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Estarei Sempre ao seu lado

Estarei Sempre ao seu lado

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  • Autor: Primeiras publicações: 2020-12-12
  • Categorias: Aventura Leituras: 6394
  • Palavras: 3696 Estado: Em curso
  • Nota: 4.5 (119)

Ela esqueceu da promesa de nunca beija-lo novamente... Como poderia aceitar ser traida,roubada pelo homem que jurar ama-la, proteje-la .E agora ela estava nua nos bracos daquele que elabodiava.

Ela esqueceu da promesa de nunca beija-lo novamente... Como poderia aceitar ser traida,roubada pelo homem que jurar ama-la, proteje-la .E agora ela estava nua nos bracos daquele que elabodiava.

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5 2021/2/26 6:54:33

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5 2021/2/26 6:54:24

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5 2021/2/22 1:37:52

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5 2021/2/21 3:38:30

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5 2021/2/13 7:55:07

texto tem que ser revisado, muitos erros de português mas boa história

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A CONSEQUENCIA CRUEL DE UM SEGREDO PORECATU, em indígena “Bonito Salto D’água” ainda era um distrito de Sertanópolis, cidade situada no norte do Paraná, e foi lá que em uma segunda feira do mês de janeiro de 1941 teve início o que vamos contar. Por muitos anos Dolores criou Adalgisa, filha de sua antiga patroa. Esta cresceu, e agora a baba permanecia na casa cuidando de Celso, filho recém-nascido dela. Naquela manhã, ela chegou apressada, pedalando sua velha bicicleta, entrou na casa em prantos com a noticia: _Minha filha faleceu ao dar à luz de seu primeiro bebe. Terei que deixar o emprego para cuidar desse meu neto. Adalgisa, criada por Dolores e sua atual patroa, não aceita o pedido de demissão e propõe que eles passem a morar em sua casa que além de enorme, ficava próxima de um posto de saúde, onde o seu neto teria um bom acompanhamento pediátrico e próxima de boas escolas, onde no futuro ele poderia seguir seus estudos. Dolores aliviada agradece e aceita a oferta dizendo: _Temos dois meninos com menos de um mês de diferença, darei conta de cuidar de ambos. E foi assim que Celso, filho de Adalgisa e Mario, neto de Dolores, foram criados. Havia contubérnio entre eles, estudavam na mesma escola, jogavam futebol juntos e realmente não havia nenhuma discriminação por parte de ninguém, eram ambos os meninos da casa. Apenas a genética os diferenciava, Celso, filho de uma mãe bem cuidada herdou dela a sua aparência saudável e bonita, Mario, cuja mãe deu a luz ainda muito jovem, e criada com poucos recursos, era menor na altura e com muitos problemas de saúde. Na escola ambos e mais dois amigos, “Anselmo”, e “Juliano” se destacavam formando o ataque do clube de futebol da escola e da cidade. 1960 - Três deles concluíam o curso cientifico, e Anselmo era do tipo de menino que não gostava de estudar, preferiu trabalhar tirando leite de vacas. Foi à época em que Celso conquistou sua primeira namorada. “Eva” que tinha 18 anos era filha de imigrantes Italianos e se ocupavam da criação de gado leiteiro em sua fazenda, como muitos faziam no Norte do Paraná. O namoro durou muito pouco, menos de um mês, mas os jovens movidos pela paixão se entregaram um ao outro, ambos pela primeira vez. O ciúme determinou o fim do relacionamento, pois, Celso, rapaz alto, bonito de família rica e tradicional, chamava a atenção das outras moças do pequeno município e enciumada, Eva causou vários atritos vindo à separação. Mas ela além da caturra tinha um gênio forte e não aceitou passivamente o fim do namoro. Tratou de conquistar Mario, queria assim provocar ciúmes em Celso, e também namorou e se entregou a esse por cerca de um mês. Mario sempre teve pouca saúde, mas ultimamente queixava-se com Celso por sentir que tinha muita sede, e fome. Urinava pouco e o ato lhe causava sangramento e dor. Celso pede a ele que vá buscar orientação médica, contudo, alegando que teria que usar dos recursos da sua avó já que ele sequer trabalhava, recusou a sugestão. Sendo seu grande amigo criados como irmãos, Celso não se dá por vencido e resolve ajudar Mario. Marca uma consulta com Dr. Alfredo, único médico na cidade. Como ele também não trabalhava, pagou a consulta com a mesada que recebia de sua mãe. No consultório, Celso relata ao médico todos os sintomas do amigo como se fossem seus. Ao final da