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   Capítulo 2 Helena problemática

Ela problema X Ele solução Por gath_c Personagens: 10690

Atualizado: 2021-02-15 05:05


– Definitivamente, Verona-Itália é linda, nunca imaginei que um lugar assim fosse capaz de me encantar. – Suspirei, perdida em pensamentos, sentada na varanda do jardim agarrada a minha tão amada guitarra, um maravilhosa Fender Estratocaster vermelha.

Falei “encantar”? Espera! Estou começando a falar como a Stephenie, saco! Isso é o que dá ficar tempo demais perto daquela fofolete. Não consegui conter o riso lembrando da cara da minha prima Alice quando comecei a lhe chamar de fofolete.

Meu momento de quase alegria foi interrompido pelo barulho de passos firmes e largos em direção a minha digna pessoa. Virei-me e pude ver a imagem de meu inimigo, meu perseguidor e desafeto. O cara mais imbecil da face da Terra vindo em minha direção com um balde de água em suas mãos. Que estranho.

Por um segundo pensei em como poderia descrever aquela criatura sem usar palavras de baixo calão, deixe-me tentar...

Alto, alguns músculos, cabelos em uma tonalidade estranha de cobre tão bagunçado quanto o cabelo de alguém que acabou de levar um choque elétrico, olhos verdes, sorriso irônico, e uma cara de panaca convencido. Sim, esse é Felipe Chang em pessoa. Gostou? Fica pra você, esse tipinho é chave de cadeia.

Ele é o sujeitinho mais retardado e medíocre que eu já tive o desprazer de conhecer.

– Helena Huo, sua pirralha mimada, você não sabe com quem se meteu. Só porque você é filha do Carlos, eu não vou permitir que você apronte por aí com todo mundo, se é guerra que você quer, é guerra que você vai ter! – Felipe falou furioso, me fitando como se fosse me estrangular. Ui! Até parece que tenho medo.

– Ah, ah, ah! Que foi FELIPINHU? Tá com raivinha, é? – Enfatizei bem no FELIPINHU, pois eu sei que ele odeia. – Você é grande, mas não é dois, eu encaro!

– Encara isso! Ele jogou toda a água que havia no balde na minha cara, senti a água entrando pela minha boca, pelo meu nariz e engasguei sem poder revidar. Estava encharcada, a água escorria pelos meus longos cabelos castanhos bagunçados e minha blusa preta do Bon Jovi estava colada a minha pele alva. Queria usar toda a minha força para estraçalhar Felipe Chang, ou melhor, o FELIPINHU filho da p…

Onde está ele? Eu vou matar, juro! Onde está aquele infeliz? Hoje vai ter carnificina. Minha respiração estava acelerada, meu corpo tremia e eu sabia que iria explodir em pura raiva destinada somente àquele imbecil. Não o vi em lugar algum, ele deve ter ido embora, enquanto eu tentava parar de engasgar.

Não, não posso ser burra agora, não depois de tudo que eu fiz. Eu preciso pensar com cautela, preciso colocar as idéias no lugar, pois se a guerra entre mim e os Chang está declarada eu preciso de boas estratégias e muita perspicácia.

TUDO BEM, SEI QUE VOCÊ NÃO ESTÁ ENTENDENDO NADA E SE PERGUNTANDO DE ONDE VEIO TODO ESSE ÓDIO ENTRE MIM E OS CHANG. BEM, ESSA É UMA LONGA HISTÓRIA. ENTÃO, RELAXA E VAMOS VOLTAR UM POUQUINHO NO TEMPO, ACHO QUE DUAS SEMANAS ATRÁS ESTÁ BOM…

#Duas semanas atrás em Cidade Y.#

Subi as escadas que levam ao meu quarto eufórica jogando minha mochila velha para um canto qualquer do meu quarto, mal consigo acreditar que as aulas finalmente acabaram e por um milagre, saí do ensino médio. O ensino médio foi um inferno, porque pra mim…

Ensino médio = Detenção

Entenderam?

