas adoram os americanos.

Só estou facilitando nossa vida, tornando mais fácil para elas nos notarem. Não é uma idéia brilhante?

– Com certeza! – Respondi ironizando. – Já que é para chamar a atenção, porque você não comprou logo uma daquelas cartolas do Tio Sam com muitas estrelas e listras?

– Tipo essas daqui? – Perguntou ele, tirando duas cartolas de dentro da sacola.

Mal consegui acreditar no que meus olhos viam. Cara, o que Vincent tem na cabeça?

– Anda, veste logo sua camiseta, Felipe. – Riu Vincent, enquanto passava seus braços grandes para dentro da camiseta.

Bufei e revirei os olhos.Pensei em asfixiar Vincent com a camiseta, mas como diz aquele ditado... Já que está no inferno, abraça o capeta.

Vesti a camiseta e coloquei rindo a cartola pavorosa na cabeça.

Vincent e eu nos encaramos sérios por um segundo, aquela visão certamente não iria sair de nossas mentes tão cedo.

– É ITÁLIA, BABY! – Nossas vozes saíram como uma só e nossas gargalhadas foram altíssimas.

– Hum, deixa eu adivinhar... Americanos? – Perguntou Stephanie sorrindo, de pé ao nosso lado.

– Minha ideia! – Disse Vincent apontando pra si mesmo orgulhoso.

– Gostando da viagem, Stephanie? – Perguntei.

– Não curto muito aviões, me dá um medinho.

– Bebe uma cerveja, ajuda. – Disse Vincent, estendendo seu copo. Stephanie, para minha surpresa, aceitou.

– Me responde uma coisa: o irmão de vocês, Mario, é assim, sempre tão quietinho?– Stephanie olhou, disfarçadamente, em direção ao meu irmão que estava sentado ao lado de Lucy, próximo ao corredor. SORTUDO.

– Ele é um pouco tímido, ele geralmente só fala se você iniciar a conversa. – Mario sempre foi assim, preso no seu próprio mundinho. Vincent e eu por várias vezes tentamos ajudar ele a se soltar, mas Mario tem muita convicção de sua personalidade, não se deixa ser influenciado.

– Hum, porque todo esse interesse, hein, mocinha? – Brincou Vincent. Stephanie instantaneamente ficou rubra, estava tão constrangida que nem mesmo nos encarou. Tive que cotovelar Vincent. Do contrário, ele prolongaria aquele assunto.

– Stephanie, posso fazer uma pergunta? Me responde sinceramente?

– Claro, Felipe! – Disse ela, já sorrindo.

– Não me entenda mal, mas o que podemos esperar dos Huo? – Não consegui disfarçar minha curiosidade.

– Bem, o Carlos é um amor de pessoa, sempre calmo, sempre prestativo. Logo vocês vão adorá-lo. Lucy é um pouco mimada e bastante vaidosa. Ás vezes ela acha que é dona do mundo. Mesmo assim, ela consegue ser agradável quando quer. Quanto a Helena... – Stephanie suspirou antes de continuar. – Pode não parecer, mas somos melhores amigas, aliás, acho que sou a única amiga dela. Hele tem todo aquele jeitão antipático, rebelde, irritante e desbocada, mas no fundo, bem no fundo mesmo, ela é só uma garota gentil e doce.

Todos nós esticamos o pescoço para conseguir observar Helena, algumas poltronas à nossa frente. A descrição que Stephanie fez da garota não se encaixava em nada com a descrição que eu mentalmente já havia formulado. Mesmo assim fiquei curioso, poderia Stephanie estar certa?

Por incrível que pareça, a garota jogava amendoim em um menino de apenas 6 anos que, furioso, revidava jogando-lhe também, amendoins.

Os amendoins do pobre menino finalmente acabaram. Helena deu um largo sorriso mostrando o dedo em um gesto extremante grosseiro em direção ao menino, que abriu o berreiro enquanto puxava a manga da blusa de sua mãe. Esta, distraída, conversava com um senhor ao seu lado.

– É, talvez eu tenha exagerado um pouquinho no doce e gentil. – Sussurrou Stephanie, ainda fitando sua prima.

BOTE EXAGERO NISSO! Exclamei mentalmente.

Finalmente, Itália. Verona era simplesmente espetacular no verão. Nada parecia mais perfeito. A Casa de Carlos era exuberante, muito bem decorada e ostentando luxo. Não fazia a menor ideia que ele possuía um imóvel tão gracioso. Carlos aparentava possuir muito mais dinheiro do que eu imaginei.

O casarão tinha dois andares, várias suítes, sala de visitas, sala de jantar, cozinha, salão de jogos, deck, uma garagem enorme, um jardim florido, piscina gigante, e por fim, uma sala com vários instrumentos musicais. Quem daquela família poderia ser músico? A resposta não me importou muito, afinal, eu poderia voltar a tocar nessas férias meus instrumentos favoritos: piano, bateria e violão.

Finalmente havia desfeito as malas. Organizar minhas coisas no meu novo quarto não foi tão fácil quanto imaginei.

Deitado com os olhos bem fechados, ouvi o ruído ensurdecedor de aço sendo arrastado no chão. Rapidamente, levantei-me e me deparei com Helle tentando arrastar uma mala tão grande que, seria possível ela caber inteira ali dentro.

– Está arrastando essa mala? – Perguntei, surpreso com a cena.

– Não, estou encerando o chão! – Respondeu a grosseria em pessoa.

– Quer ajuda?

– Sua? AHAHAH. NÃO! – Respondeu ela, ainda tentando sem sucesso, mover a mala.

Revirei os olhos e cruzei os braços para observar até onde ela iria com aquele orgulho.

Helena suava enquanto empurrava a mala em direção o quarto ao lado do meu. Para a minha diversão, a mala não moveu um só centímetro. Eu sabia que uma hora ela ia ceder.

– Vai pedir minha ajuda agora? – Eu já estava ficando impaciente.

– Nem morta! Quem precisa de roupas, afinal? – Helle chutou a mala, furiosa. Segurei o riso.

Naquele momento, ela não pareceu uma grande ameaça à minha mãe. Afinal, ela era só uma garota de 17 anos que não conseguia carregar a própria bagagem

– Você é muito fracote, garota, desista. Eu aposto 50 dólares que você nunca vai conseguir levar essa mala para o quarto sozinha.

Helle me encarou com olhos semicerrados, seu queixo tremeu um pouco, com nítida fúria e revolta.

– Aposte 100, seu babaca!

Eu ri.Vai! Força, pirralha! – Sem poder me conter, provoquei

Helle bufou.

Achei que ela fosse chutar a mala mais uma vez, ou chutar a mim. Para minha surpresa, Helle abriu a mala e rapidamente começou a jogar toda a roupa pelo corredor, espalhando-as sem se importar. Inclusive, uma de suas camisetas horrorosas, veio parar na minha cabeça. Em menos de dois minutos, a mala já estava vazia e Helle a puxava tranquilamente para o quarto.

DROGA!

– Você me deve 100 pratas, seu Chang burro. –Disse ela rindo, ao entrar no quarto. Em seguida, bateu a porta com força.

Sério! GAROTA INSANA! Eu não mereço!

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