consulta Dr. Alfredo informa que ele deveria efetuar diversos exames, mas em uma cidade maior, com mais recursos. Recomendou a Santa Casa de Londrina, onde não teria nenhum custo além, de os resultados muito confiáveis. Como era sem custo, Celso induz o amigo fazer os exames. Mario resistiu muito à ideia dizendo: _Amigo o que estamos fazendo é ilegal! Mas Celso retruca: _não prejudicaremos ninguém e não usaremos os resultados para burlar ou tirar proveito deles! Insiste reforçando o que Dr. Alfredo havia dito e Mario, cada vez pior de saúde, se convence dessa necessidade. Com o encaminhamento para exames em mãos, ambos vão até Londrina e dirigem-se ao laboratório do Hospital da Santa Casa indicada pelo médico. Lá chegando, Mario se encaminhou para a sala de espera que está lotada e Celso se dirige a recepção com a guia de encaminhamento e com seus documentos em mãos. A atendente anota todos os dados, solicita a assinatura de Celso na requisição, e pede para ele aguardar a chamada pelo nome, na sala ao lado. Mario já lá estava e assim que o alto falante mencionou o nome de Celso, ele se dirigiu à sala de coleta de sangue. Ninguém lhe pede mais nenhum comprovante de identificação. Dessa forma o material colhido é de Mario, em nome de Celso e o resultado é encaminhado diretamente para o médico que o solicitou. Decorridos alguns dias, Celso é avisado que os resultados dos exames já haviam chegado e retorna para a consulta médica. Dr. Alfredo estava na cidade há poucos anos, não havia acompanhado Celso em sua infância, por isso não sabia que o moço era um atleta que nunca havia ficado enfermo, vendo os exames lhe diz: _ Meu rapaz, você sente toda essa sede e fome porque é diabético e ainda teve varicocele, e caxumba mal curada. _Sinto informar que essas enfermidades o tornaram um homem infértil, não poderá engravidar nenhuma mulher. _Atualmente não há muito que fazer, quem sabe no futuro, com o avanço dos tratamentos, e suas dores e sangramento ao urinar são provenientes de pedras nos rins._ Vou prescrever medicamento para aliviar as dores, mas para tratamento da infertilidade, aconselho buscar centros maiores. A revelação chegou a abalar o ânimo de Celso que ficou arrasado pelo que o destino reservara para seu grande amigo, mas se refez para dar forças a ele. Levou a medicação indicada e passou todas as orientações médicas para Mario. Este seguiu o tratamento à risca e num curto prazo de tempo alcançou melhoras. Logo resolve mudar-se para Curitiba imaginando que em uma cidade maior poderia tratar-se e um dia reverter seu problema de infertilidade. Tempos depois passou no vestibular para Direito. Sempre mandava notícias por carta e seguia fazendo seus tratamentos médicos. Os rapazes seguiam suas vidas sem imaginar as implicações daquela troca de identidade nos exames. Marilda, a assistente do Dr. Alfredo, ouvira toda a conversa que seu patrão tivera com o paciente e quando este deixou o consultório, ela tratou certificar-se do que contaria para todas as amigas interessadas em namorar Celso. Conferiu os exames e concluiu: Não são bulícios eis as provas, ele é infértil. Celso, não soube na época, pois as “fofocas” não foram divulgadas por toda a cidade, apenas as moças interessadas no “bom partido”. Eva também tomou conhecimento. Naquela ocasião Eva havia namorado Celso e Mario e sua menstruação estava atrasada. Desnorteada, sem saber o que fazer, conta para sua mãe sobre sua situação que por sua vez conta para seu marido. Giovane, o italiano, pai de Eva, ficou furioso. Naquele tempo ser mãe solteira era uma grande desonra para a família. No dia seguinte ele leva Eva a um médico de uma cidade longe dali e a confirmação cai como uma bomba, realmente sua filha estava grávida. Religioso Giovane não teve dúvidas, essa criança iria nascer, mas ele tinha uma estratégia. Em seu retorno espalhou pela cidade que Eva ficaria meses fora para acompanhar Beatriz, a filha mais velha e que ela sim estava grávida. Ia ajudar a irmã com o enxoval do seu neto. Leva Eva para morar na fazenda com sua irmã casada, mas que não tinha filhos. Quando a barriga começou a aparecer, Giovane leva Eva, Beatriz e Ada, sua esposa, para morar em Cambé. Lá as irmãs passaram a usar vestes bem largas, tornando impossível de se notar a gestação. Mensalmente Eva é levada para fazer o pré-natal. Quando ela dá a luz, seu pai leva a criança para a fazenda, o bebe é registrado como filho de Beatriz e Clóvis, seu marido, e Giovane avisa aos amigos que seu neto nascera