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   Capítulo 6 A verdade

A Dama do Marajó Por Milah Torres Personagens: 5824

Atualizado: 2021-01-13 08:48


Pedro parecia sério, fiquei meio apreensiva já que nunca havia visto aquela expressão em seu rosto. Foi então que ele sentou ao meu lado e começou a falar...

_ Ise preciso voltar a Belém por uns dias, um mês no máximo, houve um problema com minha documentação na universidade, preciso colocar em ordem, e parece que a apresentação da minha tese do mestrado foi antecipada, ainda é preciso finalizar algumas coisas, preparar os slides, não posso fazer isso aqui já que todo meu material está lá. Vou pedir ao Vincent que fique de olho em você sempre que puder, já que ele está aqui para concluir alguns estudos para a tese dele, por favor ajude ele no que for preciso.

Pedro silenciou por um instante, me olhou nos olhos fixamente, passou os dedos em um cacho solto ao lado do meu olho direito, então disse:

_ Não esquece que vou estar sempre com você, tenho um carinho incondicional por você, quando eu voltar acertamos as coisas. Tenho algo importante a lhe dizer.

Pedro deu-me um leve beijo em minha bochecha e finalizou sua despedida. _ Preciso correr, arrumar as malas, meu navio sai em duas horas, te ligarei todas as noites, se cuida morena.

E lá se foi ele descendo as escadas em passos apressados, caminhei até a janela para observar, Pedro e Vincent saíram num Jipe em direção a pousada no fim da rua. Sentei-me no chão a beira da janela, apoiei os cotovelos nos joelhos e baixei a cabeça, então lembrei do pacote que minha mãe havia deixado para mim, levantei-me e peguei a pequena caixa no criado mudo, sentei na cama, com muito cuidado e receio fui abrindo, levantei cada aba pensativamente até que seu conteúdo fosse revelado.

Lá estava ela no interior da caixa, a linda concha que Vincent deixou na praia para mim em meu sonho, ao seu lado um papel dobrado, parecia reciclado... É bem a cara da minha mãe mesmo... Peguei o que parecia ser uma carta, desdobrei, eram as letras da mulher que mais me amou no mundo, meus olhos marejaram, então comecei a ler o conteúdo escrito.

"Querida Elise nossa amada e única filha, nossa princesa...

Se está lendo esta carta é porque Pedro cumpriu a promessa... Queria muito lhe explicar tudo mas não é seguro ainda, você precisa continuar na ilha não importa o que aconteça! Bem... sobre a concha, não a entregue nas mãos de ninguém, siga esta minha instrução nos mínimos detalhes, cada letra:

NÃO ENTREGUE A CONCHA NAS MÃOS DE NINGUEM NÃO IMPORTA QUEM SEJA!

Não posso contar muita coisa neste papel, existe risco de cair em mãos erradas, a única verdade que posso lhe contar no momento é que o verdadeiro sobrenome de nossa família é Di Valier. É tudo o que você precisa saber para ter um ponto de partida, e minha querida Ise cuidado em quem está a sua volta, existem pessoas que querem machucar você. Se tiver muito confusa sobre tudo isso comece fazendo o que você faz de melhor, pesquise e investigue!

Amamos você nossa Dama do Marajó

Beijos da mamãe e papai... Clarisse Di Valier e Joseph Di Valier."

Continuei com o papel em minhas mãos, minha mãe não dizia coisa com coisa, não entendo, sempre achei que meu sobrenome fosse Monteiro, porque eles mentiriam sobre nossa origem? Meus pais não tem cara de que fariam tal coisa, a menos que estivessem fugindo de algo... Talvez tenha algum sentido, apesar de eu ter nascido aqui, eles não eram do Marajó, vieram para cá poucos meses antes de eu nascer. E.... agora me pergunto porque sempre evitavam falar de meus avós, ou do restante da família, o que será que eles escondiam de mim?

Deitei na cama fiquei pensando tentando ligar uma coisa à outra mas nada tinha sentido na minha cabeça, não demorou muito Vincent voltou.

_Pedro já embarcou. Disse Vincent.

_Você vai dormir na pousada ou quer que eu prepare um quarto aqui? Perguntei a ele.

_Se não for atrapalhar demais fico aqui te fazendo companhia. Respondeu Vincent com um sorriso leve no rosto.

Sai do quarto e andei pelo corredor, entrei na quarta porta, era o único quarto que não estava alugado, havia poeira por todo cantos, abri as janelas pra entrar os últimos raios de sol da tarde, bati o colchão pra tirar o excesso de ácaros, espanei as paredes, coloquei cortinas limpas, e cobertas lavadas na cama, deixei um lençol e uma toalha em uma cadeira no canto do quarto, parecia limpo e agradável. Pouco tempo depois Vincent voltou com suas malas, o deixei sozinho para guardar suas coisas e descansar.

Fui ao supermercado comprar algo pro jantar, passeei entre as prateleiras de alimentos pegando os produtos como se soubesse o que eu queria, porém meus pensamentos estavam longe, paguei as compras, ainda sem dar importância pra tudo a minha volta, caminhei de vagar até o carro, coloquei as sacolas no banco do passageiro, entrei e dirigi até minha casa, estava tão distraída... quase atropelei um búfalo que estava solto em uma rua, apesar de tudo consegui chegar em casa.

Vincent estava na cozinha com o notebook na mesa digitando algo, dei boa noite e ele respondeu educadamente, parecia concentrado, provavelmente estava trabalhando em sua tese.

Tirei as compras da sacola e fui guardando no lugar, o único produto estranho que se aproveitou do meu momento de distração foi uma garrafa cara de vinho do porto, enfim... resolvi preparar filé empanado, salada, batatas fritas e um arroz com legumes. Apesar de ocupado, percebi que Vincent volta e meia dava uma pausa e olhava o que eu estava fazendo pela cozinha, foi então que ele disse:

_O cheiro está delicioso... Sabia que fritura faz mal?

_ Sim, é por isso que também preparei arroz com legumes e salada, para equilibrar. Soltei um sorriso leve e continuei a fritar minhas batatas, era um de meus vícios favoritos.Vincent corou com minha resposta e meu sorriso, então voltou ao seu trabalho, continuei a cozinhar sem falar muito para não atrapalhar.

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