Passei quase todo ano vegetando na detenção, e juro que se meu pai Carlos não fosse um bem sucedido médico, dono de uma clínica respeitadíssima em Cidade A, eu já teria sido expulsa do colégio simplório dessa pacata Cidade Y.

Eu não acho que mereci ir para a detenção tantas vezes. Ok, talvez uma ou duas vezes. Eu não sou uma garota comum. Na verdade, a palavra comum para mim é um insulto.

Eu acho que o fato de eu falar o que eu penso foi a causa de eu ir para a detenção a maior parte das vezes, é que, simplesmente, não suporto perguntas idiotas, ou não consigo conter minha personalidade… hum, forte. É, acho que posso definir assim.

Quer um exemplo?

#Cidade Y School#

Eu tinha certeza que estava em sala de aula, ouvi meu nome ser chamado várias vezes, mas não tinha a menor vontade de olhar pra cima, afinal, eu estava em um cochilo tão gostoso com minha cara enfiado em um livro. Acho que eu ouvi o diretor McLean reclamar que estava dando um aviso importante.

– Srta. Huo está dormindo? – Gritou o homem chato.

– Não, estou treinando pra morrer!

– Já para a detenção, Srta. Huo. – Disse ele, furioso.

– Merda, McLean! Justo agora? – Resmunguei e ele me fitou incrédulo, já ficando vermelho.

#Exemplo 2#

Estava na fila do almoço, pronta para passar pra dentro mais uma gororoba gordurosa qualquer. Estava entediada, daria qualquer coisa por uma cerveja naquele momento, só para relaxar, vocês sabem.

Atrás de mim estava Lucas Jang, o típico colegial sem cérebro que só quer saber de conquistar menininhas fúteis e sem amor próprio que precisam de alguém como ele para se sentirem completas acreditando na tolice de amor adolescente. Saco!

– Continua andando, Huo, eu quero sair dessa fila hoje. – Ele falou impaciente.

– Não estou com pressa. – Respondi indiferente.

– Cara, essa sua calça xadrez é assustadora. – Lucas riu baixinho.

– Mas, eu acho que o corpinho dentro dela talvez dê para aproveitar. – Sussurrou ele ao pé do meu ouvido roçando a mão na minha bunda.

De supetão, me virei, encarei aquele sorrisinho prepotente e não p

ensei duas vezes: cerrei o punho e com toda a força do meu braço soquei aquela carinha de ninfomaníaco. Quando percebi, Lucas já estava cambaleando com o nariz sangrando.

Rapidamente, peguei o prato de uma menina qualquer que estava próximo a mim e joguei em direção a Lucas. Infelizmente, o pedaço de pizza que estava no prato voou em direção a Lauren, uma fútil líder de torcida que ficou horrorizada ao ver sua camisa branca manchada com molho de tomate e queijo. Mesmo conhecendo ela pouco, eu sabia que ela iria revidar, e foi justamente o que ela fez. Pegou um pedaço de bolo de chocolate de um rapaz sentado à mesa próximo a nós e veio em minha direção. Felizmente, ela escorregou no resto de pizza no chão e o bolo voou atingindo uma loira da equipe de natação que simplesmente odeia as líderes de torcida. Juro que não sei como, mas em questão de segundos, pedaços de comida voavam por todo o lado no refeitório, algum palhaço gritou:

– BRIGA!

Cerca de 10 minutos depois, o diretor McLean já havia contido o alvoroço, o refeitório estava uma imundice, comida para todo o lado e por um milagre, eu fui a única que estava intacta já que eu me escondi debaixo da mesa. Achou o que? Eu não sou nem besta.

– Quem é o culpado por essa desordem? – Altivo, perguntou o diretor

Ok, eu sou uma besta. Saí do meu esconderijo justamente nessa hora. Umas 10 pessoas apontaram para mim ao mesmo tempo, que sacanagem!

– Srta. Huo. Detenção! – Gritou ele com uma veia nítida pulsando em sua fronte.

– Merda! – Resmunguei.