na fazenda. Sabendo por meio de Marilda que Celso era infértil, o pai de seu bebê só poderia ser Mario, um rapaz pobre e ela sabia como pensava Giovane, seu pai que dizia: De pobre, basta só nós! Então, Eva jamais contou o que ocorrera, ou quem era o pai de seu filho. Um ano depois Celso e Eva conseguem vaga na mesma faculdade, em Maringá, cidade onde ela havia dado à luz a seu filho Jorge. Por serem da mesma cidade, e sem conhecerem os demais colegas, voltam a conversar. Eva está mais amadurecida e meses depois estão namorando novamente. Quando ambos se formam, ela em Letras e ele em Ciências Contábeis, retornam a sua cidade. Eva passa a lecionar Inglês no curso ginasial e Celso abre um escritório de Contabilidade. Giovane, pai de Eva, é informado por Marilda da infertilidade de Celso, esta fazia empenho em acabar com o namoro de ambos, pois sempre fora apaixonada por ele, e alimentava esperanças de que um dia se casaria com Celso. Giovane tenta de todas as maneiras terminar com o namoro, pois quer ter mais netos e Beatriz sua outra filha não consegue engravidar, sua esperança é que Eva se case e seus sonhos se realizem. Mas, não tem nenhum argumento para impedir que namore o rapaz, ele é de boa família, e com boa cultura, assim tempos depois eles se casam. Eva sempre que podia ia rever o seu filho que lhe fora tirado dos braços e entregue para ser criado por sua irmã. Procura ir quando sabe que seu pai não estará ela ainda estava muito magoada com a atitude dele. Quando Eva e Celso comemoravam o primeiro aniversario das bodas, fazem uma grande festa, e reencontram Mario e sua esposa. Agora um advogado que cuidava de causas internacionais, e que não pode ficar muito tempo, assistiu apenas o início da festa, viajou para a França, onde ele tinha uma causa para defender. Os moradores de toda a cidade foram à festa, a carraspana foi geral. Chovia muito, a estrada de terra toda enlameada e na volta para fazenda Clovis, cunhado de Eva, derrapou seu carro na lama, perde a direção e cai num barranco. Giovane o italiano, sua esposa, sua filha e genro falecem. A criança havia ficado em sua casa, pois estava febril e isso a salvou da morte certa. Assim, Eva e Celso, passam a cuidar do menino, seus únicos parentes vivos. Ela sabendo ser ele seu filho verdadeiro e Celso sem saber de nada. Anos depois, Mario retorna a cidade, casado, e com uma filha adolescente, havia ele revertido com a medicina mais evoluída seu problema de infertilidade. A moça se interessa por Jorge, filho de Eva e estes iniciam um namoro. Eva se desespera, pois quer evitar que os irmãos namorem para ela seu filho seria de Mario, logo, os jovens seriam irmãos, e luta ferrenhamente para acabar o namoro. Meses depois, Celso já apaixonado pelo rapaz, diz à Eva:_ Se quando nos conhecemos você tivesse engravidado, nosso filho teria a mesma idade do seu sobrinho. E ela inocentemente arremata: _Mas você não é infértil?! Celso responde às gargalhadas: _não meu amor, foi uma trica, uma marosca que fizemos, eu e Mario! E conta toda a história dos exames trocados. Eva não resiste, chora copiosamente, seu marido não entende nada e quando ela para o choro ele pergunta: ¬_ por que essas lágrimas? Eva sem nada demonstrar diz_ casei-me com você imaginando que nunca poderia ser mãe, pois Marilda contou para todas nós que você era infértil. Agora Eva sabia que seu marido era o pai de seu filho. Mas teria que guardar seu segredo, mas aceita para espanto de todos o namoro do casal adolescente. Ironicamente Celso e Eva nunca tiveram outros filhos, realizaram vários exames, mesmo assim, Eva nunca mais engravidou. Jorge e Celso eram muito próximos. Eva tentava reunir coragem para revelar seu segredo ao marido, mas vendo essa grande amizade entre eles e temendo estragar a harmonia de seu lar, sempre adiava. No entanto, bastava estar sozinha para que Eva se perdesse em suas profundas reflexões e quem a visse imaginaria que ela estava numa espécie de transe. Ela sentia-se dividida entre a alegria da família unida e a amargura de não ter o desprendimento de contar tudo para Celso. Sofria muito, pois seu maior desejo seria ouvir Jorge chamá-la de mãe e não por Tia. O tempo vai passando e Jorge é diplomado em Veterinária. Escolhera a profissão para cuidar da fazenda de seu falecido avô. Casa-se com a filha de Mario e quando nasce o primeiro filho do casal, escolhe o nome de Celso para o garoto. Jorge queria prestar homenagem ao homem que amava como pai, ao carinho e amizade que havia entre