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   Capítulo 4 - Vendida!

A Garota da Máscara Prateada Por Emilly EG Cândido Personagens: 9714

Atualizado: 2021-06-11 06:50


Abro os olhos com dificuldade. Eu sentia que minha alma sairia do meu corpo a qualquer momento por conta da dor que se espalhava.

Espera, onde eu estou?

Tento fixar minha visão que estava desfocada. Eu apenas sei que estava em algo em movimento, pois conseguia sentir algo andando. Eu estava deitada em algo aparentemente mais confortável do que o chão, mas incomodava um pouco.

Quando consigo ver claramente, vejo que eu estava deitada em palhas e eu estava dentro de uma carroça que estava em movimento.

Haviam mais quatro mulheres na carroça junto comigo, elas eram bonitas, mas estavam bagunçadas e sujas.

Pelo menos não estão sujas de sangue!

Espera... Olho para o meu corpo procurando algum sinal do corte que Ofélia havia feito, mas não estava mais lá, apenas as minhas roupas que estavam cobertas de sangue.

Alguém usou feitiço em mim...

Onde esta carroça está me levando? Quem são essas pessoas?

Vejo que uma das garotas estava acordada, ela era bonita, seus cabelos eram enrolados e sua pele era da cor de chocolate. Ela usava um vestido amarrotado amarelo, e estava distraída, olhando para o nada.

— Ei — Sussurro, mas ela não percebe — Ei — Digo um pouco mais alto, conseguindo a sua atenção. Ela franziu o cenho me encarando. — O que está acontecendo?

Ela me encara e me analisa antes de dar qualquer resposta.

— Meu Deus, acabaram com você — Se refere a minha roupa com sangue — Eu não sei, aquela mulher apenas ofereceu ajuda e como eu não tinha o motivo de recusar, eu aceitei. — Apontou para a mulher que estava de costas para nós, pilotando a carroça.

— Ela pega órfãos de vilas que foram atacadas e trás para Cloudencie como imigrantes para trabalharmos. — Uma das garotas que estava deitada murmurou, ainda de olhos fechados.

— Trabalhar com o que exatamente? — Franzi o cenho, ela deu de ombros.

— Geralmente ela leva para o Palácio quando precisam de mais alguma criada, ou vende para velhos tarados. A dona dela recebe muito por isso, vendendo pessoas. — Sorriu, ainda de olhos fechados.

— Como você sabe disso? — A garota de cabelos cacheados pergunta.

— Porque ela tentou me vender, mas ninguém quer comprar uma menina cega. — Diz se sentando finalmente e abrindo os seus olhos. Eram quase totalmente brancos — Ela sempre se aproveita de meninas perdidas com vilas recém atacadas para conseguir lucrar. Vocês são as próximas.

— Eu não posso entrar em Cloudencie... — Sussurro para mim mesma.

— Acredite, Cloudencie é o melhor que vamos conseguir.

— Como vamos entrar lá se não permitem pessoas desconhecidas!? — Questiono.

— Ela — Apontou para a mulher que estava se costas para nós — Ela não é desconhecida, muitos conhecem ela. Já nós vamos nos esconder entre a palha e a lona e torcer para que não nos pegue. Nunca nos pegaram, mas caso nos encontrarem, seremos acusadas de bruxaria e morreremos. — Responde, por fim. Arregalo os olhos.

Conhecendo esse caminho, eu sabia que Cloudencie já estava próxima. Se me pegarem e foram verificar o meu sangue, saberão que eu sou uma bruxa e então eu estarei morta, literalmente.

— Como vocês se chamam? — A garota de cabelos curtos e ruivos perguntou.

— Zhafrina. — Respondeu, a de cabelos cacheados. As duas olham para mim.

— Imogen. — Respondo, deitando a minha cabeça na palha e feno.

— Sou Clara. — Responde a ruiva.

No decorrer do pouco tempo, nós fomos conversando sobre como havíamos perdido nossos pais. Eu disse que haviam atacado nossa vila e eu consegui me esconder, mas cai e cortei uma parte da minha cintura e fiquei desacordada. Sim, eu sou uma grande mentirosa. Já as outras aconteceram quase o mesmo que a minha mentira, porém elas não mentiram. Zhafrina perdeu os pais e foi violentada, enquanto os responsáveis atearam fogo em sua casa e ela conseguiu fugir. Clara por sua vez, sempre foi rejeitada pela família por causa do seu problema em sua visão, ela não suportou os maltratados dos pais e conseguiu fugir. E então essa mulher desconhecida nos encontrou e irá nos levar a Cloudencie para ganhar dinheiro.

Consigo ver os grandes portões de Cloudencie, e no mesmo momento a mulher manda nos cobrir e acordar às três outras garotas que estavam dormindo. Elas acordaram rapidamente e então cobrimos nossos corpos com a palha e a lona. Não eram poucas.

— Boa tarde, rapazes — A mulher Murmurou.

— Senhora Iozzy, seja bem vinda... Podemos olhar por baixo da lona, por um minuto? — Ela fica em silêncio em um breve segundo, mas concordou.

Posso ouvir os seus passos vindo até nós, mas eu também podia ouvir uma das garotas que estavam dormindo começando a se desesperar. Merda, ela iria acabar com tudo.

O homem se prepara para puxar a lona mas antes eu Murmuro as seguintes palavras — Invosiblier.