#--------#

É, chega de exemplos! Acho que vocês já entenderam como minha vida estudantil foi um fiasco. Voltando ao meu quarto, meu refúgio e meu santuário, alguém bate a porta. Saco!

– Helena, preciso falar com você. – Foi agradável ouvir a voz do meu pai Carlos, mas algo no tom que usou quando proferiu as palavras “preciso falar com você”, me fez sentir que algo estava para acontecer, algo nada bom.

Abri a porta do quarto me rendendo à vontade do meu amado pai. Carlos não é o tipo de pai convencional, a menos que seu pai pareça um modelo da Calvin Klein.

Carlos conheceu minha mãe Alice quando tinha apenas 16 anos. Ela era mais velha do que ele. Já havia gerado minha irmã Lucy, mas isso não evitou que eles se apaixonassem perdidamente e eu sou fruto dessa paixão, digna de uma obra literária.

– Pode falar, Carlos. – Eu não chamava ele de pai desde os 12 anos, era estranho os olhares em minha volta quando o chamava de pai em público. De qualquer forma, eu também me sentia muito infantil chamando-o de papai.

– Pode falar, PAI. – Ele tentou me corrigir deixando transparecer em sua expressão facial o seu desagrado pelo fato de não lhe chamar de pai, mas tudo bem, eu já estava acostumada, ele sempre reagia assim.

– Então, o que é importante?

– Quero que desça para jantar hoje descentemente. Por favor, não se vista como um garoto de 15 anos. Meus convidados são importantes.

Carlos, Lucy e minha prima fofolete Stephenie, sempre me enchiam o saco criticando o meu visual descontraído, original e que se falasse provavelmente gritaria“Rock n´Roll”.

Eu não me importo nem um pouco em vestir jeans largos, tênis, camisetas largas e muitas vezes, boné. Me sinto à vontade com essas roupas e não fazia o menor sentido bancar a Barbie consumista para agradar aos demais.

Sempre que Stephenie me dava um vestido, eu jogava no fundo do closet sem nem mesmo olhar o presente. Pois tudo que passava em minha mente era a necessidade ridícula que as mulheres sentem de se produzirem para chamar atenção dos machos da espécie. Pra mim, parece um costume bárbaro de uma sociedade machista tentando induzir as mulheres a serem apenas objetos de desejo medíocre de rapazes ignorantes. Eu sei, isso tudo soa feminista, talvez eu seja, não parei para pensar nisso ainda.

– Eu vou recusar seu convite. – Eu realmente não estava interessada em jantar com os amigos da alta sociedade de Carlos.

– Isso não é um convite mocinha, é uma ordem. – Carlos cruzou os braços contra seu peito. Odiava quando ele fazia aquilo, significava que ele não iria ceder.

– A sua namoradinha vai estar nesse jantar?

– Você sabe muito bem que Esme virá.

Uma das coisas que realmente me tiram do sério é esse namoro de Carlos com Esme Chang. Não sei o que ele viu nessa mulher, ela é tão simples, meu pai merecia algo melhor. Sempre que eu via Carlos e Esme, eu sentia uma ponta de dor que não conseguia saber de onde vinha. As lembranças de minha mãe Alice sempre se misturavam em minha mente, algumas poucas memórias dos dois juntos, agarradinhos como um casal feliz antes da leucemia sugar toda a vida do corpo da minha mãe. Mesmo já tendo passado 7 anos desde sua morte, eu não havia superado por completo essa grande perda. Minha maior perda… Acho que parte de mim morreu com minha mãe e a parte que ficou se tornou essa Helena que todos julgam problemática.

Antes de Esme aparecer na vida de Carlos eu o sentia próximo de mim, ele era meu amigo, meu pai, meu confidente, meu porto seguro. Agora com essa Chang na vida dele eu sentia que estava sendo colocada em segundo plano, um segundo lugar que é impossível de aceitar. Eu não sei o que Esme fez com a cabeça de meu Carlos, mas agora ele agia de forma rígida comigo, me colocando limites desnecessários.

– Eu não vou jantar com essa mulher e seus convidados nem morta!

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