eles. Muitos anos depois Eva adoece com problemas cardíacos, talvez reflexos do segredo que abafara no peito por toda sua vida. Seguia angustiada por jamais ter ouvido seu único filho chamando-a: "Mamãe" Por algum tempo é tratada em casa, mas sua saúde piora e é internada. O médico pede para os amigos e familiares esperarem o pior e reuniu a todos. Eva já não tinha forças para falar, mas pede através de gestos, para todos saírem do quarto e deixá-la a sós com seu marido. Com enorme esforço Eva enfia a mão dentro do avental que usava e retirou uma pulseirinha, a mesma que usou no hospital quando deu à luz a seu filho e a entrega para Celso e com uma última lágrima brotando de seus olhos falece. Celso entende que para fazer tanto esforço, aquele último gesto devia tem um significado muito importante. Na pulseirinha estavam escritos o nome dela e o da Maternidade onde dera à luz, e a data do nascimento. Surgiram em seus pensamentos muitas dúvidas. De repente ele começa a ligar os pontos das lembranças do passado. Por que Eva e sua irmã estiveram afastadas do convívio de todos no período da gravidez? Ele mesmo já dissera que se ela tivesse engravidado durante o namoro deles, eles teriam um filho da mesma idade. Será que meu sobrinho é na verdade meu filho? O velório é concorrido, os alunos de Eva prestam a ela uma homenagem de despedida muito linda. Celso Calado, sentado ao lado do esquife. Vez por outra emite um suspiro de tristeza. Ninguém nota, mas Celso tem em suas mãos a pulseirinha que lhe fora entregue por Eva em seu último gesto de vida. Quando chega à hora das despedidas finais todos se afastam e não percebem quando Celso prepara um lindo buquê de rosas usando a pulseirinha para prender as flores, disfarçada por debaixo de uma fita de seda. Gentilmente ajeita o arranjo nas mãos frias de Eva. Abaixa-se para um último beijo e diz a ela em pensamento: _ meu amor, você teve um filho e guardou esse segredo por toda a sua vida, seu último gesto indica que queria libertar-se do fardo desse silêncio. Siga em paz! Quanto a mim, o que mudaria saber disso agora? Sempre tive amor genuinamente de pai em meu coração! E como um pai, não fui eu quem, com muita alegria e dedicação, vivi para nutrir, educar, orientar e apoiar seu filho, para que ele crescesse e se tornasse um homem de bem? Para mim nunca fez diferença, sempre o amei como meu próprio filho. Nada mudará leve seu segredo para a vida eterna, pois sempre senti e disse:_ PAI é aquele que cria. Com esse pensamento, duas lágrimas brotam dos olhos de Celso indo derramarem-se sobre o rosto pálido de Eva. O caixão é fechado em seguida, e dentro do cemitério quando a tampa deste é aberta para as derradeiras despedidas, Eva estava com um semblante calmo e feliz, e notaram essas lágrimas, mas até hoje muitas pessoas que lá estavam, juram ter sido ela quem chorou. Cinco anos depois do falecimento de Eva, Jorge é solicitado para doar sangue a um amigo que sofrera um acidente de carro na estrada, o médico que estava cuidando do acidentado fora quem atendeu por muitos anos Beatriz e Clovis, sabia que ambos tinham o tipo de sangue universal, logo Jorge também o teria. Mas por prudência fazem um teste de sangue no rapaz e constatam que o dele não é o mesmo de seus supostos pais. Impedido de doar Jorge quer saber o motivo da incompatibilidade de que Beatriz e Clovis sejam efetivamente seus verdadeiros pais. Sem alarde, numa manhã, limpa cuidadosamente o pente que Celso usa e quando este ao se levantar se penteia, imediatamente recolhe os fios que saíram da cabeça dele. Jorge como lembrança de EVA, tinha uma corrente de ouro onde muitos anos atrás Giovane seu avô, havia mandado incrustar o primeiro dentinho dela. No dia seguinte vai a um laboratório, solicita que façam um exame de DNA comparando seu sangue com os cabelos de Celso e o dentinho. Dias depois a confirmação. Celso era o seu pai, e Eva a sua mãe. Ao retornar para casa, abraça Celso, chora feliz, contudo jamais contou para ele toda a verdade que descobrira, respeitando O SEGREDO DE EVA. Na manhã seguinte vai até o cemitério onde Eva está enterrada, ajoelha-se, chora muito, e murmura. Vim lhe visitar minha MÃE. O dia estava totalmente nublado, mas exatamente no momento em que Jorge pronuncia a palavra Mãe, uma das nuvens se abre deixando passar um raio de sol iluminar o rosto do rapaz. Pessoas que também lá estavam vendo esta cena comentam. _ A falecida está lhe agradecendo por alguma palavra que usou e pela sua visita. FIM