Fecho os olhos fortemente ao pensar que o feitiço poderia não dar certo. Mas no momento que ele puxa a lona e mexe

um pouco com a palha ele não vê nada e a fechou novamente.

— Pode ir.

— Obrigada, senhores. — E então a carroça começou a se mover novamente. Suspiro aliviada.

— Reversão — Sussurro novamente, nos fazendo voltar ao normal.

— Essa foi por pouco. — Zhafrina suspira aliviada.

— Isso nunca chegou a acontecer antes — Responde, Clara.

Eu não acreditava que eu estava dentro de Cloudencie.

A mulher parou a carroça num estábulo tão grande quanto a casa ao seu lado.

E nisso, uma outra mulher extremamente elegante aparece — Bem vindas! Eu Serei rápida, vocês irão subir agora e se arrumarem para os compradores. Eu não me importo com os seus nomes, eu não me importo com quem vocês são, eu apenas me importo com o que vocês valem. Então entrem e dão um jeito para terem algum valor — Nos encarou de cima em baixo, com nojo. A mulher que pilotava a carroça estava estava bem ao seu lado.

— Eu não quero ser vendida pra ninguém, agradeço a oferta mas eu vou emb...— A mulher, provavelmente dona da casa, me interrompe.

— Você por acaso quer ser acusada de bruxaria e ser queimada em praça pública? — Me encarou. O olhar dela era o mesmo olhar que o da minha tia... Eu podia ver a maldade. Abro a boca para responder, mas ela balança o seu leque me cortando novamente. — Foi o que eu pensei. Agora saiam da minha frente — Gritou.

— Por aqui, meninas. — A mulher que estava com a carroça diz pela primeira vez. Ela enrosca os seus brancos nos braços de Clara, a guiando.

As meninas seguem ela, e eu novamente sem uma escolha, faço o mesmo. Entramos na casa e subimos quatro escadas, no mínimo. E então chegamos em um quarto.

A mulher nos colocou em um banheiro diferente para que nos lavar. Eu tiro toda a sujeira que havia ficado em meu corpo e em meu cabelo. Mas isso não durou muito, depois de cinco minutos ela retorna mandando todos saírem para vestirem as roupas.

— Uau! — Sussurrou uma das meninas.

Os vestidos eram esplêndidos, mas eu me lembro do que Clara disse. Entre ser vendida como criada ou para um velho tarado, eu sem dúvidas prefiro ser vendida como uma criada. Então pego o vestido mais simples que era apenas uma azul que era um pouco apertado no quadril para cima, mas para baixo já era um pouco mais solto. Eu arrumo o meu cabelo, mas o prendo e coloco um sapato sem graça.

Estava perfeito. As outras estavam mil vezes mais bonitas do que eu. Se um comprador fosse vir, iria escolher uma delas, infelizmente. Ninguém merece ser vítima de algo que você não tem escolha.

— Você é esperta — Zhafrina murmurou, parando ao meu lado. Olho para ela me surpreendendo, ela também havia se vestido sem chamar a atenção. — Espero que dê certo — Sussurrou.

— Vai dar. — Sussurro de volta.

— Creio que vocês já estão prontas — A mulher da carroça Murmurou. — Um dos compradores já chegaram aqui, vocês podem descer.

As meninas concordam com a cabeça e começam a caminhar uma atrás da outra. Eu fico atrás de Zhafrina, sendo a última. Mas Franzi o cenho ao ver Clara parada ao lado da mulher da carroça.

—Você não vem? —Pergunto a ela, que apenas balançou a cabeça.

— Boa sorte, Imogen. — Diz por fim, mas a mulher fecha a porta antes que eu diga alguma coisa.

Fico confusa, mas continuo descendo. Estávamos sendo guiadas por outra mulher que também parecia uma criada. Ela nos leva até um grande salão onde havia três pessoas, onde um deles era uma mulher.

— Oh, aqui estão! — A dona da casa aparece ao nosso lado. — Bem senhores, a vontade em sua escolha — Piscou, sorrindo.

Uma mulher alta, caminha seriamente nos analisando. Sua postura era invejável e suas roupas também.

— Essa é Freya, governanta superior do Palácio. — Arregalo os olhos. Merda, do Palácio...

— Você é exibida de mais. Sua postura é horrível. Céus, de você eu não digo nada. — Ela apontava para cada garota que passava, aparentemente a minha ideia de não vestir tão exageradamente estava dando certo. — Hmm... bonita, simples e adorável. — Diz a Zhafrina, e depois se vira para mim — Boa postura, e simples e bonita — Eu não sabia se ficava feliz ou entrava em desespero. — Bem, quero as duas.

Zhafrina e eu arregalamos os olhos e olhamos uma para a outra.

— Dez mil moedas, cada. — O sorriso da dona da casa cresce.

— É claro!

— Mas elas estarão comprometidas para o resto da vida com o castelo até o dia de suas mortes. —  Completa. Isso era ridículo!

— Elas estarão sim, senhora. Eu garanto. — A governanta entrega dois sacos de moedas para a mulher que não tirava o sorriso do rosto.

— VENHAM! — Gritou.

— Vão logo suas imprestáveis! — Diz a dona da casa logo em seguida. Zhafrina engole um seco e a segue rapidamente, eu faço o mesmo, mas não com tanta animação.

Eu iria ter que matar o rei... E eu estaria tão perto dele... Merda! eu não quero me tornar uma assassina...

Mas entre o rei ou eu, eu escolho eu!

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