UM DEFUNTO CIUMENTO

UM DEFUNTO CIUMENTO

TITO CANCIAN

UM DEFUNTO CIUMENTO

UM DEFUNTO CIUMENTO Naquela sexta-feira, 28 de fevereiro de 1992, a grande preocupação entre as mulheres da família de Waldo era a previsão do tempo para o dia seguinte. No sábado, iriam festejar o aniversário de 60 anos do patriarca da família e queriam fazer boa figura com suas vestes. Waldo nascera em um ano bissexto sendo assim, apenas solenizavam esse evento de quatro em quatro anos. Na mesma ocasião também receberia homenagens pelos 42 anos de trabalho e dedicação em um grande banco, onde começou como contínuo e chegara ao cargo de Diretor Comercial. Seus patrões lhe entregariam placas alusivas ao seu mérito, e um relógio de pulso banhado em ouro. Quando Waldo o recebe alguém pergunta. _ Quer que eu já coloque as horas no horário de verão? E ele responde. – Não eu nunca mudo meus relógios. A festa seria no salão de um Buffet suntuoso em bairro nobre da cidade de São Paulo. Pessoas da alta sociedade iriam participar dela, daí a tamanha preocupação das senhoras com seus trajes. O sábado amanheceu com chuviscos, logo o sol dominou e a noite, como previam os especialistas, foi de tempo firme e agradável, beneficiando para alegria das damas, seus penteados, maquilagem e vestidos. Em breve discurso de agradecimentos, Waldo brincou com seus antigos colegas lembrando que na segunda feira receberia seu primeiro salário como aposentado. Ele resolveu retirar-se das atividades, pois se iniciavam modernidades no meio bancário e temia tornar-se superado pela tecnologia. O regozijo durou a noite toda, os últimos convidados se foram às 6,00 horas da manhã. O domingo foi preguiçoso e o telefone de Waldo não tocou uma única vez, sinal que a ressaca fora grande. Na segunda feira Waldo acordou cedo, a ansiedade o dominava. Seu primeiro salário como aposentado seria infinitamente menor comparado a sua remuneração na ativa. Tudo era novo, entrar em um Banco como cliente e não funcionário. Pretendia estar na agência assim que essa abrisse e para sua sorte ela abria as 9,00Hs, uma hora antes do normal para pagar aposentados. E o fez. Assim que a porta giratória do Banco foi aberta, facínoras mascarados adentraram ao estabelecimento, fizeram de reféns os idosos e funcionários. Waldo, de temperamento forte reage ao assalto e é golpeado com uma coronhada, ao cair bate a cabeça na quina de uma parede. Os ferimentos foram grandes. O assalto dura por volta de 50 minutos. Fora da agência ninguém percebe nada, nenhum alarme é disparado. Ao sair do local um dos meliantes ainda atira em um idoso de mais de 80 anos, o tiro não é fatal e ele é levado ao pronto socorro, dias depois recebe alta médica. Agora Waldo, ainda atordoado, está em um corredor esfumaçado. Sua primeira impressão é que alguém abriu o lacre de um extintor tal a quantidade do que parecia ser fumaça. Observando mais atentamente ele se dá conta que aquilo é nuvens Ele logo pensa: _O que estou fazendo nas nuvens?! Adentra em um salão enorme, este, lembra uma repartição pública, com guichês de atendimento e letreiros indicando nacionalidades diferentes. Aproxima-se da placa onde está escrito “BRASILEIROS”. Sua primeira pergunta é: _Para que serve essa fila? Como resposta ouve: _ Amigo, estamos momentaneamente no céu e dependendo do que consta na sua ficha, você pode subir ou descer! Responde o “atendente” fazendo um sinal de dois chifres na testa. Waldo balbucia: _ você quer dizer que eu morri?! E o outro confirma: _ Sim amigo você não se lembra de nada? Waldo atônito lembra-se de ter sido empurrado por um dos bandidos dentro do Banco, e resolve obter mais detalhes afirmando: _ Então não seria melhor passar para uma fila maior que essa, e ficar mais tempo aqui? _Nada disso amigo, quem irá nos triar são anjos Brasileiros, e, aqui, no dia que tem papel, não tem caneta, o dia que tem carimbo, não tem almofada com a tinta, acredite seremos os últimos a serem atendidos. Waldo resolve esperar. Dias depois, aprovado pela triagem no “sobe”, Waldo recebe ordens para entrar em um salão todo em mármore. Ali, um senhor idoso, de barbas e cabelos brancos, tirava um cochilo sentado em uma poltrona, Waldo cuidou para não o acordar. Horas mais tarde, o idoso acorda. _Quem é você? Pergunta ele. _ Sou Waldo, levei uma coronhada na cabeça, imaginei estar em um hospital, mas vejo que me enganei. _ é meu caro Waldo, você está no céu e olhe que fazia dias que não aparecia ninguém por aqui. Comenta o simpático velhinho. _ como assim, não morreu mais ninguém? Indaga Waldo. E o idoso às gargalhadas responde: _ não meu caro, a maioria não passa por aquela porta, vai direto para baixo. O criador está com depressão por ter colocado o ser humano para habitar a terra. Está indo para as profundezas sem escala, e ainda reclamam que lá é muito quente. Waldo quer ganhar a simpatia do “velhinho” e lhe pergunta: _ Qual é o seu nome meu velho anjo? E a resposta: _ não, eu não sou anjo, e sim o guardião das chaves do céu. E ele continua: _ então o senhor é São Pedro? Ao que Pedro responde com um largo sorriso: _ poderia lhe dizer que sim, mas não gosto ser chamado Santo, julga que apenas nosso chefão, deva ser assim intitulado. _ E como então devo chamá-lo? Questiona Waldo. _ Por Pedro, simplesmente Pedro. Ai, Waldo já se sentindo amigão, solta: _ Sei lá na terra eu tinha um conhecido com esse nome e não me dava bem com ele, se não for muito atrevimento, posso lhe chamar de Pedrão? _Claro que sim, mas vamos aprazar, sempre longe dos demais, tem muita gente abusada, e prefiro nesses casos ser mais austero. _ Sabe Pedrão, eu acho que houve um engano em seus registros, jamais tive uma única indicação que estaria chegando o meu dia, tem como conferir isso? Com um olhar recriminador, Pedro lhe diz _ Vocês lá na Terra em breve irão ter máquinas que poderão prestar essas informações de forma instantânea, aqui ainda usamos alfarrábios. Vale o que está escrito. Vou pedir a um querubim que investigue e possa dirimir suas dúvidas. Agora vamos ver o que ocorre lá embaixo. Pedro leva Waldo para um dos lados do salão e com um simples gesto aciona algo que lembrava uma tela de cinema. Nela são transmitidas as imagens da cerimônia de cremação de Waldo. Presentes, todos os familiares, amigos e até antigos clientes, a comoção era verdadeira, o que leva Pedro a comentar. _ Estou nesse cargo a milhares de anos, jamais vi um banqueiro ser tão querido, parabéns. Segue-se um breve silêncio, quando Pedro avisa: _Vou adiantar um pouco o tempo, vamos ver como estão reagindo seus familiares, um leve sinal e a cena muda. Na mesma agência em que Waldo fora morto, sentada diante do Gerente, esta sua esposa Morgana, aguardando para receber o gigantesco seguro de vida que ele havia feito em seu nome. Ela sorri com as gentilezas que o funcionário lhe dedica e Waldo perde a compostura dizendo: _ Que é isso ai, o gerente está se engraçando com a minha mulher, veja só ele beijando as mãos dela. Pedro argumenta: _Olhe direito, parece que é ela quem está se insinuando. _ Nada! Eu ensinei tudo o que ele sabe de banco e esse camarada sempre foi assanhado com as mulheres! Transtornado com o que vê, Waldo se atreve a fazer uma proposta. _ Pedrão, vou lhe pedir um favor se não for lesivo a seu regulamento. _ diga o que é e veremos. Waldo respira fundo, e diz: _ quero voltar a terra, nem que seja por 10 minutos. _ Isso é altamente irregular, mas o que faria nesses 10 minutos? Perguntou Pedro. _ quero voltar exatamente quando eu contratava essa apólice de seguros e mudar a agência pagadora, assim, essa cena não acontecera. Pedro fica momentaneamente pensativo, e pergunta: _ quando foi que você fez o seguro? _ Dois meses atrás. Responde Waldo. _ certo meu caro. Dez minutos na terra representa menos de um milésimo de segundo por aqui, vou aforar, mas olhe lá, só 10 minutos. Lesto Waldo está na terra e na agência, mas se desespera ao perceber que não havia levado em consideração o mês de fevereiro com 29 dias. Ele estava adiantado em um dia, não havia nem mesmo feito à apólice, logo não poderia mudá-la. Waldo pensou rápido, só teria 10 minutos. Chamou o corretor de ações e comprou dele a mesma quantia que sua esposa receberia em dinheiro. Com essa compra ela receberia ações e não dinheiro, logo não seria atendida por aquele gerente que segundo ele, se engraçara com Morgana. Efetua um empréstimo para pagar a compra das ações e, emite um cheque que será cobrado no mesmo dia do crédito de seu seguro, zerando a conta. E Waldo está de volta. Pedro o recebe com um sorriso e indaga: _ correu tudo bem? _ Nada Pedrão, cheguei um dia antes. Só me restou à opção de comprar ações com o dinheiro que ela receberia de meu seguro, melhor, pois assim ela poderá vendê-las em outra agência. _ Então ainda temos tempo afirma Pedro, o querubim ainda não retornou com o seu alfarrábio, sabe ele foi brasileiro e você sabe como eles são, vamos ver o que vai acontecer. Novo gesto e lá está o que buscam. Morgana em frente ao corretor de ações. Igualmente ela se derrama em sorrisos e charme, enquanto ouve dele: _ Senhora seu falecido marido entendia muito de ações, pois elas valorizaram mais de 20% desde a data de sua compra, parabéns? _ para, para, para! Grita Waldo: Tudo de novo, só tem galanteadores na terra? Pedro novamente discorda: _ Meu caro, não tive essa impressão. _ Vamos fazer o seguinte Pedrão: não tive culpa, nem você, mas voltei no dia errado, acho que mereço uma nova oportunidade, quero voltar novamente. _Ainda vou ser rebaixado murmura Pedro, mas tá certo, ambos erramos, vai ver direitinha a data e à hora, está pronto? Então vai. Agora sim, Waldo estava na agência certa, na hora certa, tudo como queria, mas a insegurança lhe fez mudar de ideia, simplesmente mudou a beneficiária. Retirou o nome de Morgana e colocou sua mãe como a favorecida. Waldo retorna lépido. _ Vejo que deu tudo certo diz Pedro. _ acho que sim, vamos conferir? Novo gesto, novas imagens. Lá está Altina, a mãe de Waldo entrando na agência. Desesperado, este implora para parar a cena. Sua mãe entrara no Banco, abraçada a um rapaz, minimamente 50 anos mais jovem que ela e fatalmente só estaria em sua companhia visando ajudá-la gastar o dinheiro do seguro. A alegria de Waldo dá lugar a um enorme desânimo. Pedro mesmo com sua acrosofia, se comove. Também não gostei do que vi, e diz, volte lá já. Tudo certinho e sem erros, Agora Waldo altera os beneficiários, retira o nome de sua mãe e coloca o dos seus seis filhos. Pedro está aborrecido com o tempo que o querubim está demorando com sua resposta, e para entreter Waldo o convida para seguir vendo o futuro. Na tela outra desilusão. Diante da agência bancária, um congestionamento de carrões importados, comprados pelos seis filhos de Waldo, cada um com o seu, eles já havia gasto todo dinheiro antes mesmo de receber. Waldo decepcionado com o que vê, tem um mal súbito. Desfalece e ao cair, bate a cabeça num banco de mármore, os ferimentos exigem cuidados. Com a cabeça e o braço enfaixados Waldo acorda no leito de um hospital, onde estava há alguns dias em coma. Ao seu lado Morgana e seus filhos e, ela comenta: _ Amor, que bom que foi só um grande susto, agora você está bem! _ O que aconteceu? Pergunta ele. Morgana pacientemente lhe explica: _ naquela segunda feira quando você foi receber seu primeiro salário como aposentado, sua intenção era de ser o primeiro da fila. Acontece que estamos em horário de verão, logo, com uma hora adiantada. Você nunca, ano nenhum, adiantou seu relógio. Foi isso que o salvou. _ Por quê? Pergunta Waldo. _ O primeiro senhor que estava na fila foi morto por bandidos. _ Como foi isso? _ no momento que a agência abriu, às 9,00 horas, um senhor de mais de 80 anos entrou pela porta giratória e com ele entrou um dos assaltantes. O velho reagiu, levou uma coronhada, caiu, bateu a cabeça na parede e morreu. _ E eu por que estou aqui? _ Você chegou lá achando que eram 8,50hs, mas já eram 9,50hs, bem no momento do fim do assalto. Houve um encontrão entre vocês e lhe deram um tiro no braço. Esse hematoma na cabeça deve ter sido quando caiu no chão. Três dias depois Waldo recebe alta. O médico faz inúmeras recomendações a ele, prevenindo-o de que quando se está em coma, ao voltar dela tem-se a impressão que esteve em outros lugares, e que isso logo passaria. Dias depois, Waldo acreditava piamente que tudo o que lhe ocorrera era criação de sua mente em razão do estado de coma, apenas alucinações. Recuperado, volta as suas atividades de aposentado, resolve comprar frutas no supermercado próximo de sua casa. Por comodidade vai de carro, ao parar em um semáforo vermelho, recebe um folheto de um senhor bem idoso barbas e cabelos brancos, no folheto ele lê: “Você estava certo, não era o seu dia, e lá, vale o que está escrito”. Waldo levanta os olhos buscando pelo ancião, mas já não o encontra mais. Volta olhar para o folheto, não há nada escrito, era apenas propaganda de uma grande seguradora. Por muito tempo essa cena rondou seus pensamentos, mas ele se lembrava da afirmação do médico, era efeito dos remédios e do coma. Certa manhã, Waldo assistia um programa de TV, o tema era Bolsa de Valores, e um dos comentaristas afirma: _ Não é toda semana que uma ação sobe mais de 20% no seu preço, como aconteceu dias atrás. Curioso, incrédulo, abismado, Waldo, lê os jornais dos últimos dias. Lá estava às ações que ele teria comprado em seu momento de volta à terra, eram as valorizadas em mais de 20%. Em sua sala ele encontra Morgana que lhe pergunta: Você vai mandar arrumar o relógio que quebrou no dia do assalto? Ele olha e este está parado marcando exatamente 8,00hs, junto havia uma senha do Banco, com o No P 001. Com a data, dois de março de 1992. Waldo, mesmo assim seguia incrédulo, ele não aceitava que poderia ter mesmo morrido. Na semana seguinte ele recebe uma ligação do banco, e o gerente lhe pergunta. _ Waldo onde quer que eu aplique o dinheiro que sobrou de sua compra de ações, que sorte elas valorizaram 20% em poucos dias. Abismado ele se lembra que para cancelar essa compra ele não teria voltado. A sorte de Waldo: Lá vale o que está escrito FIM Tito Cancian

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